18 de outubro de 2026

Com pouco mais de um ano de formação, a banda Mulamba se destaca com letras feministas (Veja entrevista)

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De certa forma, a formação da banda Mulamba aconteceu por acaso, e também foi algo pensado. Na verdade, tudo começou quando as garotas se reuniram para fazer um tributo à Cássia Eller no final de 2015. A interação e a química entre elas foram tão grandes que a banda se formou naturalmente, até porque não é todo dia que um grupo de mulheres se encontram com o mesmo ideal feminista e musical. Tudo aconteceu porque elas queriam passar suas mensagens de igualdade para o mundo, ai nasceu a Mulamba.

Em suas letras, o grupo formado por 6 mulheres faz críticas pesadas ao machismo e a questões sociais. Nós conversamos com duas integrantes do conjunto Naíra Debértolis e pela Natália Fragoso. Veja:

 

 

Qual a mensagem que a banda Mulamba deixa para as mulheres e para toda a sociedade?

Queremos representar a mulher em forma de música, poesia, protesto e atitude, mudando a visão machista do mundo.

É muito comum ouvirmos, principalmente nos ciclos familiares, comentários e piadas de mau gosto dotadas de machismo, ditas até por mulheres que reproduzem esses conceitos sem perceber. É daí que nasce o machismo, de dentro de casa. E é aí que queremos chegar.

As mulheres não podem se calar por se sentirem inferiores aos homens. Procuramos passar, com a nossa música, o que é ser mulher, viver como mulher e entender o mundo sendo uma mulher.

 

Além da luta pela igualdade entre mulheres e homens, a Mulamba expressa outro ideal em suas letras?

Sim. Com certeza o que nos deu tamanha visibilidade foi o vídeo da nossa música “P.U.T.A”, gravado em parceria com o HAIstudio, aqui de Curitiba. Porém, outras canções nossas, como “Provável Canção de Amor para Estimada Natália”, também estão ganhando essa notoriedade. Nos consideramos uma banda de mulheres cuja música é para todos os públicos, independente de gênero. É claro que levantamos a bandeira do feminismo, principalmente, mas nossa música não é apenas sobre isso. Falamos de amor, trazemos outros assuntos de cunho social, como a discriminação racial e política.

 

Vocês sofreram influências de outras mulheres, como Gal Costa, Rita Lee, Cássia Eller, Marisa Monte e Elza Soares. O trabalho que vocês fazem hoje remete de alguma maneira a essas artistas?

Com certeza. Essas mulheres nos inspiraram com sua força e atitude tanto em suas vidas pessoais quanto profissionais. Elas não se deixaram e não se deixam intimidar pelos olhares de recriminação da cultura machista que aguarda que todas as mulheres tenham uma atitude “comportada”. Nós, com nossa mensagem e nossa luta explícitas na música que fazemos, não somos nada além de livres.

 

Segundo o site A Escotilha, em 2015, das 100 músicas mais executadas no país, apenas 15 eram interpretadas por mulheres. O que vocês têm a dizer sobre isso?

É um dado um pouco perturbador, mas que, infelizmente, reflete a nossa sociedade atual. A indústria fonográfica ainda é uma área majoritariamente masculina, por motivos que vão desde a curadoria de grandes festivais até o espaço desigual concedido pela imprensa para mulheres cantoras e compositoras, por exemplo. Também passa pela educação cultural que recebemos, que tende a invisibilizar as mulheres. Enfim, são várias questões envolvidas.

A Mulamba vem contribuindo para esse número mudar, começando por nossa equipe, que é formada 100% por mulheres, desde roadie até produtoras. Acreditamos que dessa forma podemos deixar de lado a ideia machista de “sexo frágil”.

Com o tempo e a adequação das integrantes, foram surgindo as músicas autorais. Como funciona a criatividade de vocês e o que as inspira?

A Amanda e a Cacau possuem um dom incrível para compor letras e melodias. Normalmente, elas nos mostram uma composição e nós a moldamos de acordo com o que sentimos que queremos passar com aquela letra.

O mais incrível na Mulamba é que cada integrante veio de uma escola musical diferente, que resulta em nossa sonoridade.

 

Com pouco mais de um ano de formação, o que vocês acreditam que já conquistaram?

Nesse pouco tempo que estamos na estrada, acredito que conseguimos representar muitas mulheres. Temos recebido várias mensagens de mulheres dizendo que a letra da música “P.U.T.A” é exatamente o que elas gostariam de gritar para o mundo.

Tivemos a oportunidade de mostrar o nosso trabalho fora de Curitiba também, como no Rio de Janeiro e em Florianópolis, recebendo muito carinho das pessoas que vão nos assistir.

O single “P.U.T.A”, já teve mais de 200 mil visualizações e 4 mil compartilhamentos em apenas uma semana. O que essa música significa para a banda?

Significa que conseguimos, de alguma forma, tocar na “ferida” da sociedade machista atual. Os comentários que surgiram sobre o nosso vídeo refletem bastante isso. De um lado, mulheres se sentindo representadas e homens abraçando a nossa causa; de outro, pessoas enviando comentários contra a nossa música.

Acreditamos que tanto as interpretações positivas quanto negativas da música “P.U.T.A” refletem o grande e inesperado alcance que ela teve.

 

Em relação ao novo EP que vai ser lançado ainda este ano. Vocês poderiam nos adiantar algo? Fiquem a vontade para falar o que quiser.

O nosso primeiro EP foi produzido pelo Du Gomide, aqui em Curitiba. Apesar de o público já conhecer as faixas, mais músicos e instrumentos fizeram parte das gravações, criando um resultado diferente do apresentado nos shows.

Tudo foi e está sendo pensado com muito carinho, desde as gravações até a arte que ilustrará a capa. Ele será lançado ainda no primeiro semestre deste ano, estamos organizando todos os detalhes para que seja uma data marcante tanto para a Mulamba quanto para o público.

 

 

 

 

 

 

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