Já é um sucesso o nosso quadro ALÉM DA BR, focado em artistas não-brasileiros. Com o ALÉM DA BR, já divulgamos mais de três mil músicas de artistas de todas as partes do mundo. Agora, apresentamos um novo lado desta lista, no qual iremos focar no processo de composição e criativo. Para isso, selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como foram estes processos de sus novas músicas. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
Vamos nessa?
Auro Moura – “Chaque Fois” – (Canadá)
Bom, primeiro tenho que falar que escrever essa música foi somente botar pra fora vários anos de experiência como imigrante, professor e amigo de outros imigrantes. Moro em Montreal, Canadá há 11 anos e já vivi e ouvi relatos de muitas situações inimagináveis pra quem nunca viveu fora do seu país de origem, em outra língua, cultura, tentando se integrar à sociedade e ouvindo nãos, sofrendo preconceito, sendo julgado, etc.
Sobre a parte musical:
O processo criativo de Chaque Fois foi algo que aconteceu de maneira bem natural. Eu comecei a escrever algumas ideias de letra, e a melodia já estava pronta na minha cabeça.
Como ela foi escrita direto em Francês, essa foi talvez a parte mais complicada. Eu não queria escrever em português e depois traduzir pq isso nunca funciona. E também não queria escrever coisas muito erradas e ter que arrumar tudo depois. Fiz algumas revisões do francês mas em geral, ela é muito similar ao meu primeiro rascunho.
A parte da harmonia também não foi muito diferente. Como eu contei com um arranjador, ele me pediu pra acrescentar e mudar alguns acordes ( e alguns ajustes foram feitos), e o processo de arranjo foi feito sobre a demo produzida na minha casa, e inclusive mantivemos a mesma levada da bateria que eu programei.
Fiquei muito feliz com o resultado e também com a oportunidade de compartilhar com vocês essa música, que se trata de um assunto tão profundo e próximo de mim.
Comentários Auro Moura
Cabela and Schmitt – “Sparrow in the Wind” – (EUA)
” Sparrow in the Wind “ , de Cabela e Schmitt , é mais do que apenas uma canção — é uma jornada profundamente simbólica pelo medo, pela incerteza e pela natureza frágil da liberdade humana. Com seu lirismo introspectivo característico, a dupla cria uma paisagem emocional que parece universal e profundamente pessoal.
O pardal se torna uma metáfora para uma alma presa entre o anseio e a limitação — flutuando em círculos, hesitante em saltar para o desconhecido. É um retrato delicado de como é resistir à mudança, mesmo quando a possibilidade de transformação está ao nosso alcance. A música captura essa tensão com maestria, personificando a luta entre permanecer preso a medos familiares e ousar abraçar uma vida desconhecida.
Musicalmente, o arranjo espelha o tema — suave, porém insistente, com melodias que flutuam como ventos de hesitação e acordes que ressaltam o peso da indecisão. Há uma paciência calma entrelaçada na música, quase como se o “administrador” mencionado na canção não estivesse apenas observando, mas abrindo espaço para o crescimento, esperando que o pardal finalmente descubra sua própria força.
O que torna ” Pardal ao Vento “ tão comovente é sua honestidade silenciosa. Não força a resolução, mas, em vez disso, reconhece a realidade da confusão, do medo e da resistência. A obra se dirige a qualquer pessoa que já tenha estado no limiar da mudança e sentido tanto a atração da possibilidade quanto a âncora da dúvida.
Em última análise, a faixa é um lembrete gentil de que liberdade nem sempre é uma questão de fuga — é sobre aprender a confiar no vento, arriscar abrir mão do controle e encontrar paz no próprio voo. Cabela e Schmitt entregam uma reflexão pungente e terna que perdura por muito tempo após a nota final, como o eco de asas em céu aberto.
Comentário Cabela and Schmitt
Luciano Cricelli – “PASSI E PAROLE” – (Itália)
Depois de ter escrito várias músicas para a cantora italiana Anna Cuomo, agora Luciano Cricelli resolveu estrear com uma música própria que sai com o título “PASSI E PAROLE” (passos e palavras). Essas duas coisas ressoam na cabeça de qualquer um como o herói dessa história que anda pela noite tentando esquecer uma mulher que foi-se embora. Enquanto isso ele entra em um bar e aí acontece o inesperado. Uma mulher misteriosa sorri pra ele e os dois acabam sendo dominados pela paixão. O resultado é que o homem constata que o que já foi nunca vai ser mais. E assim ele canta: Se agora não vejo mais o sol, um outro verão virá sem você.
Às vezes é só pegar o violão e as músicas saem sozinhas, diz Luciano. É só pensar o que aconteceu milhões de vezes em qualquer um de nós ou o que podia ter acontecido. O que tem de verdade não interessa, o que vale é criar uma situação plausível em que todos possam se reconhecer. Nesse texto ele admite que foi procurada uma forma em que tanto homem quanto mulher possam cantar.
A atenção foi posta no clima jazz e no ritmo que acompanha o passeio noturno de bar em bar e na atmosfera que devia ser uma mistura de tom menor com maior a implicar o gosto da noite que de repente passa de tristeza a paixão pelo novo encontro.
Em todas as plataformas.
Comentário Luciano Cricelli
Phildel – “Monument to Life”
Escrevi a música Monument to Life quando me inspirei no sentimento de amar alguém que não podia retribuir esse amor. Gostei de criar os arranjos de cordas para a música; havia algo muito natural na forma como ela se formou. Eu queria que soasse natural como uma canção.
Comentário de Phildel Ng
Jasmine Rho (Filipinas) – “Little Birdie”
Little Birdie foi inspirada pela sensação de ser deixada de lado ou esquecida por pessoas que você sabe que estão à sua frente — amigos que se afastaram, sem perceber que um dia entenderiam ou seguiriam seus passos. É essa mistura agridoce de solidão e orgulho silencioso — a constatação de que, embora outros possam te ignorar agora, eventualmente verão a verdade na sua arte e a força na sua independência.
Compus a música de improviso, quase como um fluxo de pensamentos, e no dia seguinte fui ao estúdio com meu produtor, Liam, para dar vida a ela. Queríamos que o som fosse leve e livre, como um pássaro voando sozinho — esperançoso, melancólico e seguro de si. No final da faixa, pedi a ele que adicionasse o som de pássaros cantando — um símbolo sutil de liberdade, autoconfiança e novos começos.
Compor “Little Birdie” foi catártico. Foi uma daquelas músicas que surgiram sem esforço, como se estivessem me esperando. Me ajudou a processar a dor de ser ignorada, transformando-a em algo orgulhoso e melodioso.
Para mim, Little Birdie representa a independência artística e emocional — o poder de voar mesmo quando ninguém está olhando. É um lembrete gentil de que ser fiel a si mesmo sempre levará os outros a enxergarem sua luz, mesmo que leve tempo.
Com gratidão e carinho.
Comentário de Jasmine Rho

