13 de janeiro de 2026

Lupa na Canção #42 – Coletânea de lançamentos da nova música brasileira

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Bem vindos ao Lupa na Canção!

Esta é uma lista de novidades lançadas recentemente, de diferentes temáticas e gêneros musicais. Dificilmente você verá no Lupa canções do mainstream. A ideia é apresentar com uma “lupa” coisas novas e alternativas aos grandes sucessos, afinal é este uma das missões da Revista.

É importante ressaltar que as posições são aleatórias, não indicando que uma seja melhor que a outra.

Alexandre França compõe para as ruas na bossa “Rua XV”

Qual a melhor descrição dessa música, seu conceito geral?

“Rua XV” é uma canção fantasma para uma rua povoada de histórias.

O que especificamente você diz na letra da música, e qual sua mensagem?

Acredito que o centro de qualquer cidade possui os seus fantasmas (histórias, demolições, abandonos, nascimentos, mortes etc) que, de alguma maneira, determinam a dinâmica social expressa pelos seus habitantes. No caso da Rua XV, aqui de Curitiba, as lojas femininas, os cafés e as confeitarias dão uma espécie de tonalidade para os encontros e despedidas. Eu me sensibilizo muito quando passo por lá (principalmente, por me lembrar da minha infância e juventude). Essa canção fala, de uma maneira lúdica, sobre esse aspecto da rua – através de um animismo de suas formas (os sinais, a calçada “sentindo”, os faróis piscando, a confeitaria que vai abrir). Foi minha forma de homenagear a XV e expressar também minha nostalgia.

– O que originou a composição?

Fiz a canção em um período de mudança, quando estava retornando a Curitiba (na época, morava em São Paulo) durante o período pandêmico. Meu retorno à cidade foi minha grande inspiração.

– Há algo de curioso sobre o lançamento que você queira destacar?

Sim! A canção faz parte de um conjunto que intitulei “Canções para afastar o mau-olhado”. Todas elas versam sobre questões ocultas, misturadas às angústias do dia a dia. Já foram lançadas, “O som do SAMU”, “Satanáries” e agora “Rua XV”. Em abril, devo lançar mais uma: “O anti-amor”, com participação da cantora e compositora Nati Bermúdez. Considero “Rua XV” a mais fantasmagórica delas todas.

 – Quem é o artista Alexandre França?

Sou uma pessoa que escreve, compõe, canta e dirige. Mexo com música, mas também com teatro e literatura. Sou curitibano do ano de 1982. Gosto de pensar que faço arte para me conhecer melhor, conhecendo também os outros e o mundo. Sou muito ligado aos vínculos que estabeleço na vida, embora seja sozinho a maior parte do tempo. Por meio desses vínculos, procuro compor e mobilizar o meu público. Tenho quatro álbuns gravados. Gosto de focar no que estou fazendo agora. O presente, pra mim, é o mais caro dos tempos.

Respostas de Alexandre França

Série “Black Mirro” é o estágio inicial da nova música da banda de metal Hammathaz

Em resumo, qual a definição da música em geral? – 

Thales Statkevicius: “Erased” é uma faixa cheia de riffs pesados e um refrão épico e memorável. 

O que você diz na letra, qual sua mensagem?

Fernando Xavier: Falamos de como a negligência do ser humano tem gradualmente interferido em nosso convívio, seja com nós mesmos em escolhas erradas, ganância, falando em evolução não pensando em consequências disso,e com o nosso meio ambiente,levando a um fim trágico e sem volta. 

 E o que originou a composição?

Fernando Xavier: A letra de “Erased” foi fortemente influenciada por episódios da série “Black Mirror”. Acredito que tenha sido o estalo inicial dessa ideia.

