18 de outubro de 2026

Baiano André Dias inicia carreira solo com EP de duas músicas inéditas

(Capa de “Primeiros Tons”)

Salvador é o berço de grandes artistas e isso vale, também, para o cantor e compositor André Dias, músico do cenário baiano com mais de uma década de experiência. Num novo momento, o artista está lançando sua carreira solo com o single “Primeiros Tons” e um EP com as faixas inéditas “Bem Mal” e “Cacos”, já disponíveis nas plataformas de streaming. Enquanto isso, no Youtube, é possível apreciar um clipe na qual, além de cantar, versa algumas palavras sobre as canções e sua vida artística.

Para 2020, André tinha grandes planos que, infelizmente, foram roubados pela inesperada crise causa pela pandemia. Porém, foi na dificuldade que ele encontrou novos caminhos. Decidiu, então, iniciar sua carreira solo de uma forma mais “leve”. Com a produção musical de André T, ele gravou as canções já citadas de uma maneira intensamente intimista mostrando que, apesar de ter vivido sobre as doses fortes do rock, sente outros gêneros musicais em seu coração poeta.

ESCUTE O CLIPE DE ANDRÉ DIAS

É importante lembrar que, apesar das adversidades, André Dias prepara novos lançamentos para 2021, incluindo o seu álbum de estreia.

Matheus Luzi – André, você já tem longa estrada no cenário da música e, em especial, de Salvador. Que tipo de bagagem isso te trouxe? O que essas experiências influenciaram na sua sonoridade e na sua poesia?

André Dias – Eu acredito que a maior bagagem que a gente traz no decorrer dos anos é o discernimento. É ter a capacidade de enxergar, sem deslumbres, os caminhos que podem ser trilhados nesse projeto. Na sonoridade e poesia, esse discernimento se traduz em segurança pra se desvincular das amarras que a gente mesmo se impõe. Eu acredito que, quanto mais o tempo passa, mais entendo os processos que me levam a compor. E isso deixa tudo mais fácil.

Matheus Luzi – Sua cultura, seu modo de vida, suas crenças influenciaram, de que forma, na sua carreira?

André Dias – Eu sempre me vi, enquanto artista, como uma esponja de sentimentos e emoções. Então, minhas músicas sempre trazem a forma como eu absorvo todas essas coisas que me cercam. Canções só ganham força quando expressam verdade e eu sempre estou na busca por colocar a minha verdade em minhas composições e nos meus projetos.

Matheus Luzi – Em relação aos seus projetos com bandas, o que você acredita que sua carreira solo traz como diferencial? Afinal, como você definiria o cantor, instrumentista e compositor André Dias?

André Dias – A grande diferença entre minha carreira solo e as minhas bandas anteriores é a relação com o rock. As bandas eram essencialmente de rock. Às vezes, rolava uma mescla com outros ritmos, mas sem perder o rock de vista.

Na carreira solo, o rock está presente. Mas ele é um elemento não essencial na estrutura das músicas. Então, o foco dessa nova caminhada é uma sonoridade mais intimista, que evidencie as letras, canções e sentimentos.

“Eu sempre me vi, enquanto artista, como uma esponja de sentimentos e emoções. Então, minhas músicas sempre trazem a forma como eu absorvo todas essas coisas que me cercam. Canções só ganham força quando expressam verdade e eu sempre estou na busca por colocar a minha verdade em minhas composições e nos meus projetos.”

Matheus Luzi – Como a música brasileira está cada vez mais “eclética”, sei que é um pouco difícil definir um gênero para o seu som. Mas mesmo assim, te pergunto: como você definiria o seu estilo musical?

André Dias – Essa é uma pergunta muito difícil de responder. E, à medida que o tempo for passando, vai ficar ainda mais difícil para os novos artistas que surgirem. A gente consome várias coisas, ouve várias coisas… Isso acaba se refletindo na música que a gente acaba fazendo…, mas entendo a necessidade de uma definição nesse sentido. Então, vamos arriscar dizer que meu som é MPB com elementos de blues, rock, folk, baião…

Doido, né? [risos].

