11 de junho de 2026

A natureza agradece a canção “Injustiça Climática”, enquanto o mercado desenfreado a detesta

Lançada neste 15 de janeiro, a música é uma colaboração bem elaborada, mas de caráter popular, entre o cantautor/pesquisador Ricardo Marques e o mestre multi-instrumentista Luiz Caldas. Ailton Krenak e Jonas Samaúma são peças cruciais deste manifesto musical em favor da saúde planetária

No despertar de 2026, quando os ecos das discussões globais da COP30 ainda reverberam,  surge uma obra que se recusa a deixar o tema da sobrevivência ambiental esfriar. No dia 15 de janeiro, chegou às plataformas digitais o single “Injustiça Climática”, uma colaboração monumental liderada pelo cantautor e pesquisador Ricardo Marques e o mestre multi-instrumentista Luiz Caldas, com as participações fundamentais de Ailton Krenak e Jonas Samaúma. Mais que uma canção, a faixa é um manifesto sonoro que questiona o modelo de consumo atual e reafirma a urgência de nos entendermos como parte indissociável da natureza.

A obra nasce de um encontro inusitado, mas profundamente necessário, entre diferentes brasis. De um lado, Ricardo Marques, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente e grande conhecedor das questões de sustentabilidade; de outro, Luiz Caldas, um ícone da música popular brasileira que, nos últimos anos, tem reafirmado sua maestria nos gêneros de raiz, com indicações consecutivas ao Grammy Latino. A esse diálogo somam-se as vozes de Ailton Krenak, que dispensa comentários: filósofo, escritor e o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras; e do poeta Jonas Samaúma, cujas trajetórias são dedicadas à defesa dos povos originários e à preservação da vida.

Musicalmente, “Injustiça Climática” é uma jornada sensorial que transita entre a sofisticação do instrumental clássico e a força telúrica dos elementos indígenas. A sonoridade evoca a profundidade de Elomar Figueira e Xangai, misturando o rigor do violoncelo do Maestro João Omar à percussão de Emílio Bazé, criando uma atmosfera que remete aos rezos xamânicos e à força da canção de protesto de nomes como Chico César e Geraldo Azevedo. É uma peça onde a técnica apurada serve à mensagem, e o arranjo orgânico convida à reflexão profunda.

A letra, composta por Krenak, Samaúma e Rodrigo Quintela, é um alerta contundente sobre as fissuras do sistema atual. Ao cantar que “O amanhã não está à venda” e que “Estamos na mesma canoa”, os artistas lembram que a natureza não é mercadoria, mas nossa própria essência. A faixa faz referência direta aos desastres climáticos recentes e à “confusão” do tempo, onde o ciclo natural é atropelado pela máquina do lucro. É um grito de resistência que busca transformar a angústia da emergência climática em “bombas de poesia”, como definem os próprios artistas.

Para Ricardo, este lançamento marca um posicionamento crucial em sua trajetória como cantautor. A escolha de lançar a canção logo após a COP30 sublinha o compromisso do grupo em manter o debate vivo: a sustentabilidade não pode ser um evento sazonal, mas uma prática constante e uma mudança de paradigma mental.

“Injustiça Climática” é o primeiro passo de um projeto maior: um álbum previsto para o primeiro semestre de 2026, focado em temas reflexivos e na defesa dos direitos indígenas. O encontro entre poetas, um ícone popular e pesquisadores resulta em uma obra que desafia classificações de gênero, buscando, acima de tudo, sensibilizar o ouvinte para a ideia de que “sem a natureza, vamos acabar”.

Letra

“INJUSTIÇA CLIMÁTICA” (Jonas Samaúma- Ailton Krenak – Rodrigo Quintela)

Kopenawa avisou será que ninguém ouviu 

O dia não veio azul e no rio grande do sul 

De repente o céu caiu 

A terra é nossa mãe e não mercadoria 

O tempo está confuso o galo acorda meio dia 

O amanhã não está à venda é preciso que se entenda 

Pra sairmos dessa fria 

Estamos na mesma canoa quem percebe ela afundar 

A vida é só na terra não existe outro lugar 

A conjuntura é dramática a injustiça é climática 

Somos todos natureza sem ela vamos acabar 

Somos todos natureza sem ela vamos acabar 

Somos todos natureza sem ela vamos acabar 

Somos todos natureza sem ela vamos acabar 

Ficha Técnica

Injustiça Climática 

Compositores: Ailton Krenak, Jonas Samaúma e Rodrigo Quintela 

Cantam: Ricardo Marques e Luiz Caldas 

Participação especial: Ailton Krenak e Jonas Samaúma 

Violões – Clériston Cavalcante 

Violoncelo – Maestro João Omar 

Percussões – Emílio Bazé 

Técnicos de áudio – Luciano PP, Pejota e Abnner Keys 

Produção musical – Nagib Barroso  

Siga os artistas e fique de olho nos próximos lançamentos 

Instagram: Ricardo Marques – Luiz Caldas – Ailton Krenak – Jonas Samaúma 

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