4 de junho de 2026

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não nasceu pra surfista, Adalberto não havia nascido nem pra catar conchas na areia da praia.

Pra ele aquelas ondas indo e vindo, indo e vindo, indo e vindo na inspiravam a mínima confiança. Ainda mais pra um sujeito como ele, que ficava péssimo de sunga e, pior, nadava tanto quanto uma bigorna.

Ele preferia ficar em São Paulo, curtindo os feriados ali mesmo no Grajaú, onde não havia aquela água salgada horrível e o constante risco de se afogar. Os outros que enfrentassem sozinhos os tubarões.

– Oceano, pra mim, só na televisão – Adalberto dizia. – Prefiro ficar aqui, com a casa só pra mim, tomando minha cervejinha.

Toda a família havia viajado pro litoral e Adalberto combinou com uns amigos – também desapegados à praia – uma festinha particular. Às dez horas eles chegariam, acompanhados de algumas garotas devidamente contratadas.

Como o Sol começava a cair, Adalberto bebeu a saideira e foi pra casa. Tomaria um longo banho e relaxaria até que chegasse a hora do “vamos ver”.

Entrou no banheiro tropeçando nas próprias pernas e cantarolando um pagode. Ligou a torneira e deixou a banheira encher. Foi até a cozinha e pegou mais uma cerveja na geladeira, para tomar enquanto se refrescava na segurança de seu banheiro. Entrou na água com a garrafa de cerveja na mão e emergiu confortavelmente até o peito. Ficou ali, pensando nas safadezas de logo mais e tomando cerveja pelo gargalo.

A cerveja na cabeça foi dando sono e Adalberto acabou adormecendo na banheira cheia. Deslizou, deslizou e afundou. Acordou assustado, pensando estar no meio de um pesadelo marítimo. Ao tentar levantar-se, escorregou e caiu, batendo a cabeça na borda.

Afundou de novo e morreu afogado ali na banheira, onde não tinha tubarão, mas também não tinha salva-vidas.

Escrito por Gil Silva Freires em 19/02/1996

Gabriel Gabrera e sua aliança com o blues

O mineiro Gabriel Gabrera é de afinidade indiscutível com o blues, gênero musical que conheceu muito novo, e nele permanece.

LEIA MAIS

Tim Maia em 294 palavras

Ícone do pop nacional, Tim Maia nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, em 1942. Antes do sucesso,.

LEIA MAIS

Grata à Deus, Marcia Domingues lança a canção “Feeling Lord”

“Feeling Lord” é a nova canção autoral da cantora e compositora paulistana Marcia Domingues. Com letra em inglês, ela revela.

LEIA MAIS

Literatura: uma viagem literária (Clarisse da Costa)

Em se tratando de literatura posso dizer que ela é assim como a vida, uma caixinha de surpresas. A literatura.

LEIA MAIS

Existe livro bom e livro ruim?

Muitos já me perguntaram se existe livro bom e ruim, eu costumo responder que depende. Se você leu um livro.

LEIA MAIS

Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, é inspiração do também Bernardo Soares, cantautor do “Disco

Olá! Eu sou Bernardo Soares, um artista da palavra cantada, compositor de canções que atua a partir de Curitiba, no.

LEIA MAIS

A invisibilidade da mulher com deficiência física (por Clarisse da Costa)

Eu amei o tema da redação da prova do ENEM de 2023: Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho.

LEIA MAIS

Produzido por alunos do ensino público, Jornal PUPILA CULT está disponível em plataforma digital

Jornal PUPILA CULT é uma realização da OFIJOR – A Oficina de Experiência Prática de Jornalismo (OFIJOR) é um projeto social,.

LEIA MAIS

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não.

LEIA MAIS

Uma breve leitura dos festivais de ontem e de hoje

Nesta manhã de quinta-feira, dia 22 de março de 2017, acabei de ler o livro “Tropicália – A história de.

LEIA MAIS