Matheus Luzi – Agora seria legal você me falar, resumidamente, sobre as duas faixas que cravam seu lançamento em carreira solo.

André Dias – “Bem mal” é sobre navegar no mar do autoconhecimento e sobre os sentimentos agridoces que essa navegação pode nos proporcionar. Nesse processo, a gente consegue reconhecer que alguns males podem vir pro bem. Já “Cacos” fala diretamente sobre o fim de um relacionamento. Sobre não saber a hora certa de encerrar ciclos e aquele sentimento ambíguo que dá quando a gente vislumbra possibilidades de seguir em frente cruzadas com o medo de se prender ao passado.

Matheus Luzi – O que vem pela frente em sua carreira? Quais são seus planos para o futuro próximo?

André Dias – 2020 foi um ano em que eu – a maioria das pessoas – vivi em compasso de espera devido à pandemia. Isso me permitiu planejar melhor quais caminhos vou percorrer. Por isso, 2021 é um ano que promete uma agenda interessante de lançamentos. Ainda nesse primeiro semestre, pretendo lançar um disco cheio, com 9 músicas. Esse disco foi gravado em 2019 e iria lançá-lo em maio de 2020. Mas, veio a pandemia e tudo mudou. Nesse meio tempo, fui contemplado em um dos editais da lei Aldir Blanc e isso me deu a oportunidade de lançar o disco em áudio e vídeo, através de um álbum visual que está em fase de produção. Para o segundo semestre, penso em fazer uma live com o show de lançamento do disco e aguardar quais serão os avanços do processo de vacinação para começar a planejar a volta aos palcos e shows presenciais.

(Crédito: Josué Dias)

Matheus Luzi – Você acredita ter uma mensagem “central” em relação às suas músicas (essas lançadas e as próximas). Se sim, qual?

André Dias – Nesse “primeiro ato” de minha carreira solo, tenho um tema central que é a tristeza e a forma como ela permeia relações e pensamentos. É quase um estudo sobre o tema. Porque nessas canções de “Primeiros Tons” e nas do disco a ser lançado, tento trazer as diversas formas que a tristeza pode se apresentar sem que isso seja, necessariamente, algo ruim em nossas vidas.

Matheus Luzi – Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

André Dias – Vou contar, aqui, a história de como “Primeiros Tons” surgiu.

Como disse antes, tenho um disco pronto pra ser lançado. Quando veio a pandemia, me vi em um mar de ansiedade, medos e incertezas. Não sabia como as coisas iriam ficar, no que diz respeito ao mercado musical, shows e afins. Além disso, tinha o medo do coronavírus. Perdi pessoas queridas e, durante algum tempo, não vi muitas perspectivas de dar seguimento à carreira solo.

Com o passar dos meses, as coisas foram clareando em minha mente e decidi criar uma narrativa na qual pudesse pavimentar um caminho até o lançamento do disco. Foi aí que surgiu a ideia de gravar o vídeo de “Primeiros Tons”. Escolhi dois locais muito significativos para mim: a praia de Amaralina, em Salvador, que foi basicamente o local em que eu cresci e a varanda da casa da minha mãe, no bairro da Saúde no Centro Histórico de Salvador, que foi outro lugar no qual passei boa parte da minha infância.

Quando estávamos na fase de pós produção do vídeo, surgiu a ideia de lançar as canções também. Para isso, contei com a ajuda do meu querido amigo, e produtor do meu disco, André T para registrar as canções.

Assim, nasceu “Primeiros Tons”.

Matheus Luzi – Fique à vontade para falar o que quiser.

André Dias – Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pela oportunidade de falar mais um pouco sobre meu trabalho e ressaltar a importância de veículos que divulgam artistas independentes. É um canal, além das redes sociais, pra gente passar nossas ideias.

Em segundo lugar, agradecer e convidar quem curtiu “Primeiros Tons” a ficar ligado nas minhas redes sociais para mais novidades sobre o meu som.

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