25 de junho de 2026

Poema “As flores se dobram”, de Deyvid W. B. Rosa

Um lírio morto.
As flores se dobram

Ao abrir a porta de casa, vejo que todas as flores no jarro estão dobradas.
Não por acaso.
Elas já foram, antes, arrancadas do solo.
Essa flor não é daqui.

Nauseado ou alérgico com seu perfume forte
e morto,
dobro-lhes o caule mais uma vez e as
coloco inteiramente dentro do saco plástico.

A leveza do saco me impressiona.
Há mesmo algo aqui
dentro?
De que matéria é feita essa flor?

A flor está morta,
mas ainda cheira bem.
Queria guardar suas pétalas,
ou comê-las.

Olho, assombrado, para o pó que resta em cima da mesa.
É pólen.

---

Acabou.
Não há mais o que colher nesta safra.
As flores estão mortas, os frutos estão podres.
O que antes era viço já desceu podre pela sarjeta.

É bom mesmo que os noruegueses tenham salvado as últimas sementes.

por Deyvid W. Barreto Rosa

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