Musicalmente, como você a descreve? – 

Thales Statkevicius: Para nós da banda existe o Hammathaz pré e pós “Erased”. Digo isso pois ela mudou muita coisa para nós. O nosso sentimento de liberdade na composição, a sensação de estarmos externalizando a música que está dentro de nós sem se preocupar ou se apagar em gênero, estilo… A gente sempre teve muita insegurança em criar músicas com vocais melódicos no Hammathaz. Mas parece que fluiu muito naturalmente depois da “Erased”.

Quem é, afinal, a banda Hammathaz? 

Thales Statkevicius: O Hammathaz é essa entidade que, ao longo de seus 22 anos passou por transformações em todos os aspectos. Estilo, formação e objetivos. Mas que também nunca foi desprovida de criatividade, musicalidade e experiências maravilhosas.

Diego Guerro: a reinvenção de “Ciranda Cirandinha”

Primeiramente, peço que faça uma reflexão sobre o que representa essa música, seu histórico, gravações, etc.

A música “Ciranda, cirandinha” representa uma nova fase em minha carreira. É a primeira vez que gravo com a formação de acordeon e orquestra e estou muito empolgado com as cores e texturas possíveis para essa formação. Ao mesmo tempo é o momento de mergulhar no universo da paternidade e revisitar obras importantes do cancioneiro infantil brasileiro, com releituras modernas e inusitadas.

– Por que escolheu este clássico para essa regravação? 

Quando descobri o acordeon na infância, comecei a tocar em um acordeon de brinquedo e parti deste repertório infantil. Então tive certeza do que queria pra minha vida e que essa seria a minha sina. Hoje, quase trinta anos depois, tenho a oportunidade de revisitar esse repertório e trazer uma nova visão sobre esses temas, que carregam em si a força de muitas gerações e trazem nostalgia para os pais e ternura para os filhos, fortalecendo os laços familiares através da arte.

– O que, especialmente, a sua versão traz de novo e de seu?

Ela traz uma visão contemporânea da música, com várias camadas e o desejo da experimentação, e que, através disso, possamos quebrar paradigmas e oferecer música sem preconceitos e desvinculadas de padrões estéticos pré-estabelecidos.

– Quais aspectos da música brasileira e mundial você traz neste lançamento?

Trago a universalidade da música brasileira misturada às novas possibilidades da música neoclássica mundial.

– Afinal, quem é o sanfoneiro Diego Guerro? 

Sou um idealista e sonhador. Acredito no bem, na força da união entre as pessoas e no poder transformador da arte, que faz florescer e ilumina o mundo.

Respostas de Diego Guerro

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Daii tem intensidade em “Não Vá Embora”, música composta por Serginho Moah (Papas da Língua)

“Não Vá Embora” é uma das faixas do seu novo EP. Fale sobre.
Esse single traz uma proposta sonora envolvente e faz parte do meu primeiro EP, intitulado “Do Outro Lado do Medo”. Esse projeto marca uma nova etapa na minha carreira.

Tive a enorme honra de contar com a produção musical do Martin Mendonça — guitarrista que brilha nos palcos do país inteiro ao lado da icônica Pitty — em todas as faixas do EP. Ele trouxe arranjos sofisticados que deram vida a esse trabalho e, especialmente em “Não Vá Embora”, a direção dele potencializou a intensidade e a emoção da letra.

Para completar essa experiência, gravamos um videoclipe inédito para lançar junto com a canção. Com direção criativa e uma estética visual impactante, o clipe — que já soma quase 70 mil views no YouTube e estreia em breve na programação do Music Box Brazil — transporta o espectador para um universo intimista e poderoso. Fiquei muito orgulhosa desse trabalho!

Qual a origem da música?

A música é de autoria de um grande amigo, o Serginho Moah, do Papas da Língua. Perguntei a ele sobre a inspiração da letra, e ele contou que simplesmente surgiu — inicialmente, ela faria parte de um futuro lançamento dele, mas ele acabou decidindo me presentear com essa canção!

Qual a proposta da letra e qual sua mensagem?

