12 de abril de 2026

[ENTREVISTA] Lucas Brenelli lança o intimista EP “Interno – #1 sessão”

Lucas Brenelli Interno

(Crédito: Ana Teck)

 

O cantor e compositor paulista Lucas Brenelli lança o primeiro de uma série de EPs, “Interno – #1 sessão”, é o início de um desabafo com quem ouve. Composto por três canções, os temas são urgentes e íntimos, sem pretensão de tempo entre cada sessão e nem de seguir um gênero musical. Liberdade é o que busca o artista, que tocou todos os instrumentos no trabalho. 

“Liberdade de expressão. Não tenho outra pretensão além da necessidade de expor o que penso e sinto, e abrir espaço pra outros sentimentos fluírem também. Pensei mesmo em ciclos de músicas que abordassem temas íntimos, como um diário sonoro. Meu desejo é que nas outras sessões amigos-artistas próximos se juntem para expandir esse conceito e fundirmos essa experiência.”, explica Lucas Brenelli sobre o conceito do projeto.

O EP contou com arte visual, produção e co-arranjo por Rafael de Souza, o Rafouza, responsável pelo Lavanderia Estúdio.

 

 

CONCEITO

Um dos principais conceitos do EP é a ambiguidade, brincando com os significados da palavra “sessão”. Apesar da sonoridade idêntica a outros termos, elas são diferentes. Sessão é o conjunto de pessoas em torno de um objetivo. Como sessão de cinema, espírita ou de terapia, como é o utilizado pelo subtítulo do EP. Já “Seção”, é a ação de separar cortando.

“Seria como a ‘primeira parte’ de uma série de seções, um corte de algo muito mais profundo, que se desenvolve, e também como se fosse um departamento de minha mente sendo explorada sonoramente. E, por fim, “cessão”, de ceder algo, doação, transferência, entrega. Acho que essa nem preciso explicar (risos). Logo, colocar as três palavras se cruzando na capa foi a maneira que encontrei de linkar tudo visivelmente”, explica Lucas Brenelli.

 

 

 

É evidente que o EP é um desabafo interno seu. Pensando nisso, quais são as ânsias que você versa?

Escrevo a fim de me continuar. Tudo que me toca, eu canto. Digo, nunca tive diário, então…

 

Você considera as faixas do EP livres de amarras, se tornando um trabalho de liberdade musical e poética.

Sim. Creio que, principalmente nesse contexto, estar confortável com o que se é e diz, mesmo no próprio desconforto e em metamorfose ambulante (risos), é o que dá liga para a livre expressão. Em uma sessão de terapia, por exemplo, o intuito é despir-se de qualquer sobra de vestimenta. Logo, as outras sessões nunca serão as mesmas, a sonoridade há de intervir nessas nuances existenciais.

 

Lucas Brenelli Interno

(Crédito: Ana Teck)

 

“Nem sempre o melhor / É o que dói menos”, o que você quer dizer com este trecho da faixa “Sentidos”?

Que por vezes, o caminho de maior sofrimento é o melhor para nós, no sentido de crescimento e experiência. Se estendermos isso, também podemos considerar o lado sexual. Porém, nem sempre o melhor é o que dói.

 

Quais foram suas influências para chegar a este EP?

A vida, mesmo. Convivência e solidão. A contradição, talvez. Sonoramente falando, eu ouço bastante gêneros, dizer que eu ouvi algo específico com o intuito de influenciar esse trabalho, seria uma inverdade. Mas, no momento em que eu estava compondo/arranjando e gravando esse EP, eu ouvi bastante Jean Tassy e John Mayer, por exemplo.

 

Lucas Brenelli Interno

(Capa do EP)

 

O que você espera impactar no público em relação a este EP?

Não sei responder isso direito. A profundidade, talvez. Instigar.

 

-Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante(s) sobre esse lançamento para nos contar?

Esse trabalho foi gravado na sala de casa, em dois ou três dias. A arte visual foi inspirada em capas de jazz dos anos 50 e 60.

 

Sinta-se à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Quero agradecer ao espaço que me foi dado, ao Rafael de Souza que foi o principal produtor (eu fui dando uns pitacos, coproduzindo), ajudou nos arranjos do EP e o gravou todinho. E também a banda que me acompanha há um tempo considerável, tocando por aí e me ajudando a produzir, arranjar e realizar o meu primeiro álbum, que logo mais estará pelo mundão.

 


 

Textos de Julia Ourique – Entrevista e edição de Matheus Luzi 

 

 

 

 

 

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