12 de outubro de 2026

Bersote é filosoficamente complexo e musicalmente indefinido em “Na Curva a Me Esperar”

A existência é pauta carimbada na música brasileira, como apontamos nesta reportagem de Jean Fronho (“Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado”). E este é o caso também de uma nova canção do cantor e compositor carioca Bersote. Batizada de “Na Curva a Me Esperar”, a música coloca Bersote, à beira dos seus 30 anos, como um homem questionador, que não compreende muito bem o seu “eu” do futuro, aquele que o aguarda na próxima curva. Este tom de “indefinido” e “imprevisível”, se assemelha ao da sonoridade de “Na Curva a Me Esperar”. Isso porque o próprio Bersote se atropela quando tenta explicá-la. Para ele, a canção segue o similar triunfo caminho de muita coisa na música popular brasileira, de que muitos sons são dificilmente definidos com clareza e exatidão. Ele, porém, arrisca dizer que se trata de uma “bossa-nova-bolero moderna com pegada pop”, uma definição que, sinceramente, permanece sendo reagida com interrogações.

“Esta é uma música sobre auto descoberta, sobre alguém que está abraçando a complexidade de se conhecer e talvez se amar. Os versos carregam um desejo de futuro, uma curiosidade por esse ‘eu’ misterioso. É sobre alguém que está à espreita, esperando por esse novo eu. É por isso que o refrão tem uma mensagem para si mesmo, ‘Cuidado ao virar a Augusta, eu vou estar na curva a me esperar’;. Até mesmo o fato de a faixa soar super carioca, mas mencionar uma rua de São Paulo, reforça essa dicotomia.”, detalhou o artista.

“Na Curva a Me Esperar” sucede o primeiro EP de Bersote lançado neste ano e tem produção musical do produtor João Mansur, parte do duo ‘akhi huna e colaborador de Totô de Babalong.

Nós, do lado de cá, fizemos algumas perguntas ao artistas, é o que você confere a seguir, após o clipe.

Matheus Luzi – O que “Na Curva a me Esperar” representa para a sua carreira e o que ela diz sobre você?

Bersote – Acho que o que tem de mais representativo nessa canção é como ela coincide com o meu momento atual enquanto artista. Estou me descobrindo muito como cantor, entendendo o que a minha voz pode fazer, quem sou como compositor e desenvolvendo o meu som. De várias maneiras, essa parece uma carta para mim mesmo.

Matheus Luzi – Quais referências encontramos nesta canção, tanto na letra quanto no arranjo e no videoclipe?

Bersote – A bossa nova é obviamente uma influência tanto no canto quanto no instrumental. Tem o canto de João Gilberto, mas também tem um beat compassado, que lembra o bolero e o pop. A letra já é bem mais moderna, tem uma brincadeira de ser uma bossa tradicional que menciona São Paulo, o que gosto muito. Eu sou obcecado por cidades e sempre tento ter algo muito urbano na minha obra. Elas trazem a minha musa muito mais à tona do que a natureza, fico muito mais reflexivo no caos.

Matheus Luzi – Muito interessante o fato de “Na Curva a Me Esperar” ser “indefinida musicalmente”.

Bersote – Essa indefinição é bem presente na música popular brasileira. O pop como gênero é muito indefinido. Tudo e nada é pop. Mas quanto mais eu ouço, mais eu fico em paz em dizer que essa é uma bossa, essencialmente.

Matheus Luzi – Quais foram as contribuições do produtor João Mansur neste single?

Bersote – Geralmente, quando estou trabalhando em uma canção com alguém, tem muita conversa até chegarmos num lugar interessante. Com “Na Curva a Me Esperar” não foi assim. Eu tinha a melodia e a letra, daí mandei os vocais demo e as referências para o João. E ele já retornou com uma versão muito próxima do que eu queria e da que foi lançada. Durante a gravação, em Brasília, ele também me deu várias ideias do que fazer com a voz para abraçar esse arrastado da bossa nova. Foi bem colaborativo.

Matheus Luzi – Quais serão seus próximos lançamentos? Eles devem seguir o tom existencial e sonoro de “Na Curva a Me Esperar”?

Bersote – Estou começando a trabalhar no meu primeiro álbum, que já tem título e deve sair mais tarde no ano que vem e que virá junto de muita coisa especial. No curto prazo, porém, estou trabalhando em mais alguns singles. Um deles deve sair no fim do ano e outro no primeiro semestre de 2024. Um é uma balada bem voz e piano, e o outro é bem pop, daqueles que dá vontade de cantar o tempo todo. Tem também as lives e shows que vou fazer no início do ano, que espero em breve anunciar as datas.

Ficha técnica

Canção:

Composição: Bersote e Bruno Soares dos Santos

Arranjos e Produção Musical: João Mansur

Mix e Master: João Mansur

Fotografia: Elisa Maciel

Arte da capa: Bruno Soares dos Santos

Clipe:

Direção, Fotografia e Cenografia: Bruno Soares dos Santos

Roteiro e Argumento: Bersote e Bruno Soares dos Santos

Edição: Bruno Soares dos Santos

Coreografia: Nina Sofia Salomon

Figurino: Bersote

Produção Executiva: Bersote

SIGA BERSOTE

Instagram – Youtube – Spotify 

Crédito da capa da publicação: Elisa Maciel

Espiritualidade de pai para filho, a mensagem da nova música do israelense Ari Fraser

ARI FRASER, músico israelense, cria uma canção de ninar comovente e profundamente espiritual nesta canção. A letra se desdobra como.

LEIA MAIS

Livro de Autoajuda

Nem todas as pessoas que escrevem livros de Autoajuda conseguiram resolver seus próprios problemas, mas sempre tem a fórmula mágica.

LEIA MAIS

Pedro Pereira: azul que te quero azul

Comer muito mel não é bom; assim,a investigação da própria glórianão é glória. Provérbios 25:27 A pintura de Pedro Pereira.

LEIA MAIS

Os vários Olhos D’agua de Conceição Evaristo

Poderia ser mais uma daquelas resenhas que escrevo sobre um livro que eu acabara de ler, no entanto é algo.

LEIA MAIS

Tropicalismo: o movimento que revolucionou a arte brasileira

  A designação de Tropicália para o movimento que mudou os rumos da cultura brasileira em meados e fim dos.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

O Ventania e suas ventanias – A irreverência do hippie

(Todas as imagens são reproduções de arquivos da internet) A ventania derruba árvores, derruba telhas, derruba vidas. Mas a verdade.

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS

Carlos Gomes: um naïf registra e exulta uma pintura lúdica

O homem benigno faz bem à sua própria alma, mas o cruel perturba a sua própria carne. Provérbios, 11, 17.

LEIA MAIS

Adonay: universais variações sobre o mesmo tema

Como saber, se há tanta coisa do que falar ou não falar?E se o evitá-la, o não falar, é forma.

LEIA MAIS