Desde a pré-produção até a gravação final, o sentimento foi o mesmo: essa é uma canção sobre um amor que está por um fio, como se estivesse na UTI. Ela expressa aquela mistura de dor da despedida com o apelo desesperado pela continuidade desse amor. É intensa, profunda e carrega muita verdade emocional.

É possível compará-la com músicas de outros artistas?

Acredito que não. Eu me encontrei nessa música — e ela me encontrou. Tudo neste processo veio da alma. Durante as gravações, fiz questão de viver intensamente cada etapa da construção dessa obra, para que ela fosse realmente única.

Afinal, quem é a cantora gaúcha Daii?

Sou uma cantora e compositora em constante descoberta e evolução. Comecei minha trajetória musical em 2015, e desde então, muita coisa mudou — tanto na minha visão artística quanto na forma de gerenciar minha carreira. Mas uma coisa permanece igual: o propósito de tudo isso é transmitir emoções profundas por meio da música e criar uma conexão verdadeira com o público. É isso que me move!

Respostas de Daii

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Canção gravada por Ney Matogrosso ganha contornos de encanto na versão de Dude São Thiago

Qual a melhor “sinopse” dessa música? 

Segundo single de apresentação do álbum “O Sexo do Vento”, a música “Invento”, composta pelo gaúcho Vitor Ramil, ganha uma doce interpretação. Com arranjo e direção musical de Iuri Salvagnini, e produção musical minha e de Paulo Assis (que também assina a mixagem), a canção, que fala da potência de movimento trazida pelos ventos, transforma-se em brisa e aposta na potência subversiva da suavidade. Escolhi adotar uma voz delicada, que cresce sutilmente ao longo da canção, revelando forças maiores internas que precisam ser dosadas para que o vento não cause um tornado destruidor.

Por que resolveu gravá-la? 

O single é importante para o álbum “O Sexo do Vento” porque foi justamente a canção que deu nome ao projeto, desde o início. O título é uma provocação para a ambiguidade do mundo – afinal, qual seria o sexo do vento? – mas também traz o sexo como corte, como secção, como esse poder de mudar o mundo que os ventos sempre prometem. É como um diretor que corta uma cena, ou um editor que corta uma película para construir uma obra, transformando a pungência do vento em delicada brisa. Essa foi minha ideia para esta faixa.

Para você, o que essa versão tem de especial? 

A letra de Vitor Ramil é pura poesia e fala da coragem trazida pelos ventos que vêm de fora de nós, para que aceitemos nossa interioridade, a criatividade singular que cada um carrega em si. A famosa versão gravada por Ney Matogrosso me serviu como inspiração e bússola. Joguei a canção pra dentro da alma, pra dentro do peito, e saí caminhando lentamente pelas estradas de terra dos interiores, repleto de sonhos, planos, mas também medos. O mundo está furioso. Precisamos agir, mas com graça e ternura, mais do que nunca.

Fale sobre seu novo álbum, do qual esse single é uma das faixas. 

O “Sexo do Vento” foi concebido como um álbum-narrativa, ou um livro de canções, baseado inteiramente no espetáculo homônimo, realizado em 2023 e que reestreia agora em São Paulo, para comemorar o disco. O disco contará com dezoito faixas, sendo treze canções da MPB entremeadas por textos poéticos de minha autoria, conferindo caráter inédito e novos sentidos a músicas que há muito fazem parte do cancioneiro popular brasileiro. 

Há algo de curioso que você gostaria de destacar?

De curioso, acho que não. Mas vale destacar o visualizer de Invento no YouTube, com arte do Emerson Brandt, que é uma verdadeira meditação sobre a música. Ele conseguiu uma tela que acompanha a canção e a enaltece de um modo hipnotizante. É lindo. Vale a pena conferir a experiência.

Respostas de Dude São Thiago

Disponível na playlist “MPB – O que há de novo?”

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