26 de junho de 2026

Literatura: espaço de fala

O livro é uma estrada livre sem muros. São vivências, inúmeras histórias, pensamentos lógicos e situações ilógicas.  

Como escritora, eu vejo os livros como um espaço de fala para muitas pessoas excluídas pela sociedade. E digo isso também como mulher preta que está no seu papel de ativista e militante. O meu papel é dar ênfase à literatura afro-brasileira como também estímulo à literatura feminina.  

Eu estou sempre conectada com a minha negritude, formando parcerias com pessoas ativas na luta como William Félix, Samuel da Costa e Cedric de Oliveira Felipe. 

William Felix é formando de histórico conselheiro tutelar entre 2016 a 2020, 

Coordenador de igualdade racial em Nova Santa Rita no Rio Grande do Sul entre 2022 a 2025, presidente da escola de samba Estado Maior de Morretes, ativista do Coletivo Reforma Preta, escritor ativo natural de Porto Alegre no Rio Grande do Sul.  

Samuel da Costa é natural de Itajaí, funcionário público municipal, estudou Publicidade e Propaganda na Univali; formado em letras, com ênfase em literatura, pela Uniasselvi de Balneário Camboriú, militante dos movimentos: negro, sindical e estudantil. Membro do conselho editorial da revista O Estilingue. Lançou os livros: Horizonte vermelho (de poesias); Uma flor chamada margarida (poesias e contos); Século XX (novelas e contos) e Solaris lV (poesias) e Hiper-grafia (poesias). 

Cedric de Oliveira Felipe é da cidade de Jacareí, no interior do estado de São Paulo, trabalha em serviços gerais. É rapper, escritor e compositor. Cedric têm diversas participações em eventos do Hip hop como o famoso evento São Bento no centro de São Paulo e atuante em antologias pela Editora Contos Livres. Tem poesias declamadas na rádio Web Rádio Benites na voz do locutor Pedro Benites, na cidade de São José em Santa Catarina.  

Nessa caminhada estou sempre buscando diariamente me conectar com as minhas origens, com o solo sagrado manchado de sangue onde o nosso país renega a sua própria história.  

Entrar em temas fortes faz com que tenhamos o nosso espaço de fala, onde a nossa africanidade é um rito de passagem para uma luta justa e humana.  

Nós somos a “África brasileira”. Por que não abrir espaço para a literatura afro-brasileira? Elaborar projetos como Africanidade e Lutas, Africanidade Feminina e África e suas histórias, só vêm abranger todo o cenário cultural desse país. Claro que nada se faz sozinho eu tive e tenho o apoio da Editora Contos Livres o que me faz continuar nessa luta aproveitando os espaços.  

Contudo, enriquece o nosso conhecimento em vários aspectos, trazendo a importância de se resgatar através de um escritor ou escritora negra, a verdadeira história.  

A literatura afro-brasileira é um cenário pouco explorado e incentivado no Brasil.  

Através da literatura afro-brasileira a nossa história pode ser contada de forma correta pelo nosso próprio ponto de vista e uma linguagem que reproduz a nossa realidade. 

Indo bem mais a fundo nesse contexto podemos ver que o espaço é limitado para nós mulheres. O sistema oprime as vozes femininas, ainda podemos ver países negando às mulheres o direito de se expressar e se educar através do conhecimento. Quantas escritoras pelo mundo estão com seus sonhos engavetados?  

A literatura feminina explora temas e perspectivas únicas, na sua maioria experiências relacionadas às suas vivências na sociedade. Não pense que é uma escrita melosa e romântica, muitas mulheres vão além dos estereótipos recebidos. É uma literatura rica que aborda assuntos como relacionamentos, empoderamento, maternidade, sexualidade, identidade, opressão e tantos outros assuntos. 

É um passo grande estar nesse caminho e ver outras mulheres chegando junto comigo. É desafiador para toda a comunidade negra.  

Artigo de Clarisse da Costa escrito em maio de 2025

Newsletter

ENTREVISTA – Literatura de Renan Wangler reforça ancestralidade e luta da população negra

A população negra precisa estar conectada com a literatura, cultura e arte, dessa forma podemos estar conectados com a nossa.

LEIA MAIS

A bossa elegante e original do jovem Will Santt

No período escolar do ensino médio, nasceu o princípio do pseudônimo “Wll Santt”. As roupas retrô e o cabelo black.

LEIA MAIS

Damião Costa: a pintura como morada do instante

O artista Damião Costa (São Vicente, RN, 1987), desde a infância, quando os olhos se detinham nos leilões televisivos de.

LEIA MAIS

Rosana Puccia dá voz a mais dois temas atípicos no mercado musical brasileiro

Em atividade discográfica desde 2016 quando apresentou o álbum “Cadê”, Rosana Puccia é, de verdade, uma colecionadora de canções atípicas,.

LEIA MAIS

Curta a Festa Junina ao som de “Arraiá da Aydê”

A festa junina originou-se antes mesmo da Idade Média, há séculos. No Brasil, foi trazida pelos portugueses ainda no Brasil.

LEIA MAIS

“Minha jornada musical entre o Brasil e a Alemanha” – Um relato de Juliana Blumenschein

Sou Juliana Blumenschein, cantautora alemã-brasileira, nascida em 1992 em Freiburg, no sul da Alemanha. Filha de brasileiros de Goiânia, meus pais migraram.

LEIA MAIS

Silvo Carlos: eu quero uma casa no campo, de um tamanho ideal…

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,Pergunto a.

LEIA MAIS

Carlos Gomes: um naïf registra e exulta uma pintura lúdica

O homem benigno faz bem à sua própria alma, mas o cruel perturba a sua própria carne. Provérbios, 11, 17.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

[RESENHA] A literatura brasileira é seca, é úmida, é árida, é caudalosa.

            Desde a civilização mais antiga, a vida humana é orquestrada pelas estações do ano.  No poético livro “bíblico de.

LEIA MAIS