3 de junho de 2026

Cainã Cavalcante toca Garoto em álbum que ajuda a eternizar o “gênio das cordas”

Crédito: Tainá Cavalcante / Divulgação.

Há quase sete décadas, o Brasil e o mundo foi obrigado, por ordem celestial, a dar tchau a Annibal Augusto Sardinha, o popular Garoto. Sua trajetória artística como violonista acompanhou seus 39 anos de vida. Trajetória curta na Terra, mas significante para os amantes do violão brasileiro e para a música instrumental como um todo.

Entre os milhares de discípulos do músico paulistano, está Cainã Cavalcante, que desde a infância enxerga o “gênio das cordas” como uma figura mitológica, como ele mesmo acentua. Na vida adulta, Garoto permaneceu influenciando os dedilhados e os momentos criativos de Cainã, o que o tornou um viajante pelo universo “garoteano”.

Dessa imensa magia que o rodeia há muitos e muitos anos, nasce o principal fruto: “Sinal dos Tempos – Cainã toca Garoto”, álbum já disponível nas plataformas de streaming e que traz, ao lado de Cainã, o belíssimo contrabaixo acústico de Guto Wirtti e a envolvente bateria de Paulo Braga, em uma jornada que reúne dez releituras de grandes músicas de Garoto.

Em respeito a tudo que envolve esse disco, nós entrevistamos Cainã. A entrevista, você confere a seguir.

Matheus Luzi – Quais os motivos da decisão de gravar as músicas do Garoto?

Cainã Cavalcante – A decisão de gravar o repertório do Garoto, passa por uma série de fatos inesperados, porém necessários. Ainda mais pela preservação da cultura brasileira, ao trazer o repertório do “Gênios das Cordas” para a discussão musical atual através do meu olhar. O fato é que durante o ano de 2020, em meados de abril, iniciei uma caminhada de aproximação espontânea e vital com a música do Garoto. Conforme ia tocando, a cada música várias descobertas, caminho sem volta! Meses depois, recebo uma ligação do meu amigo, extraordinário músico e produtor do disco “Sinal dos Tempos – Cainã toca Garoto”, Guto Wirtti, falando sobre o documentário “Garoto – Vivo Sonhando”, que acabara de assistir. Guto em seu entusiasmo e energia, relembrou um desejo antigo nosso, de ter um trabalho em trio (violão, baixo acústico e bateria), tendo o mestre da bateria brasileira Paulo Braga conosco. E na sequência já soltou: “Vamos gravar um disco de trio! Eu, você e o Paulo Braga tocando Garoto?!”. Então, eu que já estava vivenciando esse repertório, recebi uma proposta dessas…Percebemos ali, que havia uma sincronicidade especial para a realização desse projeto feito com tanto carinho.

Matheus Luzi – O quanto Garoto exerceu e exerce influência na sua carreira musical?

Cainã Cavalcante – Como disse o nosso grande Raphael Rabello: “Se não fosse o Garoto, nós não estaríamos aqui!”. E é verdade! Garoto foi quem começou tudo isso. Pavimentou e norteou um caminho fundamental para o violão brasileiro. E eu, como sendo continuação disso é impossível não ser receber sua influência e inspiração.

Matheus Luzi – E a influência dele na música brasileira, como você analisa?

Cainã Cavalcante – De extrema importância! Compositor genial, músico brilhante que atuou muito em sua época. Dessa forma, deixa uma contribuição robusta para a música brasileira, influenciando artistas e atravessando gerações como é o caso do nosso “Sinal dos Tempos”.

Matheus Luzi – O que você acredita ter trazido de novo para as músicas do artista?

Cainã Cavalcante – Tudo novo! Um novo olhar sobre o violão e a poesia que a música do Garoto carrega consigo, a decisão de gravar com Guto e Paulinho com a formação de trio, e assim, abrir espaço para novas harmonias, espaço para improvisação, espontaneidade na interpretação de cada música, sem perder os olhos da matriz. Além de tudo, a magia que aconteceu no estúdio, enquanto gravávamos, foi única! E eu acho isso muito valioso!

Matheus Luzi – Haveria palavras para comparar Garoto a outros mestres da música instrumental brasileira?

Cainã Cavalcante – Garoto é tão importante quanto Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos. Ambos estão no olimpo da música brasileira.

“Como disse o nosso grande Raphael Rabello: ‘Se não fosse o Garoto, nós não estaríamos aqui!’. E é verdade! Garoto foi quem começou tudo isso. Pavimentou e norteou um caminho fundamental para o violão brasileiro. E eu, como sendo continuação disso é impossível não ser receber sua influência e inspiração.”

Matheus Luzi – Você tem alguma história ou curiosidade interessante sobre o assunto?         

Cainã Cavalcante – O disco foi feito sem ensaios prévios. E eu acho isso muito maravilhoso! Encontrar Paulinho e Guto no estúdio, para o primeiro dia de gravação, foi um momento inesquecível! Música viva, feito no momento. A gente tocando as músicas pela primeira vez, como se já tivéssemos tocado juntos, durante muitos anos. A magia da música! E tudo isso está impresso em “Sinal dos Tempos – Cainã toca Garoto”.

Matheus Luzi – Agora deixo você a vontade para falar o que quiser.

Cainã Cavalcante – Gostaria de agradecer o carinho de todos que fazem a revista Arte Brasileira, em especial ao Matheus Luzi, por abrir esse espaço para que pudéssemos falar um pouco sobre o nosso novo disco. E compartilhar a alegria que tem sido a caminhada desse trabalho feito com tanto carinho. Agradeço também, a receptividade de quem escuta e da imprensa como um todo. A quem nos lê, saúde, vacina, amor, paz e muita música! Viva Garoto! Viva o violão brasileiro! 

“Garoto é tão importante quanto Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos. Ambos estão no olimpo da música brasileira.”


FICHA TÉCNICA

Disco: “Sinal dos tempos – Cainã toca Garoto”
Artista: Cainã Cavalcante
Produzido por Cainã Cavalcante e Guto Wirtti
Produção executiva: Wilson Souto Jr. (Atração)
Gravado por Guido Pera, no estúdio VISOM DIGITAL – RJ, nos dias 01, 02 e 03
de março de 2021
Mixado no BRC estúdios – SP, por Luis Paulo Serafim
Masterizado por Gian Correa
Assistente de produção: Carla Braga
Logística: Marcelo Cabanas
Fotos: Tainá Cavalcante
Arte final: Rhudá Cavalcante (Cajueiro Comunicação)
Realização: Gravadora Atração.
Arranjos: Cainã Cavalcante.
Músicos: Cainã Cavalcante (violão), Paulo Braga (bateria) e Guto Wirtti
(contrabaixo acústico)

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