2 de maio de 2026

Em entrevista, Gabi Milino fala da carreira e do lançamento do seu primeiro disco

arte

 

O início

O que tem haver o curso de arquitetura com a música? Com as matérias que eu tenho feito aqui no site da Arte Brasileira, já me deparei com pelo menos três casos de artistas que começaram a carreira enquanto cursavam a faculdade de arquitetura e urbanismo, inclusive um deles é o majestoso Humberto Gessinger. O caso de Gabi Milino não é muito diferente. Em entrevista, ela nos contou que ao mesmo tempo que se dedicava a música, já tendo encontros e desencontros com a arte, se formou como arquiteta, mas o lado musical falou mais forte: Gabi sabia que o seu negócio era cantar e dar asas às suas composições.

“No último ano da faculdade eu fazia parte de grupo de Samba e Choro que já foi uma experiência musical mais profissional. Depois de um ano juntos eu comecei a gravar minhas primeiras músicas com um direcionamento mais autoral, que dialogava mais com o universo do Blues, do pop, do jazz, etc. Então começou a ficar difícil me dedicar exclusivamente ao grupo, porque além disto estava concluindo a faculdade. Esse impasse me acabou me direcionando.”.

Retrocedendo no tempo, a história de Gabi na música começou ela era ainda criança. E ao contrário de muitos casos, ela não sofreu muitas influências familiares, há não ser a de sua irmã mais velha, Guta, que sempre a levou a seguir pelo caminho artístico.

“Como não tive nenhum amigo ou familiar músico, a música surgiu como uma brincadeira. Primeiro cantando com minha irmã mais velha, Guta, que sempre gostou de música. Eu ouvia tudo o que ela escutava. Fazíamos paródias e brincadeiras musicais, íamos comprar CDs juntas, era uma delícia!”.

Apesar do estilo de músicas de Gabi serem mais serenos e calmos, ela começou a cantar imitando Alanis e Shakira, aos pedidos de uma de suas amigas na adolescência. Foi assim que Gabi formou sua primeira banda.

 

A música de Gabi Milino

A artista é a principal compositora de seu repertório, mas ela mesmo diz que o lado compositora é algo ainda muito novo pra ela. O primeiro disco de Gabi foi extremamente biográfico porque ela sempre teve o costume de escrever diários e poemas, e esses escritos foram transformados em música.

“Compor ainda é muito novo pra mim, então não é algo que eu tenha muito domínio em termos de processo e resultado, vou deixando vir e lapidando a medida do possível. Eu escrevo o que sinto e, por enquanto, só assim faz sentido, às vezes saem coisas muito ingênuas, ou mais sombrias, mas tem a ver com minha realidade emocional diante da vida, de um amor, uma dor de cotovelo, um medo, essas coisas que vão emergindo.”.

O primeiro disco de Gabi aconteceu como um processo de autoconhecimento musical, o que foi bastante intenso para a artista. Para esse desafio – tão esperado por ela – foi preciso pensar muito em referências, timbres, arranjos, colocação vocal, e uma série de possibilidades que se apresentam no momento de gravação e mixagem.

Ainda sobre o primeiro trabalho de Gabi, vale lembrar que um time de peso fez parte das gravações do disco, como Renato Godá, Swami Jr., Kuki Stolarski, Fernando Nunes e Zeca Baleiro, que divide os vocais com a compositora na faixa em El Desierto. Gabi nos contou um pouco dessa relação com esses artistas.

“Conheci primeiro o Kuki Storlaski que é baterista e produtor e que toca com o Zeca, o Kuki adora a Lhasa de Sela e um dia nos encontramos e ficamos um tempão conversando sobre o trabalho dela, no mesmo dia que nos conhecemos, inspirada pela conversa terminei uma das músicas do disco, El deserto, e resolvemos convidá-lo pra produzir a faixa, foi então que rolou a participação do Zeca, através do Kuki, o que foi um presente pra mim.”.

 

 

 

 

 

 

 

Newsletter

As “Dancinhas de Tik Tok” são inimigas da dança profissional?

Os avanços tecnológicos e suas devidas popularizações presenciadas desde o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 se.

LEIA MAIS

Música de Cazuza e Gilberto Gil também é um filme; você sabia?

“São sete horas da manhã   Vejo o Cristo da janela   O sol já apagou sua luz   E o povo lá.

LEIA MAIS

Uma breve leitura dos festivais de ontem e de hoje

Nesta manhã de quinta-feira, dia 22 de março de 2017, acabei de ler o livro “Tropicália – A história de.

LEIA MAIS

A nossa relação com os livros 

Como diz um autor anônimo, “a leitura nos traz amigos desconhecidos”, e de alguma forma inesperada constrói essa relação “leitor.

LEIA MAIS

CONTO: O Desengano do Rock Star Paulistano (Gil Silva Freires)

Tinha uma guitarra elétrica, canções e sonhos na cabeça. A paixão de Alécio pelo rock and roll era coisa herdada.

LEIA MAIS

Streaming gratuitos: filmes, séries, novelas, jornalismo, entretenimento e educação

Com o crescimento do acesso à internet e a popularização das smart TVs, inclusive com modelos mais robustos, como uma TV.

LEIA MAIS

O Ventania e suas ventanias – A irreverência do hippie

(Todas as imagens são reproduções de arquivos da internet) A ventania derruba árvores, derruba telhas, derruba vidas. Mas a verdade.

LEIA MAIS

“DO MEU LADO” – Curta de 2014 dirigido por Tarcísio Lara Puiati

Eu descobre esse cura por acaso mas recomendações do YouTube. Acredito que por conta do meu interesse em curtas metragens.

LEIA MAIS

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

Criador do estilo “punk-barroco” (o punk que se expressa através de contrastes), o compositor Rogério Skylab (1956 -) é um.

LEIA MAIS

[RESENHA] A literatura brasileira é seca, é úmida, é árida, é caudalosa.

            Desde a civilização mais antiga, a vida humana é orquestrada pelas estações do ano.  No poético livro “bíblico de.

LEIA MAIS