Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 292ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.
Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.
Sunflower Forum (EUA) x gopent music (Espanha) x Alyssa Jane (EUA)
– Qual é a sinopse geral do lançamento? Eu adoro vibes! Adoro ouvir e criar músicas que te permitam apertar o play e escapar. Essa música é sobre pedalar pela cidade e curtir a vibe.
– Qual reflexão ou ideia gerou essa música? A música foi inspirada no funk dos anos 70. Adoro a confiança e a arrogância da música daquela época. As linhas de baixo suaves e as letras são sempre um sucesso para mim.
– É possível comparar essa canção com outros artistas ou bandas do seu gênero musical? Não tenho nem de longe o talento dessa banda, mas eles são uma grande inspiração para a música que faço. O nome deles é Jungle. Eles fazem muita música inspirada no funk e na discoteca dos anos 70.
– E, por fim, há algo de curioso que você queira destacar? Acho que uma das coisas mais interessantes sobre essa música é que ela reúne pessoas do mundo inteiro se unindo para fazer uma música. Gopent, que é o produtor, é de Barcelona, Espanha. Alyssa Jane mora no Arizona, Toch, o engenheiro, é de Porto Rico, e eu sou do Tennessee.
Respostas Sunflower Forum (EUA) x gopent music (Espanha) x Alyssa Jane (EUA)
Malika La Bendita – “Lejos De Mí” – (Marrocos)
– Qual reflexão ou ideia gerou essa música? Já ouviu falar do Triângulo Dramático de Karpman? Eu vivi dentro dele. Em loop. Até que deixei de le viver.
Aqui vai a história por trás de “Lejos de Mí” Alguns de vocês talvez já conheçam o Triângulo Dramático de Karpman, aquela dinâmica caótica onde uma “vítima” é atacada por um “perseguidor” e espera desesperadamente que um “salvador” venha resgatá-la.Pois é… esse salvador? Era eu.
Em nome do amor e do cuidado, acabei carregando vidas inteiras nas costas, fazendo todo o trabalho emocional pesado e, aos poucos, me perdendo no processo. Vamos deixar uma coisa clara: não existe papel nobre nesse triângulo, especialmente o do salvador. Pode parecer altruísta, mas é profundamente tóxico. Os limites desaparecem. A necessidade de controlar tudo (emoções, resultados, comportamentos, até mesmo a cura do outro) toma conta.
Há dois anos, comecei a encerrar meus padrões de salvadora, graças ao trabalho profundo e às formações que fiz com minha coach e terapeuta da época.
Escrevi “Lejos de Mí” (“longe de mim”) há mais ou menos um ano para captar exatamente essa sensação de poder e libertação, a de sair, finalmente, de todos os triângulos de Karpman nos quais eu estava presa.
– E a letra em particular, o que diz? A letra fala exatamente dessa libertação de padrões relacionais confusos e dramáticos, no meu caso, relacionados ao papel de salvadora. A canção começa com esse ponto de vista antigo, e aos poucos se transforma, ganhando leveza, até alcançar um lugar de consciência e liberdade. É uma celebração dessa emancipação.
– Musicalmente, como você a descreve? É uma fusão entre ritmos urbanos da América Latina e batidas do norte da África. Minha música é cheia de alegria, mas sempre com um toque de melancolia, rebeldia ou consciência social por trás.
– Qual a relação desse lançamento com o seu país, o Marrocos? Nessa música, faço homenagem a um ritmo tradicional do norte da África e do Marrocos chamado chaabi, que aparece no final da faixa. Também canto um trecho em minha língua nativa: o árabe marroquino, ou “darija”.
– E, por fim, há algo de curioso que você queira destacar? Sim! Meu nome é Malika, sou um puro produto do “terroir” marroquino — mas me sinto latina de corazón desde sempre. Tenho a convicção de que o norte da África e a América Latina têm muito em comum. Minha música celebra esse denominador comum: os ritmos afrodescendentes, a alegria, a gratidão, e as pressões socioculturais que ainda pesam sobre nossos ombros.
Ainda não falo português, mas já visitei algumas cidades lindas do seu país maravilhoso — e energeticamente, me senti em casa.
Respostas Malika La Bendita
armadie x Rossa@Adv – “Swallow The Sun” – (Malásia)
– Qual a melhor sinopse geral desse lançamento? “Swallow The Sun” é uma balada emocional e cinematográfica que conta a história de uma mulher presa em memórias e perdas — tudo porque ela teve medo de confessar seus sentimentos à pessoa que amava. A música leva o ouvinte às profundezas da dor de um coração ferido e de um amor não dito, mas carrega um brilho silencioso de esperança que começa a surgir aos poucos. É como uma voz que grita no silêncio, ansiando por ser compreendida… mas que termina com a frase “You never knew me… but I knew you…” — um amor que nunca foi correspondido (um amor não correspondido), simplesmente porque nunca foi revelado.
– O que inspirou a composição? A inspiração vem de uma história real, de mais de 20 anos atrás… Uma garota da faculdade se apaixonou em segredo por um rapaz, mas escondeu seus sentimentos porque era tímida demais e tinha medo de expressar seu amor. Como resultado, ela suportou a dor silenciosa de um amor não declarado, observando-o quase todos os dias com saudade — mas sempre de longe.
“Swallow the Sun” é uma metáfora para o sofrimento profundo que ela viveu, porque seus lábios estavam pesados demais para revelar o que sentia em seu coração.
Só depois de mais de 20 anos é que o rapaz finalmente descobriu, por meio de um amigo da faculdade, que havia uma garota que o amava profundamente… e esse rapaz era EU, o compositor. “Essa música nasceu do meu coração, para ela.”
