Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 295ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.
Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.
Andrew Spice – “Junk” – (Canadá)
– Em que momento surgiu esta composição, o que a inspirou? “With Animals”, meu novo álbum, surgiu em um momento de muitas dificuldades interconectadas na minha vida. Escrevi essas músicas para me ajudar a superar a dor e chegar ao outro lado.
– Qual é o tema da música? Qual é a sua mensagem? O novo single do álbum, “Junk”, é sobre abandonar a medicação psiquiátrica entorpecente para sentir suas verdadeiras emoções novamente.
– Quais aspectos musicais você trouxe para este lançamento? Eu compus todas as músicas e letras, toco piano e canto. Sou grato a todos os músicos talentosos que também tocaram no disco, bem como ao produtor, Matthew Barber, por guiar o processo.
– Como foi o processo de produção musical e gravação em estúdio? As músicas começaram como demos simples que gravei em casa, apoiando meu iPhone no teclado enquanto tocava e cantava. Depois que a equipe musical e de produção dos sonhos foi montada, nos mudamos para a Union Sound, em Toronto, para reunir tudo junto com seu lindo piano de cauda.
– Por fim, há algo curioso que você gostaria de destacar? “With Animals” é meu primeiro álbum em 22 anos. Lancei meu álbum de estreia em 2003 e depois me afastei da música para me tornar psicólogo clínico. Sou muito grato por a música ter retornado à minha vida, juntamente com minha prática contínua como psicólogo.
Respostas Andrew Spice
Midnight Channel – “Celebration” – (Canadá)
– Em que momento surgiu esta composição e o que a inspirou? Escrevi-a ao piano durante um intervalo do meu trabalho como professora de música. Estava a praticar o estilo de acompanhamento que sempre ouvia nos álbuns do Pharoah Sanders e a partir daí criei a progressão de acordes e a melodia.
– Qual é o tema da música? O tema é sobreviver à depressão e aos pensamentos suicidas.
– Que aspetos musicais trouxe para este lançamento? Queria tornar a música o mais caótica possível, mantendo uma melodia simples e reconhecível.
– Como foi o processo de produção musical e gravação em estúdio? Gravamos a música duas vezes, primeiro no início das nossas sessões e depois, mais tarde, no final. Escolhemos a tomada que fizemos no final. Pareceu-me uma ótima forma de encerrar as sessões.
– Por fim, há algo interessante que gostaria de destacar? Também fiz um videoclip para a música com a nossa percussionista Gabby. Provavelmente é mais parecido com um vídeo com letra, mas eu queria que fosse um contraste pacífico com o caos da música.
Respondido por Matthew Erdmann.
Michael Ess – “Mandala in Blue” – (EUA)
– Qual é a melhor sinopse desta música? Esta música é uma interpretação jazz/blues de um canto budista que invoca o nome de Avalokitesvara Bodhisattva — para grande compaixão e grande amor.
– Qual é o tema da música? É um dueto com uma flugelhorn e uma telecaster interpretando os papéis de duas pessoas dançando dentro e fora do ritmo, prestando atenção uma na outra, mas também se expressando plenamente.
– Quais são as suas características artísticas presentes na música? Toquei as partes de guitarra e baixo. Meu parceiro tocou a bateria. Toquei a parte dos instrumentos de sopro primeiro na guitarra, passei o áudio por um conversor MIDI e conectei a um sintetizador de instrumentos de sopro. Em seguida, trabalhamos duro nos arquivos de instrumentos de sopro para que ficassem fiéis ao som de um flugelhorn.
– Conte-nos, quem é Michael Ess? Michael Ess mistura rock progressivo, blues melódico, dream pop e narrativa lírica para criar obras originais. Inspirando-se na introspecção espiritual e na honestidade emocional, sua música explora a complexidade dos relacionamentos modernos, o despertar interior e o poder redentor da graça. Com formação em composição musical e lirismo poético, o álbum de estreia de Michael é uma jornada profundamente intencional pela experiência humana.
– Por fim, qual a conexão dessa música com o seu país, os EUA? Tocamos todos os instrumentos em um estúdio boutique ao sul de Seattle.
Respostas Michael Ess
Bildjan – “Stranger (Dance Mix)” – (EUA)
– O que diz a música e qual o seu conceito?
A música conta a história de um desconhecido se movendo pelas ruas da cidade à noite — uma figura envolta em mistério, iluminada pelo brilho dos postes de luz. Há uma conexão invisível e elétrica entre duas almas, algo sentido em vez de visto.
O cantor é atraído por essa pessoa, cativado por sua presença, mas sombreado pela incerteza. Desejo e cautela dançam juntos — um anseio de se aproximar, de conhecer sua voz, seu nome… mas também o medo do que essa proximidade pode trazer.
É um momento suspenso entre a possibilidade e o perigo — esperando que o desconhecido possa ser gentil, amoroso e encantador… mas temendo que ele possa despedaçar seu mundo.
As letras vivem nessa tensão: a atração da conexão e a dor da hesitação, tudo contra o pano de fundo de uma noite inquieta na cidade
– O que inspirou a composição? Queríamos fazer uma canção com influência pop, com uma melodia super memorável e um refrão cativante, fácil de cantar junto e dançável
A música é experimental, quais gêneros você utilizou?
Tentamos misturar dance pop, com alguns elementos dos anos 80 e 90, junto com alguns elementos modernos
– É possível fazer uma conexão entre essa música e seu país, os EUA?
É possível. É como estar na rua de NYC à noite
E finalmente, há algo interessante que você gostaria de destacar?
Esperamos que todos que ouvirem esta canção sintam aquele lampejo de familiaridade — como se fosse uma memória que você já viveu antes.
Quando a escrevemos, imaginamos andar por uma rua escura da cidade à noite, o ar cheio de energia. Há uma atmosfera emocionante ao seu redor — luzes de néon, o zumbido da cidade e uma conexão silenciosa entre estranhos que passam.
É uma mistura de emoções: curiosidade, cautela e esperança. Abaixo de tudo isso, há um calor… a sensação adorável de se perguntar se a pessoa com quem você acabou de cruzar o olhar poderia ser algo bonito em sua vida.
Respostas Bildjan
Jont – “Walk Right Through” – (Canadá)
– Em termos gerais, resumidamente, como você descreve este lançamento? Às vezes, você simplesmente se orgulha muito de uma música. Parece algo que você ainda tocará muitos anos depois, seja em um show ou quando pegar o vinil e colocar para tocar para seus netos… É assim que me sinto em relação a esta música. As pessoas se sentem confortáveis com ela. Quase todo mundo que a ouve a acha especial
– Qual é a mensagem da música? Ah, assim como todas as minhas músicas, que você é eu e eu sou você. Mas, neste caso, está envolto em uma história sobre um pai e um filho e uma canção sagrada que é contra as regras da sociedade cantar. É como um episódio de Black Mirror produzido por Daniel Lanois.
– O que inspirou a composição? O chamado de acasalamento do Koel do Norte da Ásia (é uma ave muito comum na Tailândia, onde eu estava quando escrevi a música).
E a experiência de cantar canções no final de cerimônias xamânicas, quando o espírito está cantando através de você e você solta o leme e ele dirige.
– Podemos estabelecer alguma conexão entre essa música e o seu país, o Canadá? Nunca houve nenhuma conexão comprovada, não.
– Por fim, há algo interessante que você gostaria de destacar? Meus gatos adoram. Quando toca, eles sempre rolam de costas e colocam as patas para cima. Pode nunca chegar ao topo das paradas, mas é um sucesso total com eles.
Respostas Jont
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