19 de janeiro de 2026

EUA, a esperança do mundo? Artista português diz que sim em depoimento sobre sua música “America”

Fritz Kahn and The Miracles é um projeto musical de um artista português. Sua discografia é extensa, embora tenha sido iniciada no não tão distante 2020. Conheci-o por meio de uma plataforma, e o primeiro aperto de mãos aconteceu com o seu mais novo single, chamado “America”. Apertei o play e fiquei encantado com a sonoridade. Este foi o ponto de partida para, então, buscar a tradução da letra. Além da tradução, tive acesso à uma declaração do artista sobre a música, apesar de que nesta declaração ele mal cita a canção, apenas relata suas angústias sobre o mundo atual e sua esperança, o que implicitamente é sinônimo de uma explicação de “America”.

No texto enviado à imprensa, ele diz que, embora português, se sente americano e que vê nos Estados Unidos uma fonte de salvação para o mundo, assim como lamenta a violência urbana na sua querida terra natal. Honestamente, em particular não concordo em muitas das coisas que ele escreveu, principalmente quanto à América ser a salvadora do mundo, pelo contrário. No entanto, o editorial da Arte Brasileira permite esta abertura, desde que haja o mínimo de ética e bom senso humano. O intuito é a divulgação de conteúdos que gerem reflexões sociais, e este, você concordando ou não, é um bom material neste sentido. Afinal, falar do mundo por meio da arte é uma das principais características que norteiam nosso editorial. Nada nos impede, por exemplo, de uma dia publicar uma música chamada “URSS” com o seu autor declarando apreço pela antiga União Soviética. (Caso você tenha alguma crítica sobre isso, envie-nos um e-mail)

Além disso, as palavras do artistas foram escritas com maestria, é um texto agradável de se ler, muito bem construído e podemos nele sentir até as lágrimas do artista. Uma obra literária, por isso o compartilho com você, leitor. Infelizmente, usamos um tradutor automático, o que pode afetar sua integridade. Mas o que vale é a intenção, certo?

Exagerei? Creio que não, mas você poderá ter suas próprias impressões agora. Leia o depoimento após ouvir a música (a letra traduzida está no final da publicação)


Olá América. Eu fiz uma música para você. Ela não se compara a “Summertime” de Gershwin ou “Unforgettable” de Nat King Cole ou “Unforgettable”, de Nat King Cole. Mas pode acreditar que coloquei todo o meu ser em sua composição. Eu não nasci americano. Nasci em Portugal, um pequeno país da Europa.

Desde 1986, ano em que Portugal entrou para a União Europeia, eu me acostumei a me imaginar europeu. a me imaginar como europeu. Lembro-me de que, em 1986, as pessoas em geral estavam muito felizes por se tornarem parte de uma grande entidade política e econômica. Estavam ainda mais felizes com a entrada de dinheiro. Havia muito dinheiro entrando no país, vindo dos países ricos do norte da Europa, o que permitiria que a indústria, a agricultura e mentalidades se desenvolvessem nos países pobres do sudoeste, como Portugal. Muitas estradas foram construídas naquela época, muitos túneis e algumas pontes.

Não sei como nem por que, mas não está mais na moda gostar dos Estados Unidos. Alguém, possivelmente por motivos de propaganda ou geopolíticos, quis nos convencer de que ou gostamos da Europa ou gostamos dos Estados Unidos. Mas quando você ama, você ama, para sempre. E eu adorava os filmes, os desenhos animados, a música, as notícias fantásticas, tudo o que vinha dos Estados Unidos. Eu me lembro, Lembro-me, por exemplo, de toda a minha família assistindo ao noticiário, em uma pequena aldeia no interior de Portugal chamada “Minjoelho”. O apresentador do noticiário disse “boa noite”, e meus avós retribuíram o cumprimento com um “boa noite”. Naquele dia, a notícia era “Guerra nas Estrelas”. Os Estados Unidos haviam inventado uma rede de satélites que poderia combater outros países do espaço. Acho que até se falou sobre a possibilidade de raios laser vindos do espaço. Havia até a frase, repetida até se tornar um provérbio: “Only in America”. Somente nos Estados Unidos era possível sonhar. Somente nos Estados Unidos era possível conquistar o impossível, como o espaço, a lua, as estrelas.

Nos Estados Unidos estavam os melhores cientistas, os melhores técnicos, os melhores médicos; mas para mim, quando criança, havia os super-heróis. O Homem-Aranha, que me ensinou muito sobre responsabilidade, os X-Men, adolescentes com poderes especiais, O Super-Homem, cuja única fraqueza era a kryptonita. Todos eles nos salvaram do mal.

