19 de outubro de 2026

CONTO: A Confirmação do Segredo de Confissão (Gil Silva Freires)

Matar é fácil, até mesmo porque é a arma quem faz o serviço. A mão é apenas o instrumento da vontade do freguês ou de uma desavença pessoal. Difícil é conseguir conforto espiritual depois do ato.

Jeremias tinha matado ás dezenas e a carga era incomensurável. Essa culpa acumulada nos anos de pistolagem fez com que ele, pela primeira vez, quisesse buscar expiação na casa de Deus. O padre Alberto era muito respeitado nas redondezas e não havia ninguém mais confiável para ouvir sobre seus atos violentos.

Jeremias adentrou a Matriz de Poço das Trincheiras e perguntou do padre.

– Na sacristia – disse a velha Quitéria, que era responsável pela limpeza da igreja. – O moço quer o que com ele?

– Quero me confessar, com a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Velha Quitéria estranhou que aquele homem de fama tão perversa quisesse se confessar. Mas, pensou ela, devia ter mesmo muitos pecados para aliviar.

O padre veio e chamou Jeremias ao confessionário.

– Seja bem-vindo na casa de Deus, meu filho.

– Padre, eu tenho muita coisa ruim nas minhas costas. Acho que Deus não vai me perdoar, não…

– Deus é infinito em sua misericórdia. Ele não abandona nem mesmo os maiores pecadores. Pode abrir seu coração, filho.

Jeremias falou tudo, de crimes encomendados e traições. Padre Alberto escutou a narrativa sangrenta em total silêncio. Ao final, com voz penalizada e severa, disse:

– Filho, você cometeu pecados muito graves. Precisa pedir muito perdão.

– O padre não me perdoa? – perguntou Jeremias, confuso.

– Você precisa do perdão de Deus e, daqui pra frente tem que fazer por onde merecê-lo.

– O padre não vai contar isso pra ninguém, vai?

– Isso é segredo de confissão, filho. Fique em paz.

Jeremias foi embora depois de receber uma extensa penitência e pedir a benção do padre. Foi mas voltou na calada da noite, depois que a cidade foi dormir.

Vai que o padre deixava de ser padre de repente.

Escrito por Gil Silva Freires em 23/09/1993

ENTREVISTA – Literatura de Renan Wangler reforça ancestralidade e luta da população negra

A população negra precisa estar conectada com a literatura, cultura e arte, dessa forma podemos estar conectados com a nossa.

LEIA MAIS

As “Dancinhas de Tik Tok” são inimigas da dança profissional?

Os avanços tecnológicos e suas devidas popularizações presenciadas desde o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 se.

LEIA MAIS

Timothy James: “O Brasil tem sido um grande apoiador das minhas músicas”

Você, amantes do country americano, saiba que há um novo nome na pista: Timothy James. Nascido nos anos 1980, o.

LEIA MAIS

A vida em vinil: uma reflexão filosófica sobre a jornada da existência

A vida, assim como um disco de vinil, é uma espiral contínua de experiências e aprendizados, em que cada fase.

LEIA MAIS

O Brasil precisa de políticas públicas multiculturais (por Leonardo Bruno da Silva)

Avançamos! Inegavelmente avançamos! Saímos de uma era de destruição da cultura popular por um governo antinacional para um momento em.

LEIA MAIS

Tim Maia em 294 palavras

Ícone do pop nacional, Tim Maia nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, em 1942. Antes do sucesso,.

LEIA MAIS

CONTO: O Operário Dedicado e O Regozijo do Aposentado (Gil Silva Freires)

Seo Leocádio era o tipo de homem totalmente estável e mantivera o mesmo emprego durante toda a vida. Se haviam.

LEIA MAIS

Diante do novo, “O que Pe Lu faz?”

Sucesso teen da década passada com a Restart e referência no eletrônico nacional com o duo Selva, Pe Lu agora.

LEIA MAIS

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS

Espiritualidade de pai para filho, a mensagem da nova música do israelense Ari Fraser

ARI FRASER, músico israelense, cria uma canção de ninar comovente e profundamente espiritual nesta canção. A letra se desdobra como.

LEIA MAIS