Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 289ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.
Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.
Monkey the dog – ‘I WANNA’ – (Espanha)
– Qual a melhor descrição deste lançamento, qual sua mensagem? Em um nível lírico, desenvolve uma paisagem metafísica e onírica, levando o ouvinte às profundezas de seu ser.
– Quais estéticas musicais há nesta música? Esta música mistura diferentes estilos musicais, começando com um ritmo eletrônico, fundindo-se com essências de melodias bumbop e pop.
– E o que originou a composição? A composição se origina de três artistas que queriam experimentar e misturar diferentes gêneros entre si, com o desejo de transmitir uma mensagem metafórica e reflexiva sobre a vida atual.
– O que esse lançamento diz sobre o seu país, a Espanha? Acreditamos que em um contexto como o espanhol, a música pode ser relevante, pois transmite uma mensagem de busca interior e, nestes tempos turbulentos, queremos passar uma mensagem de reflexão.
Respostas Monkey the dog
Colors In Motion – “Lonely Nights” – (Alemanha)
– Qual é o melhor resumo desta música? “LONELY NIGHTS” é uma faixa instrumental muito comovente. As agradáveis guitarras de fundo do renomado guitarrista canadense Bill Joseph Flynn e o suave saxofone soprano são cruciais para a faixa relaxante. Um som raro dos anos 80 também é usado aqui: a impressionante “flauta Shakuhachi” (flauta de bambu japonesa). Esta flauta de bambu tornou-se mundialmente conhecida em 1987 com o sucesso global “Sledgehammer“, de Peter Gabriel.
– O que inspira esta música? O título reflete como eu me sentia. Eu queria produzir uma música relaxante, mas que pudesse ser tocada no rádio. No início, eu só tinha essas cinco notas
para o saxofone soprano. Depois de um curto período, não consegui tirar essa pequena melodia da cabeça e fiquei tão inspirado por ela que trabalhei na música até tarde da noite no meu estúdio. Muitas das músicas de ” Colors In Motion ” são muito emocionais.
– Enfim, qual o tema dela? Não há um tema específico. A música tem como objetivo relaxar o ouvinte e tocá-lo agradavelmente durante esses momentos difíceis. O ouvinte deve mergulhar no mundo musical emocional de ” Colors In Motion ” por 3:35 minutos.
– Musicalmente, o que você explorou nesta música? Será que eu conseguiria produzir uma balada instrumental tão agradável e se as rádios gostariam dessa música, apesar da “flauta shakuhachi” dos anos 80, e a tocariam em suas rádios? O som abafado da guitarra nos versos também lembra muito a música “The Living Years”, de “Mike and the Mechanics“, de 1988. Essa foi a minha época! Eu queria saber se ela poderia ser combinada com os sons atuais e os antigos.
– É possível estabelecer uma ligação dessa música com o seu país, a Alemão? Infelizmente não. Eu componho e produzo o que sinto no momento.
O sentimento desta música definitivamente não é alemão. Na Alemanha, as pessoas são mais duras, mais teimosas ou mais recatadas. – O sentimento de “Lonely Nights” é mais adequado à Califórnia, a Venice Beach, onde as pessoas são sempre muito relaxadas. Já estive lá várias vezes em turnês. É realmente muito relaxante. Assim como o título “Lonely Nights” de ” Colors In Motion “.
Respostas de Curtis McLaw, produtor e compositor de Colors In Motion.
El Bando – “Jungle Juice” (feat. El Duende Raulin, Doble 9, Alejandro Cuello Herrera & Ezakossa) – (Cuba)
– Qual é a melhor sinopse dessa música? “Jungle Juice” é uma fusão de hip hop cubano e elementos de funk, com uma base sólida de boom bap clássico. É uma faixa poderosa, estilosa e lírica que mantém a identidade de rua de El Bando enquanto explora novas nuances rítmicas.
– O que inspirou essa música? Esta música nasceu inicialmente de uma colaboração entre Ezakossa e El Duende Raulin. A química entre eles, tanto artística quanto pessoal, criou um ambiente muito natural para que esta faixa fluísse. Mais tarde, decidimos incluí-la em “El Bando Returns” porque ela ressoava com a energia do álbum. A principal inspiração foi o vínculo genuíno e a alegria de fazer música com amigos.
