1 de maio de 2026

Despedidas e reencontros: A Trilha sonora da vida

Por Fredi Jon, do grupo Serenata&Cia (abril de 2026) – A gente vive esperando a data certa pra sentir. Como se o coração tivesse agenda… e pior: como se respeitasse feriado.
Em 25 anos de estrada, aprendemos o contrário.

Teve uma cliente na Granja Viana, em São Paulo, que escolheu justamente o Dia do Trabalhador pra fazer sua despedida, olha a ironia: enquanto o mundo falava de trabalho, ela falava de vida. Reuniu família, amigos, celebrou o amor como quem sabe que o tempo não dá aviso prévio. Não contou o motivo ali. Mas disse algo que ficou: que a serenata liga o ontem ao agora. Dias depois, partiu. E deixou uma pergunta no ar: de que adianta trabalhar tanto e amar tão pouco?

Em outro dia, desses que alguém resolveu chamar de Dia Mundial do Amor, a gente entrou numa casa comum e saiu de lá com algo raro. Um pai quieto, econômico até no olhar, de repente resolveu falar. E quando abriu a boca… veio abraço, pedido de desculpa, veio lágrima atrasada. A família ficou sem saber se chorava ou aplaudia. No fim, fez os dois. Porque às vezes o amor não falta,  só está mal ensaiado.

E teve também um hospital, perto do Ibirapuera. Lugar onde a vida e a pressa andam de mãos dadas. Ali, no clima do Dia da Língua Portuguesa, a gente virou tradutor de sentimento. Um médico tímido, tímido num nível quase profissional, pediu ajuda pra dizer o que sozinho não dava conta. Fomos pelos corredores, cantando baixo, como quem pede licença pra emoção entrar. A resposta não veio na hora. E tudo bem. Nem todo “sim” precisa ser imediato pra ser verdadeiro.

Dois anos depois, ele chamou de novo. Outra cena, outra luz, mesma história em continuação. Agora juntos. A gente só pensou: ainda bem que ele não desistiu no silêncio do primeiro capítulo.
No fim das contas, essas datas todas, trabalho, amor, palavra, são praticamente a mesma coisa com nomes diferentes. A gente é que inventa rótulo pra organizar o caos bonito que é sentir. E tem mais um detalhe que pouca gente percebe: todas elas caem no mesmo dia, 01 de maio.
E talvez seja aí que a gente se engana bonito.
Porque não é o calendário que marca o momento… somos nós que, às vezes, desmarcamos a vida.
A gente adia o abraço, revisa demais a frase, ensaia tanto o gesto que ele perde a coragem. Espera o “dia certo”, como se o tempo fosse educado o suficiente pra esperar a gente também.

Então, no fim, e sem romantizar demais, a vida é meio desorganizada mesmo. Ela entra sem bater, mistura despedida com reencontro, coloca riso no meio do choro e, quando você vê… já virou memória.
E memória, meu amigo, não aceita reagendamento.
Por isso, se for pra errar… erra fazendo.
Se for pra falar… fala meio torto mesmo.
Se for pra amar… não espera o próximo 01 de maio.
Porque, quando a gente deixa pra depois, o depois costuma ter uma péssima mania:
ele não chega.

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