13 de janeiro de 2026

A luta da mulher e a importância de obras que contribui nessa jornada

Não tem uma receita básica, não nascemos prontas. Aprendemos com a vida. Diariamente temos que lutar para se afirmar. Porque ser mulher é carregar com sigo a sua história, suas escolhas e decisões. O que não é nada fácil, pois ser mulher na sociedade é ter que mostrar todos os dias que você não é apenas um rostinho bonito ou um corpo aos serviços do homem.

Mas diante disso tudo surgem muitos questionamentos: O que é ser mulher diante dessa cultura machista? Com tantas coisas que nos acontecem a minha visão sobre ser mulher é diferente daquilo que a sociedade entende como mulher. Vivemos com medo. Ser mulher é sair de casa sem saber se vai voltar viva, se vai ser estrupada no meio do caminho, se vai ser assediada… Nessa subjeção muitos definem a mulher pela sua carne. E nós chegamos até aqui conquistando espaços, somos em grande número no ensino educacional, algo que era impossível décadas atrás, pois o patriarcado não permitia a mulher o conhecimento. Hoje somos sabedoras dos nossos direitos, temos a autonomia de escolhas e a autonomia de andarmos com as nossas próprias pernas. Claro, que ainda enfrentamos a resistência da família e de toda sociedade, durante séculos o mundo tem por sua história o poderio masculino.

Então nesse contexto histórico onde o homem sempre é a prioridade nós mulheres temos que fazer o dobro e mesmo que a mulher esteja no ensino superior e no ensino básico existem muitos processos que impedem que a mulher ingresse no mercado de trabalho. Um processo que faz com que a gente tenha que encarar todos os dias a desigualdade de gênero.

Você é tão bonitinha, mas é mulher. – Essa é uma fala típica do machismo.

Quando encontro uma mulher em situação de marginalidade, fico a me perguntar o que levou esta mulher a estar nessa situação. Ao mesmo tempo que surge essa indagação, ouço a fala de um homem a dizer: – Vai lavar louça. Ou seja, para uma sociedade arcaica o lugar da mulher é na cozinha. E ao ser colocada no papel de doméstica, ela é questionada, ela é exigida…

Como assim você não quer ter filhos?

Senta direito menina.

Menina estranha, ela não quis ficar comigo, deve ser lésbica.

Eu não entro nesse carro, mulher no volante é um perigo.

Você é do tipo feminista?

Então você escuta: – Mas você também pediu pra isso. Como se a mulher fosse a culpada de tudo. Por isso vejo a importância de grandes obras que contribuem com a nossa jornada de luta. O livro ‘’Mulheres da Resistência Revolução’’ vem com esse objetivo. A primeira edição foi desafiadora. Primeiro que trabalhar no coletivo é sempre complicado, surgem muitas divergências. Segundo que a jornada literária é uma estrada cheia de desafios.

Eu estive de frente com várias mulheres e passei pela passagem do tempo. O velho e o novo rompendo barreiras! Essa antologia traz isso, mulheres fortes rompendo barreiras, que nasce da necessidade de trazer questões, seja em versos, contos, prosas, recorrentes no dia a dia da mulher. Numa sociedade autoritária e extremamente machista é de suma importância organizar obras como esta. Claro que nada se constrói sozinho, tem a participação da Editora Contos Livres nisso tudo. Quando eu recebi o convite para essa empreitada não imaginava o tamanho do impacto que essa obra fosse causar.

O início não é nada fácil, é preciso muita determinação e uma boa mentalidade para aguentar todos os percalços que possam ocorrer. Confesso que eu tive medo de não corresponder, estava diante de vários olhares sobre o mesmo assunto, o que é normal. Esse meio literário também exige muito da mulher. Como falei no início, não tem uma receita básica. A sociedade está englobada em todas as áreas.

Eu sou mulata. Eu sou morena. Eu sou preta. Eu sou mulher. Eu sou feminista. A sociedade me enxerga assim e ela enxerga a mulher de uma forma geral a sua maneira, não como realmente a mulher é.

A mulher é terra, e como tal precisa de cuidado e respeito. Do seu útero nasce a vida. O ser feminino dá em abundância a reflexão sobre o que é a vida, sobre o que é lutar todos os dias para ter reconhecimento. Partindo dessa reflexão é que vos digo: Somos o que queremos ser, aquela mulher do patriarcado deixa de existir conforme vamos evoluindo e mudando os nossos pensamentos.

Clarisse da Costa

Nota:

Para adquirir o livro você pode entrar em contato com a Editora Contos Livres através do e-mail e redes sociais.

E-mail: contato@editoracontoslivres.com.br

Instagram: @editoracontoslivres

Para falar comigo, escritora, designer e organizadora da antologia você pode entrar em contato através das redes sociais.

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