4 de junho de 2026

Peruano NUR relata carências sociais do seu país em “/deja vu”; nós o entrevistamos!

Compositor e intérprete: Arturo Paredes (NUR), do Peru, artista do rock alternativo. Música: “/deja vu” (single). Produção musical de Giovanni Rossi. Ano de lançamento: 2025.

Meu nome é Arturo Paredes, sou peruano, tenho 17 anos e NUR é o meu projeto musical. Nele eu componho, toco e interpreto tudo a partir de uma visão experimental e conceitual. É uma proposta de rock alternativo que mistura energia emocional, reflexão profunda e liberdade criativa. Inspiro-me tanto em sons britânicos quanto latino-americanos, e com minhas músicas busco devolver à música aquele sentido artístico que sinto que se perdeu em grande parte do mainstream de hoje. Por isso, procuro que cada canção minha tenha um propósito profundo e artístico.

Quando essa composição surgiu, o que a inspirou?
Essa música nasce da minha experiência com meu país, o Peru. Ter crescido na capital, sem necessidades ou carências, fez com que eu pensasse que essa era a realidade geral do país. Mas, à medida que fui crescendo, percebi que vivia em uma bolha, muito distante da realidade de grande parte do Peru. Esse foi um momento de ruptura na minha vida, principalmente no nível artístico, e acabou sendo o motor de todo esse projeto. /deja vu é um chamado para despertar para a realidade, olhar a cidade e reconhecer um problema do qual eu mesmo fiz parte.

Qual é a letra da música, qual é a sua mensagem?
/deja vu é ao mesmo tempo uma carta de amor e uma crítica à cidade. Fala das realidades tão diferentes que convivem ao nosso redor: algo comum no Peru, onde se pode ver luxo e pobreza numa mesma avenida. A música também questiona discursos políticos e promessas de mudança. Aborda o sentimento de estar preso em um ciclo que se repete várias vezes, no qual acabamos sentindo que a esperança de uma mudança é apenas um distante deja vu .

Quais aspectos musicais, que elementos musicais você trouxe para este lançamento?
Quando componho, sempre tento que a música caminhe junto com o conceito e a letra. Neste caso, queria que o som refletisse o contraste. Por isso, os versos têm um ar relaxante e nostálgico, com influências do R&B, enquanto os refrões explodem em uma estética mais shoegaze e de rock alternativo, com toques progressivos, como a inclusão de uma orquestra que dá mais dramatismo a essas seções. A música cresce em intensidade à medida que avança, refletindo essa mistura de confusão e frustração. A ideia era que ela fosse sentida como um escorregador de emoções, mas com continuidade no som.

Qual é o simbolismo da capa da canção?
No primeiro single, Boas Intenções, a capa mostrava uma cidade destruída e, no centro, a estátua em chamas de um libertador a cavalo: um símbolo de liberdade destruído. A capa de /deja vu busca contrastar com aquela: mostra a mesma estátua em perfeito estado, protegida, como metáfora do encobrimento por parte dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, nos convida a perguntar se realmente hoje gozamos da liberdade que essas estátuas representam.

Finalmente, há algo interessante que você gostaria de destacar?
Sim. No dia 12 de setembro lanço o EP Radio_noche, do qual /deja vu faz parte. É um trabalho no qual experimento com diversos gêneros: desde latinos, como bossa nova ou salsa, até influências estrangeiras, como o hip hop ou o rock. Se o conceito ou a música de /deja vu se conectarem com você, tenho certeza de que o restante do EP também vai te interessar.

Respostas de Arturo Paredes (NUR)

Newsletter

CONTO: A ansiedade do vovô na hora que o cometa passou (Gil Silva Freires)

Seo Leonel tinha nascido em 1911, um ano depois da primeira passagem do cometa de Halley neste século vigésimo. Dessa.

LEIA MAIS

[RESENHA] A literatura brasileira é seca, é úmida, é árida, é caudalosa.

            Desde a civilização mais antiga, a vida humana é orquestrada pelas estações do ano.  No poético livro “bíblico de.

LEIA MAIS

BINGO: O REI DAS MANHÃS – Tudo o que você precisa saber!

Lançado em 2017, é o primeiro longa do diretor Daniel Rezende (montador de “Cidade de Deus” (2002), “Tropa de Elite.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição22

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Literatura de Renan Wangler reforça ancestralidade e luta da população negra

A população negra precisa estar conectada com a literatura, cultura e arte, dessa forma podemos estar conectados com a nossa.

LEIA MAIS

A bossa elegante e original do jovem Will Santt

No período escolar do ensino médio, nasceu o princípio do pseudônimo “Wll Santt”. As roupas retrô e o cabelo black.

LEIA MAIS

Produzido por alunos do ensino público, Jornal PUPILA CULT está disponível em plataforma digital

Jornal PUPILA CULT é uma realização da OFIJOR – A Oficina de Experiência Prática de Jornalismo (OFIJOR) é um projeto social,.

LEIA MAIS

Comentários sobre “Saneamento Básico, O Filme”

Dialogo do filme: Figurante #1 -Olha quem vem lá!! Figurante #2 – Quem? Figurante #1 – É A Silene! Figurante.

LEIA MAIS

“Quer casar comigo?” (Crônica integrante da coletânea “Poder S/A”, de Beto Ribeiro)

Todo dia era a mesma coisa. Marieta sempre esperava o engenheiro chegar. “Ele é formado!”, era o que ela sempre.

LEIA MAIS

Andinho de Bulhões: ausência de lume na justaposição e na aglutinação

O sol novifluentetransfigura a vivência:outra figura nascee subsiste, plena Orides Fontela 1. Andinho de Bulhões nasceu em um povoado pertencente.

LEIA MAIS