15 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Rodrigo Suricato lança o álbum “Na Mão as Flores”

(Capa do ábum)

 

O terceiro álbum de Rodrigo Suricato reafirma seus dotes para a composição. Em “Na Mão As Flores”, o músico fez praticamente o serviço completo: arranjos, instrumentos, interpretação e produção (também assinada Marco Vasconcellos). Com onze canções, sendo “Como Nossos Pais” (Belchior, 1976) a única não autoral, as faixas foram compostas e produzidas entre 2017 e 2018, e o lançamento acontece pela Universal Music.

“Esse disco nasceu autobiográfico, mas também é sobre todos nós. Tem uma leveza que disfarça sua profundidade, para os mais desavisados, pode algumas vezes soar simples demais. Ele possui uma positividade que tem muito a ver com a minha maneira de enxergar as coisas. É sobre utopia. Falo de desejos da nossa natureza humana”, explica Suricato.

SOBRE A RELEITURA do clássico de Belchior, Suricato explica: “Eu acho que o contexto social atual me levou a revisitar ‘Como Nossos Pais’. Belchior era fã de blues assim como eu. Percebi durante o processo de autoconhecimento que resultou no disco, que a gente interpreta inconscientemente alguns padrões de outras gerações. Reconhecê-los dentro da mim e aperfeiçoá-los foi a parte mais dolorida e linda desse processo.”

 

SOBRE SURICATO

Este é o terceiro álbum da carreira solo do músico carioca, que é cantor, compositor, multiinstrumentista, produtor, o que o destaca como um dos artistas mais multi-facetados de sua geração. Entre os lançamentos, o álbum “Sol-te”, rendeu a Suricato o prêmio Grammy Latino de 2015.

Com o projeto autointitulado, Rodrigo brilhou nos palcos dos aclamados festivais Rock In Rio e Lollapalooza, e ainda foi finalista do programa Superstar da Rede Globo. Tanto reconhecimento levou Rodrigo a ser uma das principais referências brasileiras do Folk/Pop.

Como guitarrista, Suricato já tocou ao lado de artistas como Ana Carolina, Moska, Zélia Duncan, Fito Paez, Tiago Iorc, além de fazer parte da banda da primeira edição do The Voice Brasil. Tamanha habilidade, levou o músico a ser premiado pela GIBSON USA e pela revista GUITAR PLAYER.

Com a carreira solo sem esfriar, Rodrigo se tornou em 2017, vocalista e guitarrista da banda Barão Vermelho, sucedendo o lugar de Roberto Frejat. E mais, Suricato soma forças nas composições da nova fase da banda que já teve Cazuza como vocalista.

 

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com o músico sobre o álbum “Na Mão As Flores”

 

 

Meu querido, a faixa de abertura, me soa muito curiosa. Quando você versa “Admirável Estranho”, a quem você se refere? Não sei se é bobeira minha, mas me parece bem metafórica a letra dessa canção.

Meu maior barato é deixar a interpretação do ouvinte fluir. Comecei escrevendo sobre as pessoas que admiramos e não temos oportunidade de conhecer ou até mesmo expressar algo profundo por ela quando estamos perto. Já estive ao lado de muita gente assim e travei. Como mudei muito nos últimos anos às vezes me pergunto se compus pra mim mesmo.

 

Em “Amor de Sol”, você consolida uma parceria linda com o genial Paulinho Moska. Detalhe para nós essa parceria entre vocês, como isso começou.

Moska é um dos meus grandes ídolos e amigo. É nossa segunda parceria. Como não consegui colocar uma letra decente nessa melodia que gostava tanto enviei pro paulinho. Em geral tento escrever meu próprio texto, mas quero tentar algo mais colaborativo no próximo disco.

Foi o arranjo que mais deu trabalho, parece um mosaico. Acho moderno.

 

“Desventura ou Sorte” brilhou meus olhinhos com o trecho “Acontece que quando você chega / Eu já me vejo avô”. Adoro quando os versos fogem dos clichês. Curiosamente, “A Canção que Todo Mundo Anda Fazendo”, fortalece ainda mais que você não tá nem aí para letras comuns…

É minha frase predileta nessa canção. Acho que de tanto repetir e insistir na composição acabei adquirindo uma assinatura. Longe de ser uma avanço na literatura brasileira, mas acho que tenho um jeito meu de dizer as coisas.

 

Cara, de uma maneira geral, as canções do álbum estão na linha de um pop bem agradável. No entanto, você gravou a instrumental “Spero”. Quero muito entender o porquê dessa variável.

“Spero” ( esperança em latim) é na verdade a introdução de “Tatua”. Pra não ficar grande e submeter as pessoas à intro toda vez que quisessem escutá-la resolvi separar. Faz parte dos meus experimentos com música eletrônica.

 

Qual seria, para você, a mensagem de “Tatua”? E o que ela quer dizer?

Fiz pra mim. É um mantra. Começou com uma tentativa de tatuar uma frase no meu corpo que me inspirasse ou me tirasse do sufoco numa hora difícil. Há dias que não passo da segunda. Parece uma oração universal, todos passamos por isso.

 

Como um todo, as letras estão sempre envoltas a relacionamentos, paixão e amor. Por que tanto foco nessa temática? Algo (ou alguém) foi o gatilho da inspiração?

É um disco sobre amor à vida, amor à si mesmo e ocasionalmente um outro alguém. Não acho um disco romântico clássico embora as pessoas que o ouvem adorem dedicar aos seus pares. É sobre humanidade e valorização da nossa potência humana. Toda transformação começa no indivíduo. Quanto melhor eu for para mim melhor serei para os outros.

 

Por outro lado, “Hoje”, “Solidão” e “Na Mão As Flores” têm uma pegada poética mais existencial. É isso mesmo?

“Solidão” é uma das canções mais legais que fiz na vida. Exatamente como me sinto: um grão partido de sal que corre o infinito. Adoro essa letra. Vivo um momento muito bonito, de aceitação, curando uma tristeza sem fim que sentia nos últimos anos. Faço música pra me entender, me curar e principalmente me relacionar com o mundo, pois sou reservado e tímido.

 

 

Por Matheus Luzi

 

 

 

 

 

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