– O que a letra diz e qual é a sua mensagem? A letra narra, com ironia e crueza, a primeira vez que El Duende experimentou uma substância e como essa experiência se torna uma história com múltiplas interpretações. O título “Jungle Juice” foi usado de forma lúdica, não por ser o nome da substância, mas como um símbolo do caos, da jornada mental e da desordem que ela gera. É uma história urbana sem filtros, contada com estilo.
– Musicalmente, o que você explorou nessa música? Exploramos o boom bap clássico com uma fusão de elementos funk, mantendo o peso lírico e a estrutura do rap cubano. Não é apenas uma faixa dançante, mas uma peça com groove sutil, textura orgânica e potência bruta. É uma evolução do som de El Bando sem perder o foco nas ruas.
– É possível estabelecer uma conexão entre essa música e seu país, Cuba? Com certeza. Tudo o que fazemos vem de Cuba, na língua, no ritmo e na atitude. Embora essa música tenha influências externas, ela é influenciada pelas nossas raízes, pelo bairro, pelo som da ilha. Representamos Cuba através da evolução, respeitando quem somos e o que estamos construindo.
Respostas El Bando
Martin Music – “You are the One” (Radio Edit) – (Alemanha)
– De uma maneira geral, como você pode definir esse lançamento e o que o inspirou? A música “You are the one” é uma música que escrevi para minha querida esposa.
– O que você canta na música, qual sua mensagem? É sobre o dia em que você encontra sua alma gêmea, seu parceiro para a vida toda.
– Há algo de curioso que você queira destacar? É um dueto para dois. A parte feminina é cantada pela maravilhosa Judith Geißler.
– Por fim, quem é Martins Music? Martin Music é um cantor, compositor e multi-instrumentista alemão. Ele compõe principalmente baladas com piano.
Respostas Martin Music
Signal in the Static – “Frequency Drift” – (Alemanha)
– Qual é a melhor sinopse geral desse lançamento? “Frequency Drift” é uma balada eletrônica de jazz melancólica sobre a conexão que se esvai entre duas pessoas. Usando metáforas de rádio, explora a experiência dolorosa de perder alguém lentamente, não por conflito, mas por uma desconexão gradual — como tentar sintonizar uma estação de rádio que continua a sair do alcance.
– Qual reflexão ou ideia gerou essa música? A música surgiu da reflexão sobre como os relacionamentos modernos podem se deteriorar — não de forma dramática, mas através de uma lenta degradação do sinal. Em nosso mundo hiperconectado, podemos paradoxalmente nos afastar mesmo mantendo contato. A ideia era capturar a dor específica de ver uma conexão significativa desaparecer, apesar dos seus melhores esforços para mantê-la.
– E a letra em particular, o que diz? A letra usa metáforas de rádio/frequência por toda parte: “Sua voz chega em ondas esta noite / Estática beija cada palavra.” Ela narra a jornada de uma conexão clara (“Lembra quando a conexão era clara?”) para tentativas desesperadas de manter contato (“Você pode me ouvir chamando / Através da interferência?”). A ponte apresenta palavras faladas fragmentadas sobre jazz, imitando transmissões quebradas.
– É possível comparar essa canção com outros artistas ou bandas do seu gênero musical? A faixa se situa entre o trip-hop melancólico de Portishead, a eletrônica de jazz moderna de GoGo Penguin e a música eletrônica emocional de James Blake. O estilo de produção ecoa o calor nostálgico de Boards of Canada, mantendo sensibilidades de jazz semelhantes aos experimentos eletrônicos de BadBadNotGood.
– E, por fim, há algo de curioso que você queira destacar? A música apresenta efeitos intencionais de degradação de sinal — os instrumentos literalmente saem e entram da afinação, e os vocais ocasionalmente são cortados no meio da frase, como se fossem transmitidos por equipamentos com falha. Isso não foi um erro de produção, mas uma escolha artística para fazer os ouvintes experimentarem fisicamente a “deriva de frequência” que a letra descreve.
Respostas Signal in the Static

