27 de junho de 2026

“CONTRAVENTOR”, um rock catarinense para pensar a ética e a moral à partir de um delator

O projeto catarinense ISOFÔNICOS lançará no final do ano o álbum “MÁFIA”, que terá as tipificações penais como temas. As faixas serão escolhidas entre os singles lançados ao longo do ano, e a estreia é com a música “CONTRAVENTOR”, lançada nesse 24 de janeiro. A canção usa a delação e atos ilícitos para dialogar com questões como hipocrisia, justiça, moral, ética. A letra, então, pode ser interpretada sob várias perspectivas e eu líricos. A sonoridade pode ser comparada com bandas como Rolling Stones, Jupiter Maçã, Oasis e The Doors. 

Gustavo Tayer, o músico por trás do ISOFÔNICOS, desenhou termos e frases com profundidade, a partir de uma linguagem reflexiva, crítica e sarcástica. Em sua concepção original, o personagem de “CONTRAVENTOR” pratica atos ilícitos, sem descrição de quais exatamente. Dado momento, passa a delatar outros criminosos por meio de confissões em troca de benefícios pessoais, se tornando delator. Assim, o personagem se dispersa dos seus problemas legais. 

“Isso reflete uma crítica ao sistema que muitas vezes premia o traidor enquanto outros permanecem na punição. Há um tom irônico implícito: resolveu, mas à custa da confiança e da lealdade.”, diz o compositor. “É uma crítica à falta de ética dentro da ilegalidade, onde até os ‘parceiros de crime’ não são confiáveis. Também pode ser interpretado como uma ironia sobre o uso da delação como uma forma de resolver problemas, especialmente no contexto de corrupção ou acordos judiciais.”.

Com isso, o personagem da música está “majorado”, ou seja, alguém que subiu de status ou conseguiu um benefício maior por sua delação. “Já a palavra ‘idolatrado’ é uma ironia a forma como a sociedade ou o sistema pode exaltar quem colabora, mesmo que isso seja moralmente questionável. É uma crítica ao glamour dado a quem ‘joga o jogo’ do sistema, seja legal ou ilegal.”, contou ISOFÔNICOS.

Por fim, ISOFÔNICOS pontua outras reflexões: “Trata de expectativas versus realidade, e como nem sempre as coisas saem como planejamos, especialmente se envolvem atalhos ou falta de honestidade. A repetição do verso ‘nem tudo vai brilhar’ reforça a ideia de que o sucesso não é garantido. Essa letra tem uma pegada bem reflexiva e crítica, misturando temas como justiça, ética e a busca por sonhos. Parece trazer uma mensagem sobre manter a integridade e evitar erros que possam comprometer o futuro. A repetição de outro verso, ‘É só não dar bandeira’, reforça a ideia de cautela e sabedoria nas escolhas.”

“CONTRAVENTOR” tem vocal, guitarra base e composição de ISOFÔNICOS, artista com mais de duas dezenas de faixas lançadas, muitas delas apresentadas no Estúdio Show Livre (2021) e em diversos programas locais de Santa Catarina. A produção musical, baixo e bateria é de Schattschneider e a guitarra solo de Diro. A música está disponível em todos os streamings de áudio e no Youtube.

Letra

Espere a hora não vá embora

Não julgue meu irmão

Aquela raiva já foi embora

Era apenas emoção

Só pra lembrar, não vai bajular

Não vale roubar, não vale matar

Nem tudo vai brilhar

Como você sonhou

Você sonhou

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

Sonegou o que ganhou

Declarou o que roubou

Mas nem tudo vai brilhar

Como você sonhou,

Você sonhou

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

Que tua vida só vai decolar arráaaaaaaa

Só pra lembrar, não vai bajular

Não vale matar, não vale roubar

Nem tudo vai brilhar

Como você sonhou

Você sonhou

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

Contraventor a delator

Já se resolveu

Já majorado idolatrado

Nem recorreu mas…

Nem tudo vai brilhar como

Você sonhou…

Você sonhou

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

É só não dá bandeira

Tu vai ver que a vida,

Só vai decolar arraaaaaaá

Ficha técnica

Gustavo Tayer – Música, vocais e guitarra base

Diro – Guitarra Solo (feat)

Schattschneider – Produção, baixo e Bateria

Capa – João Guilherme Andrey Tayer

Siga ISOFÔNICOS

Instagram – TikTok – Facebook – Spotify – Deezer

FAROL DE HISTÓRIAS – Projeto audiovisual que aproxima crianças da leitura

Para Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon, a literatura tem seu jeito mágico, prático e divertido de chegar às crianças brasileiras..

LEIA MAIS

Se eu gritar, ninguém vai me ouvir – lançando música em 2024

A Revista Arte Brasileira me convidou para compartilhar a experiência de lançar meu primeiro álbum, o independente “Falha Luz”, que.

LEIA MAIS

CONTO: O Flagrante No Suposto Amante (Gil Silva Freires)

Eleutério andava desconfiado da mulher. Ultimamente a Cinara andava de cochichos no telefone e isso e deixava com uma pulga.

LEIA MAIS

RESENHA: Curta “Os Filmes Que Eu Não Fiz” (parte 1)

Este artigo é dividido em três partes. Esta é a primeira, intitulada por seu resenhista Tiago Santos Souza como “EU”,.

LEIA MAIS

Bersote é filosoficamente complexo e musicalmente indefinido em “Na Curva a Me Esperar”

A existência é pauta carimbada na música brasileira, como apontamos nesta reportagem de Jean Fronho (“Tom Zé já dizia: todo.

LEIA MAIS

Ancelmo: todas as rodagens iam em direção à arte

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce o sol, e põe-se o sol,.

LEIA MAIS

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

A Via Dolorosa de Iaperi Araujo Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce.

LEIA MAIS

MÚSICA CAIPIRA: Os caipiras de 1962 ameaçados pela cultura dos estrangeiros

Em 1962, Tião Carreiro e Carreirinho, dois estranhos se comparados ao mundo da música nacional e internacional, lançavam o LP.

LEIA MAIS

Fábio Di Ojuara: umas tantas facetas de uma obra multiforme

Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. – E acheia-a amarga. E injuriei-a.Armei-me contra a justiça.Fugi. Ó feiticeiras, ó.

LEIA MAIS

Rodrigo Tardelli, um dos destaques das webséries nacionais

Divulgação Por mais que nossa arte seja, muitas vezes marginalizada e esquecida por seus próprios conterrâneos, há artistas que preferem.

LEIA MAIS