5 de setembro de 2026

Literatura: espaço de fala

O livro é uma estrada livre sem muros. São vivências, inúmeras histórias, pensamentos lógicos e situações ilógicas.  

Como escritora, eu vejo os livros como um espaço de fala para muitas pessoas excluídas pela sociedade. E digo isso também como mulher preta que está no seu papel de ativista e militante. O meu papel é dar ênfase à literatura afro-brasileira como também estímulo à literatura feminina.  

Eu estou sempre conectada com a minha negritude, formando parcerias com pessoas ativas na luta como William Félix, Samuel da Costa e Cedric de Oliveira Felipe. 

William Felix é formando de histórico conselheiro tutelar entre 2016 a 2020, 

Coordenador de igualdade racial em Nova Santa Rita no Rio Grande do Sul entre 2022 a 2025, presidente da escola de samba Estado Maior de Morretes, ativista do Coletivo Reforma Preta, escritor ativo natural de Porto Alegre no Rio Grande do Sul.  

Samuel da Costa é natural de Itajaí, funcionário público municipal, estudou Publicidade e Propaganda na Univali; formado em letras, com ênfase em literatura, pela Uniasselvi de Balneário Camboriú, militante dos movimentos: negro, sindical e estudantil. Membro do conselho editorial da revista O Estilingue. Lançou os livros: Horizonte vermelho (de poesias); Uma flor chamada margarida (poesias e contos); Século XX (novelas e contos) e Solaris lV (poesias) e Hiper-grafia (poesias). 

Cedric de Oliveira Felipe é da cidade de Jacareí, no interior do estado de São Paulo, trabalha em serviços gerais. É rapper, escritor e compositor. Cedric têm diversas participações em eventos do Hip hop como o famoso evento São Bento no centro de São Paulo e atuante em antologias pela Editora Contos Livres. Tem poesias declamadas na rádio Web Rádio Benites na voz do locutor Pedro Benites, na cidade de São José em Santa Catarina.  

Nessa caminhada estou sempre buscando diariamente me conectar com as minhas origens, com o solo sagrado manchado de sangue onde o nosso país renega a sua própria história.  

Entrar em temas fortes faz com que tenhamos o nosso espaço de fala, onde a nossa africanidade é um rito de passagem para uma luta justa e humana.  

Nós somos a “África brasileira”. Por que não abrir espaço para a literatura afro-brasileira? Elaborar projetos como Africanidade e Lutas, Africanidade Feminina e África e suas histórias, só vêm abranger todo o cenário cultural desse país. Claro que nada se faz sozinho eu tive e tenho o apoio da Editora Contos Livres o que me faz continuar nessa luta aproveitando os espaços.  

Contudo, enriquece o nosso conhecimento em vários aspectos, trazendo a importância de se resgatar através de um escritor ou escritora negra, a verdadeira história.  

A literatura afro-brasileira é um cenário pouco explorado e incentivado no Brasil.  

Através da literatura afro-brasileira a nossa história pode ser contada de forma correta pelo nosso próprio ponto de vista e uma linguagem que reproduz a nossa realidade. 

Indo bem mais a fundo nesse contexto podemos ver que o espaço é limitado para nós mulheres. O sistema oprime as vozes femininas, ainda podemos ver países negando às mulheres o direito de se expressar e se educar através do conhecimento. Quantas escritoras pelo mundo estão com seus sonhos engavetados?  

A literatura feminina explora temas e perspectivas únicas, na sua maioria experiências relacionadas às suas vivências na sociedade. Não pense que é uma escrita melosa e romântica, muitas mulheres vão além dos estereótipos recebidos. É uma literatura rica que aborda assuntos como relacionamentos, empoderamento, maternidade, sexualidade, identidade, opressão e tantos outros assuntos. 

É um passo grande estar nesse caminho e ver outras mulheres chegando junto comigo. É desafiador para toda a comunidade negra.  

Artigo de Clarisse da Costa escrito em maio de 2025

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