15 de outubro de 2026

O espelho escondido no aplauso (Fredi Jon)

Por Fredi Jon (Serenata&Cia) – Depois de uma serenata, gosto de voltar para casa em silêncio e pensativo porque acho justamente quando ela termina que começo a escutá-la de verdade.

Naquela noite, enquanto dirigia, pensei em uma coisa curiosa: durante tantos anos cantando para as pessoas, percebi que quase nunca entregamos uma serenata apenas para quem a recebe.

Entregamos também para quem observa, e cada pessoa escuta de um jeito.

Alguns se emocionam, outros sorriem, outros lembram de alguém, e há quem simplesmente ache bonito.

Quase sempre recebo muito mais carinho e elogios do que críticas. E isso me faz pensar que o elogio também merece ser observado com cuidado.

Porque, afinal, o que significa quando alguém diz: “Você é maravilhoso”?

Está falando de mim ou está falando daquilo que sentiu através de mim?                 

Talvez o elogio seja menos um espelho nosso e mais um espelho de quem olha, assim como a crítica também.

Às vezes somos elogiados por aquilo que nem sabíamos possuir e criticados por aquilo que nem tínhamos intenção de mostrar.

Então, quem está certo?

O crítico? O admirador? Ou nenhum dos dois?

A vida não é um concurso em que alguém recebe a nota definitiva sobre quem somos. Eu posso cantar uma música e alguém achar extraordinária.

Outro pode achar apenas razoável. E ambos podem estar dizendo a verdade.

A música não termina nos meus dedos mas termina, ou começa, na história de quem escuta.

O elogio pode inflar o ego, a crítica pode feri-lo, mas os dois só conseguem fazer isso quando entregamos a eles o controle da nossa medida.
Continuei dirigindo.                          

No banco de trás, meu violão e a cartola. Na cabeça, aquela velha pergunta:

Se uma pessoa me aplaude, isso me torna melhor? Se outra me critica, isso me torna pior?

Não. Sou o mesmo antes, durante e depois do aplauso.

Aprendi que receber o elogio sem morar dentro dele e a receber a crítica sem construir uma casa dentro dela é o mais sensato a ser feito.

Uma serenata me ensinou algo que nenhum palco poderia ensinar: cada pessoa ouve a música a partir da própria história.

Por isso, quando alguém fala de nós, está revelando muito mais sobre o lugar de onde nos observa do que sobre o lugar onde realmente estamos.

E eu sigo cantando porque descobri uma coisa ainda mais interessante: não preciso que uma música agrade a todos.

Preciso apenas que, para alguém, ela diga exatamente aquilo que o coração estava tentando lembrar.

Conheça a nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788.
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