– Musicalmente, como você descreve a música? A musicalidade mistura o estilo balada cinematográfica com toques de indie-pop melancólico. Tom: Mi Menor (E Minor), com um tempo médio em torno de 70–78 BPM, introduzindo variações para aprofundar o clima dramático, combinando perfeitamente com a natureza emocional e cinematográfica da faixa. A canção é construída sobre pads atmosféricos, vocais emocionalmente próximos (utilizando a técnica ASSU Intimate – desenvolvida por mim), cordas suaves e lentas, além de toques sutis de piano em tom menor e subgraves. Todo o arranjo flui como lágrimas… suave, mas poderoso
– É possível fazer uma ligação entre essa música e o seu país, a Malásia? Eu diria que sim, indiretamente.. porque, como uma pessoa malaia de um país asiático, a maioria, especialmente as mulheres, ainda não é muito aberta quando se trata de expressar o amor. Muitas escolhem guardar os sentimentos para si (embora nem todas). Acredito que isso não seja algo exclusivo da Malásia; histórias semelhantes provavelmente existem em muitas outras partes do mundo também. Pelo menos, essa música oferece um espaço e uma inspiração para dizer: ‘Está tudo bem em sentir-se de coração partido por um tempo, mas levante-se.. e diga à pessoa que você ama o que sente.’ Espero que essa música fale suavemente ao coração das mulheres.
– E, por fim, há algo de curioso que você queira destacar? Esta música é uma expressão sincera do fundo do meu coração, dedicada com carinho às ‘mulheres’ de todo o mundo. Está tudo bem se apaixonar, está tudo bem se você não conseguir expressar seus sentimentos de imediato — mas reúna coragem para se levantar e abrir o seu coração. E se não der certo… siga em frente e continue forte. Todo o processo de gravação — incluindo digitalização, mixagem, masterização e aprimoramento da música — foi feito por mim pessoalmente, usando meu próprio código predefinido chamado ASSU-Intimate (XB), desenvolvido para deixar os vocais claros e emocionalmente presentes.
Ian North – “Cliffs of Portugal” – (Canadá)
– Qual é a melhor sinopse geral deste lançamento? É uma história de perda, mas também de aventura, e também de amor. A descoberta de um “Novo Mundo”, e a perda de um ente querido, contada através de uma história de amor. Enquanto o narrador viaja, ele encontra alguém, mas essa pessoa se esvai e o deixa parado nos penhascos, olhando para o mar. A jornada e o encontro também são uma metáfora para a jornada de uma pessoa pelo mundo.
– O que inspirou a composição? A música foi inspirada por uma viagem a Portugal, ao local descrito, onde o Mediterrâneo e o Atlântico se encontram. É o lugar lendário onde Henrique, o Navegador, rei de Portugal, esteve e idealizou a jornada que levou os portugueses ao Brasil, entre outras coisas. Também foi inspirada pelas pessoas que conheci lá. Além disso, no momento em que escrevo, meu pai havia falecido recentemente, e essa perda também está presente.
– Musicalmente, como você descreve a música? É uma balada folclórica simples com um refrão que tem um tom menor.
– É possível fazer uma conexão entre essa música e seu país, o Canadá? Só que eu era um canadense viajando pela Europa para descobrir raízes e história, incluindo a história dos viajantes que vieram para o chamado “Novo Mundo”.
– E por fim, há algo interessante que você gostaria de destacar? Muitos episódios da música são baseados em eventos reais, incluindo o roubo de uma laranja com alguns amigos de um pomar que passamos em uma estrada perto de Sevilha.
Respostas Ian North
Daitin Skyler – “Escribo Para Voz” – (Uruguai)
– O que você canta? Qual é a sua mensagem? Eu canto o que escrevo, e escrevo para poder me ouvir e ouvir outros que também precisam se expressar. Sou escritor de ficção, e esta música nasceu do desejo de me conectar com aqueles que se identificam com as palavras. Às vezes, na escrita, você encontra a verdadeira voz que quer se manifestar no mundo.
– Qual foi a sua fonte de inspiração? Como surgiu essa música? Ela vem das minhas próprias histórias de vida, misturadas com um pouco de ficção e, claro, da própria vida, que sempre tem muito a contar. “Escribo Para Voz” nasce desse impulso de traduzir sentimentos em palavras e depois em música.
– Fale sobre os músicos que trabalharam com você nesta produção e gravação. Neste projeto, trabalho de forma muito pessoal e meticulosa. Primeiro, concentro-me profundamente nas letras e, em seguida, escolho o estilo musical apropriado. Gravo meus vocais e, utilizando ferramentas avançadas de produção, desenvolvo toda a composição. É um processo complexo que detalho um pouco mais no meu site: www.daitinskyler.com .
– É possível estabelecer uma ligação entre esta música e o seu país, o Uruguai? Com certeza. O Uruguai me inspirou a ser o artista que sou hoje. Considero-me um artista do futuro, caminhando por este mundo, deixando para trás o velho e abraçando o novo, que avança a passos largos. Tudo começou quando escrevi meu livro “250 Habitantes “, publicado com meu nome verdadeiro, Daniel Facal. Depois, compus uma música para o filho de um amigo, um menino de 12 anos diagnosticado com leucemia. Eu queria encorajá-lo. Graças a Deus, ele se recuperou. Transformei aquela letra em música, e foi um sucesso. Gostei tanto do processo que decidi continuar nesse caminho. Assim começou esta incrível aventura musical.
– Há algo interessante que você gostaria de destacar? Sim, eu nunca imaginei que uma música escrita para animar uma criança se transformaria no início de uma carreira musical. Hoje, graças a esse momento, sou Daitin Skyler, uma artista que funde palavras, emoções e sons.
Respostas Daitin Skyler

