21 de setembro de 2026

Leia o romance e espere a perturbação com o final! – Resenha de “A PAREDE” de Arlete Nogueira da Cruz

Arlete-noguera-foto-francisco-silva

 

Leia o romance e espere a perturbação com o final! – Resenha de “A PAREDE” de Arlete Nogueira da Cruz

Caio Carvalho

 

O romance A Parede da maranhense Arlete Nogueira da Cruz narra a inquietante história de Cínzia, adolescente que mora com os pais na cidade de São Luís. Cínzia é uma garota de baixa condição social, que a priori é dedicada a seus estudos, e se vê tentada a pertencer às classes sociais mais prestigiadas, alimentando um desejo pelo poder, de fazer parte da alta sociedade e começa a produzir um jogo de mentiras para omitir sua condição pobre. Cínzia chega a simular morar em uma casa adiante à sua, em um bairro nobre, para suas amigas.

Certo dia, a garota se depara com a notícia de que seu pai enriquecera, pois possuía uma herança no banco e resolvera movimentar seu capital. Então Cínzia se vê realizada: ora, antes precisava fingir pertencer à alta sociedade, agora não mais. Dado momento, no colégio de Cínzia, o Santa Teresa, surgem comentários de que a adolescente é adotada, fato que a deixa um pouco inquieta. Enquanto esses comentários reverberam entre seus colegas, a protagonista percebe que algumas meninas pobres de sua escola se mostram irritadas com ela, há certo repúdio à mesma. Porém Cínzia não se importa com os mal­-olhares.

A personagem central continua sua vida em festas sociais, porém agora, com um incentivo maior por parte de seus pais. Cínzia conhece uma garota chamada Luísa e se encanta com suas características, seu olhar – que quando se depara com ele, a dama da sociedade fica inquieta, como se Luiza soubesse algo sobre ela. Luísa é uma das meninas de classe social baixa que repudia Cínzia, e esse repúdio começa a atormentá-la.

Aos poucos, a protagonista da história perde o interesse por eventos da sociedade, porém por convenção, vai à um aniversário de uma amiga. Chegando lá, percebe que Luísa também se faz presente. Inquieta, Cínzia procura uma forma de falar com Luísa, uma palavra que fosse, contudo não tinha coragem suficiente, e quando se dispôs a fazê-lo, já não a encontrara na festa.

A menina se martiriza quando pensa em Luísa, se constrange diante de suas próprias indagações: por que essa repulsa? O que eu fiz? Pensava a menina. Tenta de todas as formas aproximar-se, mas há uma barreira, uma parede entre as duas. Então o inevitável acontece: o encontro entre as duas.

ALERTA SERÍSSIMO DE SPOILER NESSA RESENHA!

Luísa começa o diálogo indagando Cínzia sobre seus pais, se não importava em saber quem realmente são, se não inquietava em saber quem realmente é, e fica claro que a repulsa é causada porque Cínzia não se conhece, por causa de sua soberba, por não absorver a sua real identidade, pois antes se fazia rica sendo pobre, e agora se mostra displicente quanto à seu verdadeiro sangue.

Cínzia investiga sobre sua origem, confronta seus pais e uma vizinha e descobre que foi abandonada na porta de casa ainda bebê, e fica com a inquietação se é irmã de Luísa ou não, certeza que ela nunca terá.

Às vezes somos “Cínzias” em nossa vida, não querendo aceitar o que somos, tentando colocar um elefante num corpo de um gato, em vão. O que nos resta refletir é se o que somos não merece ser visto, se buscamos um status que de nada valerá e se é realmente necessário construir paredes por causa de nossas mazelas humanas.

 

PicsArt_04-01-01.45.22

Caio Carvalho, Graduando de Letras – Português e Literaturas, UEMA
Pesquisador de Memória e Espaço na Literatura do Grupo LITERLI (PIBIC)

 

 

 

 

 

 

Bethânia só sabe amar direito e Almério também (Crítica de Fernanda Lucena sobre o single

O mundo acaba de ser presenteado com uma obra que, sem dúvidas, nasceu para ser eterna na história da música.

LEIA MAIS

Música Machista Popular Brasileira?

A música, diz a lógica, é um retrato da realidade de um povo. É expressão de sentimentos de um compositor,.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Por que o rock deixou o mainstream brasileiro? (com Dorf)

As novas gerações se assustam quando escutam que o rock já protagonizou o mainstream brasileiro. Não à toa. Atualmente, o.

LEIA MAIS

Queriam vê-lo como um monstro, morto ou perdido no crime; e GU1NÉ os respondeu com

“Nasce Mais Um Monstro”, o EP de estreia do rapper GU1NÉ, é também uma resposta aos que não acreditaram nele..

LEIA MAIS

Curso Completo de História da Arte

Se você está pesquisando por algum curso sobre história da arte, chegou no lugar certo! Aqui nós te apresentaremos o.

LEIA MAIS

Streaming gratuitos: filmes, séries, novelas, jornalismo, entretenimento e educação

Com o crescimento do acesso à internet e a popularização das smart TVs, inclusive com modelos mais robustos, como uma TV.

LEIA MAIS

As tradições culturais do Pará e de Minas Gerais se encontram na banda Tutu com

Bruna Brandão / Divulgação Apesar do disco de estreia ter sido lançado em novembro de 2021, a banda Tutu com.

LEIA MAIS

Damião Costa: a pintura como morada do instante

O artista Damião Costa (São Vicente, RN, 1987), desde a infância, quando os olhos se detinham nos leilões televisivos de.

LEIA MAIS

Maria do Santíssimo e o seu caleidoscópio das coisas modestas

O  tempo farejou a fábulacontaminou-a. Projetou-atalhada à sua própria imagem.                 Henriqueta Lisboa 1. Maria Antônia do Santíssimo (São Vicente, 1890-1986).

LEIA MAIS

A literatura feminina e os seus desafios

LITERATURA FEMININA: Eu fiquei sem escrever algo concreto por dois meses. Um bloqueio talvez ocasionado pelo meu anseio por coisas.

LEIA MAIS