25 de outubro de 2026

Duo “Quando o Inhambú cantou no meu Quintal” em resgate da MPB e do Folk [ENTREVISTA]

 

Com uma linguagem poética, o Duo faz um resgate muito interessante da música brasileira, tudo isso por meio da cultura folk, trazendo assim novos ares para a MPB. Formado por Ricardo Santiago e Antony Ventura, o Duo usa uma temática existencial para dar vida à suas músicas. Recentemente, “Quando o Inhambú cantou no meu Quintal” lançou seu primeiro disco, que leva o mesmo nome do Duo e tem 8 faixas.

“Bom, a música vem nos proporcionando muitas coisas boas. A estrada vem nos presentando. É difícil viver da e para a música, mas ninguém nega o prazer e a alegria que isso traz. Que os leitores possam conhecer um pouco mais do nosso trabalho e se identificar, cada um, da sua maneira.”, comentou Antony.

 

Abaixo, você verá na íntegra uma entrevista que fizemos com os dois integrantes do Duo.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão verde no quadro abaixo.

 

Tem alguma história ou curiosidade por trás do nome do Duo?

Ricardo: Tem sim, ficamos alguns meses para pesquisar um nome de essência folclórica, chegamos a ler alguns livros. O Antony chegou com uns livros da biblioteca municipal todo empoeirado e amarelado, aí começamos a pesquisa. Queríamos o nome de uma ave Brasileira. Eu pensei num nome “Quando (ave) cantou no meu Quintal”. Antony foi falando algumas aves e seus significados. Quando ele Falou do Inhambú, fiquei encantado e nem prestei mais atenção nas outras. O Inhambú canta numa determinada hora do dia, para nortear o homem do campo. Avisar a hora certa! Então quando o inhambu cantou no nosso quintal nos avisou que seria a hora certa de seguir a estrada musical e dar vida ao projeto. 

 

Como vocês dois se conheceram? E como vocês trabalham as criações das músicas?

Antony: Nos conhecemos através de grupos da Pastoral da Juventude, onde o Ricardo migrou para Guarulhos, em um dos retiros. Logo que nos conhecemos criamos afinidade musical que possibilitou a criação de uma banda algum tempo depois. Ainda não tínhamos dimensão do que era o “Folk”.
A banda durou alguns anos e cada integrante seguiu caminho, para ouvir coisas que ainda não conheciam.
Sobre as criações, geralmente compartilhamos algumas ideias iniciais de arranjos e construímos juntos a canção, sempre dando espaço para a composição individual que consideramos muito importante também.

 

Em suas músicas, vocês fazem um resgate muito interessante da música brasileira por meio da cultura folk, não é?

Ricardo: Sim, entendemos que o Folk é o canto do povo de um lugar. É a musica nativa de uma região. Então acreditamos que o termo “Folk” vai além do folk norte americano. Todo país tem a sua música folk, a sua música folclórica. Ainda mais no Brasil, um país tão rico nisso, então resolvemos mostrar no nosso trabalho que essa bandeira folk é mais ampla do pensam.

 

Parece que as músicas de vocês têm uma temática puxada para o lado existencial. É isso mesmo? Quais são os temas tratados? Como vocês trabalham com eles?

Antony: Temos uma relação muito forte com a música no sentido de transformação social, acreditamos que nós (artistas), temos responsabilidades criativas no processo de construção de uma sociedade melhor. Partindo desse contexto procuramos falar de temáticas que façam relação com a integridade da vida do ser humano em seu processo de crescimento. Temas como amor (CANÇÃO DO AMOR DO (DES) ORIENTE/QUASE UM BLUES/HOSPEDEIRO), política e esperança (CANTIGA DO VIVER), direitos da criança e adolescente (SOLTAR BALÕES), ecologia (PITIGUARIANDO) e relações familiares e formação pessoal (1992 e CAMINHEIRO E O VENTO), são exemplos de uma relação única entre artista e público, tendo consciência de que não existe hierarquia nesta relação para que possamos ser pessoas melhores.

 

Quais foram suas influências? A música folk e o blues estão muito presentes nas canções de vocês…

Ricardo: Quando decidimos sair para caminhos diferentes e ouvir coisas novas, voltamos depois de um tempo para conversar sobre isso.. O Antony estava ouvindo Zé Geraldo, Luli e Lucina, Almir Sater, Simon and Garfunkel. Eu estava ouvindo Belchior, Sá, Rodrix e Guarabyra, Pena Branca e Xavantinho, Zé Ramalho. Fomos entender então que esses artistas regionais (com exceção de Simon and Garfunkel) faziam o folk Brasileiro. Todos esses são nossas influências diretas.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o Duo?

Antony: Acho que uma curiosidade que nunca partilhamos em entrevistas, porém é bem interessante, foi quando decidimos gravar o primeiro disco. Tínhamos uma ideia totalmente diferente do que foi concluída. Queríamos gravar as faixas em um único take fazendo uma versão mais acústica, até porque estávamos com pouco tempo para pensarmos em arranjos, etc. Porém nosso produtor do disco, Alan Oliveira, nos convenceu pouco a pouco a tornar a proposta um pouco mais sofisticada e trabalhosa, gravando palmas, cochichos, pratos, bacia com água e outras coisas inimagináveis. Mas graças a ele temos satisfação em apresentar este trabalho lindo. Foi bem interessante ver como as ideias vão tomando forma no processo de captação.

 

Faça um breve resumo do CD que vocês lançaram.

Ricardo: Bom, este CD foi um grito. Estávamos um tempo exilados do mundo, refletindo muito sobre nosso futuro musical, quando decidimos ter o Duo e lançar o disco. São momentos e sensações sinceras de tudo o que passamos até chegar ali. Quem ouve entende bem tudo isso. É uma grande viagem!

 

 

 

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