O mundo está muito perigoso hoje. Hoje, como quando eu era criança, acredito mais uma vez em uma América que nos salvará do mal. Milhares de ucranianos morrem em terra. Milhares de refugiados morrem no mar.

A terra onde cresci e onde vivo está tão diferente agora que não a reconheço mais. Era um vilarejo pacífico e agora é uma cidade cheia de perigos de todos os tipos. Inclusive perigo de vida, se, por exemplo, viajarmos à noite em lugares perigosos. Não era assim, não deveríamos ter medo de sair para passear a qualquer hora do dia ou da noite. Mas nós temos. Temos medo. Estamos com muito medo. E teremos cada vez mais medo. Espero que nunca cheguemos ao ponto em que, como em outras cidades, não possamos nem mesmo andar durante o dia. E teremos que abaixar a cabeça para os bandidos. Nos Estados Unidos que eu admirava, você nunca faria isso.

A vida não é um filme – aprendi isso por experiência própria. Mas ainda acredito em finais felizes. Não vejo um final feliz para a Europa, para Portugal, para minha terra natal. Talvez a América possa, talvez os Estados Unidos possam ter um final feliz. Estou esperando para ver o Eagle. Enquanto isso, estou cantando, como uma cigarra, canções de uma velha América, de um velho mundo, e agora, de um velho Gonçalo (meu nome verdadeiro). E se tudo der muito errado, e apesar disso, obrigado por nos fazer acreditar e ser feliz.


Letra de “America”

Gastei todo o meu dinheiro em uma passagem para Nova York
Cheguei ao porto de madrugada
Meu nome é McFerrin, venho das ilhas
Onde as ovelhas nunca abandonam a grama

Eu bebo e jogo, pensei que poderia me mexer
Meus pés nos sapatos de outro homem
Luto para viver, ganhei tudo o que rasguei
Todos nós acreditávamos na América
Todos nós acreditávamos na América

Queimei todos os poetas, de Withman a Donne
Só para manter o frio longe
Olhei para as estrelas no céu
Pensando que um dia eu seria uma

Traduzido com DeepL Translate

Da MPB a Nova MPB; Conheça Bruna Pauxis

Reprodução do instagram da artista. Presente nas plataformas digitais desde 2021, a jovem Bruna Pauxis tem nos fatores regionais influências.

LEIA MAIS

Celebrações pelo mundo: eventos culturais que transformam qualquer viagem

Viajar é mais do que conhecer paisagens ou tirar fotos em pontos turísticos. É também mergulhar de cabeça na alma.

LEIA MAIS

A Arte Não Precisa de Justificativa – Ep.1 do podcast “Mosaico Cristológico”

Neste episódio falamos sobre a obra de Hans. R. Rookmaaker – A Arte Não Precisa de Justificativa – e a.

LEIA MAIS

Timothy James: “O Brasil tem sido um grande apoiador das minhas músicas”

Você, amantes do country americano, saiba que há um novo nome na pista: Timothy James. Nascido nos anos 1980, o.

LEIA MAIS

CONTO: O Flagrante No Suposto Amante (Gil Silva Freires)

Eleutério andava desconfiado da mulher. Ultimamente a Cinara andava de cochichos no telefone e isso e deixava com uma pulga.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: o registro da etnografia de um tempo extinto++++++++++++++++++++++++3

Há pouco se apagou de vezno reduto dos dicionárioscerta palavra-chave. Henriqueta Lisboa 1. Nilson dos Santos (17.06.1970) nasceu em Currais.

LEIA MAIS

Música de Cazuza e Gilberto Gil também é um filme; você sabia?

“São sete horas da manhã   Vejo o Cristo da janela   O sol já apagou sua luz   E o povo lá.

LEIA MAIS

Muitos artistas querem o mercado; Tetel também o quis, mas na sarjeta encontrou sua liberdade

Tetel Di Babuya — cantora, compositora, violinista e poeta — é um projeto lançado por uma artista do interior de.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Conversa Ribeira e seu Brasil profundo

Três artistas de cidades interioranas, Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeão) e João Paulo Amaral (viola caipira.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: A história do samba por meio dos seus subgêneros (com Luís Filipe de

Em 2022, o violonista, arranjador, produtor, pesquisador e escritor Luís Filipe de Lima lançou o livro “Para Ouvir o Samba:.

LEIA MAIS