21 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Em novo livro de poesia, Lorena Brites traz o diferente ao brincar com as palavras

AVesso Reverso

 

Diferente do primeiro livro “Acervo de Palavras” (2015), que marcou o sucesso da escritora na literatura, “Avesso Reverso” mostra o lado B da poetisa, com textos rápidos e ácidos, Lorena Brites apresenta em poucas linhas um humor levemente sarcástico, que desvenda as diferentes fases do amor e questões do próprio eu vividas por todos em algum momento da vida.

“Acho que uma característica dos meus poemas é o jogo de palavras. Adoro brincar com a sonoridade e o significado delas, palavras com múltiplos sentidos. “Avesso Reverso” faz referência ao nosso interior revisitado, reflexivo, introspectivo e a forma como ele pode ser externado, em versos, em poesia. Essa foi a minha ideia e espero causar o mesmo impacto nos leitores”. Explicou a autora.

 

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Avesso Reverso
Divulgação

 

O que “Avesso Reverso” tem de diferente em relação ao seu primeiro livro? O que o público pode esperar?

O meu 1º livro foi lançado há três anos, nessa época eu tinha 24 anos, e ele foi escrito ao longo de muitos anos da minha vida. Na verdade compilei todos os meus poemas de diferentes períodos (escrevo desde a infância), e no livro dei preferência para os que me tocavam mais ou que eu considerava mais interessante para o público. Acredito que assim como muitos poetas, o amor é o que permeia os meus versos. E ele se faz presente no 1º livro de um modo muito delicado. Falo bastante sobre minhas vivências e claro, sobre as palavras. Tenho uma certa obsessão por elas. Diferente do “Avesso Reverso” (lançamento em breve), onde também falo sobre o amor entre outras questões inerentes, porém de uma maneira mais seca, direta e objetiva.

É difícil falar de nós mesmos, sempre temo passar uma impressão errada, de parecer arrogante ou superior, mas, também temos que saber nosso próprio valor. E acredito que o público vai se identificar com os temas abordados e ficar com vontade de quero mais. Por ser um livro ágil e instigante.

 

Desde de quando o livro vem sendo escrito?

A minha escrita é muito despretensiosa e por isso natural, não tinha ideia se lançaria outro livro, mas o “Avesso Reverso” nasceu logo após o lançamento da minha primeira obra. Tenho o costume de andar com um caderninho de anotações, hoje faço isso também pelo celular. E quando estava na Bienal Internacional do Livro do Rio (2015), expondo o “Acervo de Palavras”, comecei a escrever algumas frases curtas, escrita que gosto muito e tenho como referência o poeta Paulo Leminski. Sempre quis escrever poemas como ele, e percebi que poderia me dedicar ao seu estilo. Então, ao todo o livro vem sendo produzido há três anos.

 

Quais são os “assuntos” que você trata na obra?

Falo das minhas vivências, especialmente as amorosas e também cito o próprio fazer poético, as palavras e a importância de seus significados. Considero meus poemas quase microcontos. Muitos deles retratam de forma subjetiva situações que acontecem no dia a dia e na vida comum de boa parte das pessoas, claro, que sempre em um tom poético e um pouquinho sarcástico. Como por exemplo:

 

BIPOLAR

“Às vezes é bom tentar

para ver que não adianta insistir” – pág. 47.

 

Nesse trecho revelo algo que todos nós já vivenciamos em algum momento. Quantas vezes insistimos numa coisa que parece destinada a dar errado? E mesmo assim persistimos até que um dia entendemos que não adianta mais? Gosto da ironia, desse humor meio ríspido e ao mesmo com fundo de verdade, que brinca com o próprio azar e infortúnios da vida.

 

Você teve alguma influência para a criação das poesias?

Sim, como citei anteriormente, o poeta Paulo Leminski me fascina. Sou apaixonada por poemas que dizem muito em poucas palavras, e essa é sem dúvida uma marca minha que converge com o Leminski. Comecei a ler poemas ainda criança através dos livros dele e também não posso deixar de lembrar do Fernando Pessoa, a quem atribuo uma grande referência aos questionamentos do próprio eu, à poetisa Florbela Espanca, em sua intensidade ao falar de amor e ao Mário Quintana, pela simplicidade e leveza da escrita. Acho que meus poemas são uma mistura de todos esses poetas que me inspiram.

 

Em “Avesso Reverso” você faz muitas “brincadeiras” com as palavras, não é?

Exatamente. O próprio título contém múltiplos significados a partir de duas palavras. “Avesso”: contrário e “Reverso”: o que está oposto a algo, e ao mesmo tempo quis indicar ainda, o poema “Re-verso”, revisto (lido) por outro aspecto ou vários. Notei isso após leitores virem falar comigo sobre a maneira como escrevo. Eu mesma nunca havia prestado atenção e comecei a reparar, que de fato, meus textos geralmente têm algum jogo sonoro e principalmente apresentam dualidade. Adoro “brincar” com palavras opostas, expressões populares e coisas que possam sugerir duplicidade de sentido, como por exemplo:

 

“Só quem é ímpar

Sabe fazer par” – pág.09

 

“Feita vísceras

Odeio muros

Sou poros puro” – pág.44

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o livro?

Não. O livro foi totalmente planejado, não o seu início, mas assim que percebi que teria um bom conteúdo para os leitores, organizei os poemas em uma sequência que desencadeiam numa espécie de início, meio e fim.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

Quero agradecer a oportunidade para divulgar o meu trabalho e convidar a todos para o lançamento do “Avesso Reverso” no próximo 04 de outubro às 19h, no Solar dos Massa, em Cabo Frio – RJ. E para quem quiser acompanhar as novidades sobre o “Avesso Reverso” e demais publicações pode acessar minha página no Facebook e no Instagram: @artinverso.

 

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