3 de julho de 2026

Conheça as sete faixas de “The Moth – Before the Darkness”, álbum de estreia do músico Fryer

Divulgação.

O cantor, compositor e artista visual piauiense Fryer busca nos sons góticos, industriais e pós-punk um caminho para cantar suas inquietudes. É isso que acontece em “The Moth – Before the Darkness”, álbum de sete faixas que, com bastante intensidade, dialoga com questões atuais, principalmente políticas e sociais do nosso país.

“Esse é um disco conceitual que aborda várias figuras presas em um ambiente escuro onde ninguém sabe onde está, como chegou ali ou para onde está indo. Quase uma referência a Beckett. O álbum funciona como uma sátira nostálgica e atual do momento político e social que vivemos abordando temas como o narcisismo nas redes sociais e os desdobramentos políticos do Brasil nos últimos anos”, resume o artista.

O lançamento é do selo norte-rio-grandense Nightbird Records e já está disponível em todas as plataformas de streaming.

Nós da Arte Brasileira recebemos com exclusividade a faixa-a-faixa do álbum, explicando cada uma delas. Confira a seguir!

01 – A Moth Fades in the Dark

Essa foi uma das últimas que compus. Gravei ela em Teresina (PI) mesmo, no meu quarto. Foi um processo muito satisfatório, pois precisava de uma introdução que mostrasse qual é a intenção atmosférica do disco. Essa intro e as pequenas faixas de transição dão um clima mórbido e sombrio, ou melancólico, em paradoxo com as faixas “principais”, como se elas fossem momentos entorpecidos dessas personas que tentam se refugiar da realidade em um mundo imaginário.

02 – Na Sacada

“Na Sacada” foi uma faixa muito divertida de trabalhar, ao mesmo tempo desafiadora. É uma música que tem muitas transições e mudanças além de um conceito bastante maleável. Instrumentalmente ela exigiu bastante ensaio e estudo, e hoje acaba sendo uma das mais divertidas de tocar ao vivo. É muito engraçado ela se ressignificar perto do lançamento acontecer com esse fenômeno hilário do “cringe”. Boleto virou cringe assim como um bocado de outras coisas triviais. Então é também uma música que reflete o Brasil do Bolsonaro, um Brasil Cringe.

03 – The Empty Corridor

Essa faixa nasceu em um momento bastante contemplativo. Lembro que estava em um dia regado de muita ansiedade e chegou em um ponto que a cabeça apenas desligou e comecei a tocar aleatoriamente. Essa faixa nasceu de maneira muito tranquila, me passando uma sensação de vazio, como um corredor com luzes baixas à noite, em dia de semana, quando você está cansado e só quer fumar um cigarro ou beber uma coisa gelada para acalmar os nervos.

04 – St. Joseph

“St. Joseph” foi a primeira faixa que compus, ainda no final de 2016. Era uma faixa só de voz e violão, com um strings no refrão. O solo com slide já estava lá, os backing vocals também. É particularmente a mais pessoal pra mim, pois escrevi em um período muito conturbado. Foi muito fácil passar ela pra banda na versão final que foi pro disco, tanto que foi gravada em um único take. O Izídio Cunha fez um trabalho incrível no baixo e captou muito a ideia. 

05 – Craving Attention

Essa faixa foi a última que compus. Nesse ponto o material já estava em processo de produção bem avançado. Quando apresentei ela à banda eu estava com medo de não dar tempo de lapidar essa por conta da duração e as várias transições. Lembro que estava sentindo falta de algo que trouxesse novamente um ar mais satírico depois de “Na Sacada”. Estava ouvindo muito o “Station to Station”, do David Bowie, na época e cheguei com um riff e versos bem naquela linha para apresentar ao Jean Medeiros (guitarra). Ele pegou o riff e todas as partes iniciais da música e ainda adicionou um solo com muita influência de David Gilmour.

06 – Sinal de Outubro

Essa música foi a segunda que escrevi para o disco. Bem, na época eu ainda não sabia que seria especificamente para o disco. O instrumental nasceu de um improviso que costumava fazer com o Izídio (baixo) lá em 2017 quando tocava em trio com ele e a Clara Carvalho na bateria. Mais tarde, a letra nasceu naturalmente em um dia que eu estava claramente bastante aflito como muita gente, o dia seguinte ao segundo turno das eleições de 2018. É muito complicado tentar escolher uma faixa favorita no álbum, mas com certeza essa está lá no topo. 

07 – Silence Recreates Itself in Abstraction

Essa foi a última faixa que criei e talvez seja a mais inacessível do trabalho. Ela tem um ar mais próximo de música experimental e concreta, com um foco muito grande na manipulação de fragmentos sonoros e o uso do acaso. Simplesmente precisava de algo que remetesse à ideia de reiniciar o conceito. Extraí vários trechos e fui os adicionando em volume baixo, deixando os ruídos e o silêncio agirem. Pra mim ela tem essa aura crua e suja, ao mesmo tempo que vazia e distante, retrocedendo com os personagens da obra a um looping eternos dos eventos do disco.

Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS

CONTO: Aqueles Cães Que Latiam e Os Visitantes Que Não Batiam (Gil Silva Freires)

Desde que se mudara, Leonardo não conseguia dormir direito. E sua insônia não era causada por problemas financeiros ou sentimentais..

LEIA MAIS

Cuba, a Ilha da Utopia

Artigo escrito em maio de 2024 pelo maestro Kleber Mazziero sob encomenda para a Arte Brasileira Em fevereiro de 2023,.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Conversa Ribeira e seu Brasil profundo

Três artistas de cidades interioranas, Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeão) e João Paulo Amaral (viola caipira.

LEIA MAIS

Andinho de Bulhões: ausência de lume na justaposição e na aglutinação

O sol novifluentetransfigura a vivência:outra figura nascee subsiste, plena Orides Fontela 1. Andinho de Bulhões nasceu em um povoado pertencente.

LEIA MAIS

[RESENHA] “Machado de Assis, Capitu e Bentinho”, de Kaique Kelvin

Que Machado de Assis se tornou um clássico escritor da literatura brasileira todos sabemos, mas uma dúvida que segue sem.

LEIA MAIS

“O único assassinato de Cazuza” (Conto de Lima Barreto)

HILDEGARDO BRANDÂO, conhecido familiarmente por Cazuza, tinha chegado aos seus cinqüenta anos e poucos, desesperançado; mas não desesperado. Depois de.

LEIA MAIS

Mário Rasec: a celebração das coisas simples

 Por eso, muchacho, no partas ahora soñando el regressoQue el amor es simpleY a las cosas simplesLas devora el tempoCesar.

LEIA MAIS

As “Dancinhas de Tik Tok” são inimigas da dança profissional?

Os avanços tecnológicos e suas devidas popularizações presenciadas desde o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 se.

LEIA MAIS