13 de junho de 2026

Vinicius Braz é bem-aventurado em single de estreia; ouça o pop alternativo “Perto”

Compositor antigo e tantos anos como integrante de bandas pode explicar, talvez, o belo acerto de Vinicius Braz em sua carreira solo. Quem fala é este colunista, mas não na condição de técnico, daqueles que avalia a produção musical, a afinação vocal, enfim. Digo “parabéns” com bastante entusiasmo, não comum em estreias. É, contudo, um aplauso à sensibilidade tão forte de “Perto”, a música responsável por lançar o nome de Vinicius Braz como cantor e compositor.

Ele conta no comunicado de imprensa que há muitos anos sonha em ter autonomia no processo criativo. E, independente se é intencional ou não, a letra de “Perto” parece demonstrar alguém tanto “perto” quando “distante” de algo, um dualismo que serve para o jovem que almeja a independência artística e para o mesmo jovem que se viu diante da depressão. Veja:

Perto de enfrentar todos os seus medos
Perto de abdicar de todos os desejos
Longe de perceber que existe saída
Longe de tentar tudo que tanto sonhou
 
Perto de perder todas as suas crenças
Perto de olhar por um outro prisma
Sufoca a negação de que é preciso crescer
Perde ao não tentar mais se entender
 
Nem olhando bem de perto
Você vai perceber
O próximo passo
Pra se entender
E viver melhor

Vinicius Braz acerta também na escolha do tema. Depressão e outras doenças do gênero são discutidas amplamente neste século XXI. Mas dizê-las em poesia combinada à melodia leve é potente, a arte tem esse poder. O artista conta que é exatamente esse o intuito, abrir uma caixa de diálogo com o ouvinte.

Quero despertar identificação e empatia, a despeito das miragens projetadas em redes sociais. Eu quero que quem escutar sinta que é perfeitamente normal passar por guerras interiores, se sentir frágil e imperfeito. Não vale a pena viver refém das idealizações que os outros criam sobre quem você é e como deveria agir. Parece óbvio e talvez seja mesmo, mas tem sido cada vez mais fácil perder a conexão com nosso interior e com o que realmente importa

Viviane Franco e Felipe Teixeira estiveram com Vinicius Braz na produção musical, igualmente importante para que o diálogo anteriormente mencionado fosse um sucesso. Para Vinicius, a ideia do tom melancólico guiado por bateria e sintetizadores teve um sentido de urgência. “Mas também coloquei elementos que remetem a esperança e alívio. Tem nos versos violão e baixos pulsantes acompanhados por rhodes, que têm um contraste com uma bateria mais swingada”, contou Braz, que baseou os arranjos e a melodia em nomes caros para sua formação artística, como Damon Albarn, Radiohead, Cícero e Milton Nascimento.

Vinicius tem sua obra impactada pelo bairro de Bangu, zona oeste da capital fluminense, o que estará também presente nos próximos singles e no EP de estreia. “Nesse EP, Eu decidi falar mais sobre a minha trajetória, o bairro onde cresci e todas as recordações e experiências que me fizeram quem sou hoje.”

Foto da capa da publicação: Vinicius Braz em fotografia de Eduardo Pratts (divulgação)

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

Chiquinha Gonzaga: compositora mulher mestiça

A mítica compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) representa um divisor de águas na história da música brasileira. Nela, convergem 3 marcos.

LEIA MAIS

CONTO: Aqueles Cães Que Latiam e Os Visitantes Que Não Batiam (Gil Silva Freires)

Desde que se mudara, Leonardo não conseguia dormir direito. E sua insônia não era causada por problemas financeiros ou sentimentais..

LEIA MAIS

Maringa Borgert guia passeio pela história, cultura e artes do Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul é um estado independente e unidade da Federação desde o final dos anos 1970 quando.

LEIA MAIS

Ana Canan: metáforas da solidão extraídas da natureza

Clique aquiClique aquiClique aqui Perfil Ana Canan FlickrClique aqui Previous Next Suave é viver sóGrande e nobre é sempreviver simplesmente.Deixa.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

Os vários Olhos D’agua de Conceição Evaristo

Poderia ser mais uma daquelas resenhas que escrevo sobre um livro que eu acabara de ler, no entanto é algo.

LEIA MAIS

Clarice Lispector – Como seria nos dias atuais?

(Crônica de Brendow H. Godoi) Quem seria Clarice Lispector se nascida na década de noventa? Talvez, a pergunta mais adequada.

LEIA MAIS

Produzido por alunos do ensino público, Jornal PUPILA CULT está disponível em plataforma digital

Jornal PUPILA CULT é uma realização da OFIJOR – A Oficina de Experiência Prática de Jornalismo (OFIJOR) é um projeto social,.

LEIA MAIS