12 de julho de 2026

“Deixe-me ser o que eu quiser!”

Foto de Matheus Lustosa / Capa do single

“Mãe, eu gosto de brincar de ser a bailarina, porém curto mais batuque, toco cavaquinho muito bem”. É este a frase de entrada de “Deixa Eu”, o novo single brasileiríssimo da cantautora mineira Sofia Cupertino, em parceria com Iara Ferreira, autora da letra.

Esta menção inicial serve de apoio aos próximos versos, e também de sintetizadora de sua grandiosa mensagem. Ao unir o “gostar do balé e ser boa no samba”, justifica-se, a olhos atentos, o atraente título da obra.

“deixa eu”, numa análise mais estendida e ampla, entende-se como a profundidade subjetiva do ser sem filtros, sem definições do que seria para meninos e meninas, para adultos e crianças, para ocidentais e orientais. A liberdade das ações é a magia da música.

Entretanto, a equação lógica-emocional das autoras e de Luísa Lacerda, cantora e violonista carioca que acompanha na gravação, é atacar artisticamente e com elegância topmodel de vez as restrições ao livre exercício das mulheres.

Os dois entendimentos posiciona “Deixa Eu” como de dimensão universal. Ouso dizer que caso os povos chineses, franceses, congoleses, nicaraguenses, afegãos, canadenses e chechenos a escutem traduzida e adaptada as suas culturas, daria match mole-mole no coração, mesmo com a autocensura moral.

Por fim, é necessário pontuar que este lançamento, guiado pela produção musical de Rafael Macedo e Rafael Dutra, é um pequeno fragmento de “Venusiana”, álbum que Sofia lançará em abril.

LETRA

Mãe, eu gosto de brincar de ser a bailarina, porém,
Curto mais batuque
Toco cavaquinho muito bem
Pai, eu gosto de brincar de ser a heroína também,

Agência Retalho

E de pega-pega,
De chutar a bola no quintal
No país do futebol, meu sonho é ser a Marta,
E fazer a multidão vibrar depois de um belo gol
Mas se o povo que anda triste não for ao delírio, aí,
Posso ser palhaça, supercientista, nem sei,
Poeta, professora, ambientalista e até,
Boa marceneira, multinstrumentista,
Presidenta ou rainha!
No país do carnaval, quero ser Dona Ivone Lara,
E fazer a multidão cantar feliz o seu amor
Mas se o povo que anda triste não cantar comigo, então,
Canto eu sozinha,
Essa voz é minha,
Sonho meu, deixa eu
Deixa eu.

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