3 de maio de 2026

Literatura: espaço de fala

O livro é uma estrada livre sem muros. São vivências, inúmeras histórias, pensamentos lógicos e situações ilógicas.  

Como escritora, eu vejo os livros como um espaço de fala para muitas pessoas excluídas pela sociedade. E digo isso também como mulher preta que está no seu papel de ativista e militante. O meu papel é dar ênfase à literatura afro-brasileira como também estímulo à literatura feminina.  

Eu estou sempre conectada com a minha negritude, formando parcerias com pessoas ativas na luta como William Félix, Samuel da Costa e Cedric de Oliveira Felipe. 

William Felix é formando de histórico conselheiro tutelar entre 2016 a 2020, 

Coordenador de igualdade racial em Nova Santa Rita no Rio Grande do Sul entre 2022 a 2025, presidente da escola de samba Estado Maior de Morretes, ativista do Coletivo Reforma Preta, escritor ativo natural de Porto Alegre no Rio Grande do Sul.  

Samuel da Costa é natural de Itajaí, funcionário público municipal, estudou Publicidade e Propaganda na Univali; formado em letras, com ênfase em literatura, pela Uniasselvi de Balneário Camboriú, militante dos movimentos: negro, sindical e estudantil. Membro do conselho editorial da revista O Estilingue. Lançou os livros: Horizonte vermelho (de poesias); Uma flor chamada margarida (poesias e contos); Século XX (novelas e contos) e Solaris lV (poesias) e Hiper-grafia (poesias). 

Cedric de Oliveira Felipe é da cidade de Jacareí, no interior do estado de São Paulo, trabalha em serviços gerais. É rapper, escritor e compositor. Cedric têm diversas participações em eventos do Hip hop como o famoso evento São Bento no centro de São Paulo e atuante em antologias pela Editora Contos Livres. Tem poesias declamadas na rádio Web Rádio Benites na voz do locutor Pedro Benites, na cidade de São José em Santa Catarina.  

Nessa caminhada estou sempre buscando diariamente me conectar com as minhas origens, com o solo sagrado manchado de sangue onde o nosso país renega a sua própria história.  

Entrar em temas fortes faz com que tenhamos o nosso espaço de fala, onde a nossa africanidade é um rito de passagem para uma luta justa e humana.  

Nós somos a “África brasileira”. Por que não abrir espaço para a literatura afro-brasileira? Elaborar projetos como Africanidade e Lutas, Africanidade Feminina e África e suas histórias, só vêm abranger todo o cenário cultural desse país. Claro que nada se faz sozinho eu tive e tenho o apoio da Editora Contos Livres o que me faz continuar nessa luta aproveitando os espaços.  

Contudo, enriquece o nosso conhecimento em vários aspectos, trazendo a importância de se resgatar através de um escritor ou escritora negra, a verdadeira história.  

A literatura afro-brasileira é um cenário pouco explorado e incentivado no Brasil.  

Através da literatura afro-brasileira a nossa história pode ser contada de forma correta pelo nosso próprio ponto de vista e uma linguagem que reproduz a nossa realidade. 

Indo bem mais a fundo nesse contexto podemos ver que o espaço é limitado para nós mulheres. O sistema oprime as vozes femininas, ainda podemos ver países negando às mulheres o direito de se expressar e se educar através do conhecimento. Quantas escritoras pelo mundo estão com seus sonhos engavetados?  

A literatura feminina explora temas e perspectivas únicas, na sua maioria experiências relacionadas às suas vivências na sociedade. Não pense que é uma escrita melosa e romântica, muitas mulheres vão além dos estereótipos recebidos. É uma literatura rica que aborda assuntos como relacionamentos, empoderamento, maternidade, sexualidade, identidade, opressão e tantos outros assuntos. 

É um passo grande estar nesse caminho e ver outras mulheres chegando junto comigo. É desafiador para toda a comunidade negra.  

Artigo de Clarisse da Costa escrito em maio de 2025

Newsletter

Música de Cazuza e Gilberto Gil também é um filme; você sabia?

“São sete horas da manhã   Vejo o Cristo da janela   O sol já apagou sua luz   E o povo lá.

LEIA MAIS

Por que os artistas gospels fazem lançamentos com playbacks?

É comum (e até tradicional) que artistas da música gospel realizem lançamentos acompanhados de playback, uma faixa a mais sem.

LEIA MAIS

Autor publica livro de fantasia sobre a 3ª Guerra Mundial na América do Sul

O autor brasileiro Pedro Reis, publicou ano passado, um livro de fantasia e ficção científica, onde a ideia de uma.

LEIA MAIS

Editoras para publicar seu livro de ficção científica e fantasia

Para aqueles que amam a fantasia e a ficção científica, sejam leitores ou escritores, trago aqui três editoras brasileiras que.

LEIA MAIS

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: O quê realmente faz o diretor de imagem? (com Diogo Pace)

Este episódio tem o intuito de investigar uma profissão essencial de toda produção audiovisual, como programas de entretenimento e jornalismo,.

LEIA MAIS

Chiquinha Gonzaga: compositora mulher mestiça

A mítica compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) representa um divisor de águas na história da música brasileira. Nela, convergem 3 marcos.

LEIA MAIS

“Fiz da arte um motivo para viver” – por Pedro Antônio

Quadro “Cinco Girassóis” de Pedro Antônio   Meu nome é Pedro Antônio, tenho 23 anos, e hoje eu posso afirmar que.

LEIA MAIS

Sonoridades dos continentes se encontram em “Saudoso Amarais”, disco do artista campinense Leandro Serizo

O projeto solo discográfico do paulista Leandro Serizo se iniciou em 2021, quando o single “Libertas Navy” foi disponibilizado. Aproximadamente.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS