24 de outubro de 2026

Antonio Neves se aventura pelo trombone em disco de música popular [ENTREVISTA]

 

Ele fez algo diferente: levou o trombone para a música popular. O nome dele é Antonio Neves, que também se pergunta “quem disse que lugar de trombone é na orquestra?”. Foi com esse pensamento de contrariar o senso comum, que Antonio Neves lançou o disco PA7, que também serviu como uma grande homenagem ao trombonista brasileiro Roberto Marques. Vale muito a pena ouvir o que esse álbum tem a nos dizer, ainda que sem palavras.

 

Abaixo veja na íntegra uma entrevista especial que fizemos com o músico:

 

 

Com esse álbum, você conseguiu provar que nem sempre o lugar do trombone é na orquestra…

Acho que um instrumento não se limita a um estilo ou a algum contexto musical. Já se ensina trombone nos conservatórios há mais de 500 anos e ele sempre esteve presente em diversas vertentes. Podemos lembrar grandes nomes no jazz por exemplo: JJ Johnson, Frank Rosolino, Curtis Fuller. No samba: Candinho, Nelsinho, Zé da Velha. No Funk: Fred Wesley e até nas bandas de rock como Frank Zappa. Acabou também que o trombone tem se popularizado graças aos blocos de carnaval.

 

Como surgiu a ideia de mesclar o funk com o samba? E ainda mais a fundo, fazendo músicas alegres e também melancólicas?

Além da união de funk e samba é possível perceber também a presença de rock, jazz e até bolero. Essa mistura acabou acontecendo naturalmente. Absorvi essas influências no decorrer da minha carreira nos trabalhos que participei. Já as melodias eu diria que apenas vieram num momento de inspiração e eu fui uma espécie de canal.

 

E como o trombone entra nisso tudo?

Foi curioso e inesperado, eu diria. Sempre fui baterista e até 2012 eu nunca tinha tocado num trombone. E foi na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) que eu tive a curiosidade de aprender esse instrumento numa matéria optativa com o professor João Luiz Areias (Orquestra Petrobras), que sempre me incentivou muito a continuar os estudos. E com poucos meses já saí por aí me aventurando nos bailes e deu no que deu.

 

Pode nos explicar o contexto do nome do álbum (PA7)?

É uma brincadeira. Na verdade, é como se fosse a abreviação de “parceiro”. Não sei porque comecei a chamar todos de “meu pa7, meus pa7s” e todos começaram a me chamar assim também.

 

Esse álbum foi montado a partir de uma trilha sonora de um filme dirigido por você. Comente.

Eu tentei criar uma narrativa no álbum. As músicas trazem uma nostalgia que remete a imagens. E ao longo do disco a intenção é que o ouvinte viaje internamente numa cena urbana, noturna e muitas vezes fora de foco.

 

Qual foi a equipe de gravação? Como foi trabalhar com esses músicos e como foi esse processo?

Eu tive a sorte de contar com grandes amigos na equipe. Sem eles o resultado nunca teria sido o mesmo. O clarone malicioso de Joana Queiroz, as guitarras maldosas de Gus Levy, o baixo pesado de Pedro Dantas, as teclas psicodélicas de Danilo Andrade, a luxuosa participação do meu pai Eduardo Neves nas flautas e saxofone soprano e as percussões suingadas de Lodo e Pedro Fonte. E não posso deixar de lembrar do engenheiro de som Kayan “Kaweiras” Guter e mixagem e masterização do gênio Martin Scian.

 

E a produção do disco, como foi?

Primeiramente, foi um sonho realizado gravar esse primeiro disco. Algumas músicas como MANDALA e VALSA BICICROSS já são um pouco antigas e já estavam de certa forma formatadas na minha cabeça. Então foi como tirar um peso das costas também. Uma sensação de libertação dos sentimentos expressados nas melodias. O Gus (guitarra) foi assistir o meu primeiro show no Beco das Garrafas, me incentivou muito a conhecer o estúdio Espaço Sideral do Martin Scian e me convenceu a gravar lá.

 

Esse disco é também uma homenagem ao trombonista brasileiro Roberto Marques. Comente.

Roberto Marques, além de ter sido um virtuoso trombonista que atuou com diversos artistas, tinha um modo de tocar muito próprio e era uma pessoa muito querida por seu bom humor. Eu diria que, com minha iniciação de certa forma tardia no trombone, Roberto foi a principal inspiração e referência. Um ídolo.

 

Tem alguma história interessante que envolva o disco?

Na capa tem uma singela homenagem ao Roberto que é uma pequena foto dele posicionada no céu da ilustração.

 

Fale mais sobre o álbum (coisas que não perguntei, e que você gostaria de ter dito).

A capa é uma pintura feita em aquarela pelo artista José Menezes. E no interior do disco também tem um pôster lindo da jovem multi-artista Ana Frango Elétrico e texto de apresentação do músico e pesquisador Domenico Lancelotti.

 

 

 

 

 

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