23 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] O existencialismo de Heitor Vallim no álbum CALVÁRIO

Capa do álbum, por Davi Realle

 

A busca pelo entendimento da humanidade e da essência do próprio ser humano, sempre impulsionaram as pesquisas de Heitor Vallim. Essa pesquisa toda, foi o norte para a criação do álbum CALVÁRIO, o primeiro na história do músico natural de Santos (SP), com 10 faixas  autorais, em inglês e em português, que segundo Vallim, é uma forma de abrir horizontes na música.

Na caminhada de Heitor, a espiritualidade e as religiões estão em seus pensamentos, ainda que ele seja cético. Mas, esse conhecimento, principalmente adquirido nas longas leituras da bíblia, levaram o artísta a se interessar cada vez mais por esse universo tão vasto, composto por histórias de divindades que explicam muito sobre o ser humano. “Usei muito de figuras bíblicas para complementar o sentido das músicas. Fala muito sobre culpa, decepção, espiritualidade e erros”, define Heitor.

Não seria nada estranho, para quem ouve o álbum CALVÁRIO, dizer que Vallim se inspirou em bandas como Pink Floyd. O álbum é um lançamento do Peixinho Records, e o músico contou com a participação de cantores santistas, como “Bola”, vocalista da banda Zimbra, na faixa É; Nadal, na canção THE NEGATIONIST; e a cantora Gabriela Lenti, com a sentimental POR QUE VOCÊ NÃO VEM DORMIR?.

As gravações de CALVÁRIO aconteceram em Santos, no Red Studio, por Neto Tezotto. Por sua vez, a mixagem e masterização de Rafael Souza foram feitas em Campinas, no Lavanderia Estúdio. CALVÁRIO foi gravado pelos músicos, Heitor Vallim (voz, letra, guitarra, sintetizador, piano e banjo), Heittor Jabbur (bateria e percussões), Raphael Lapetina (baixo) e Gustavo Chinarelli (violino). A capa do disco e demais fotos submersas são de autoria de Davi Realle.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Heitor.

 

 

Qual o conceito do álbum? Do que ele fala, ainda que entrelinhas?

É querendo ou não um álbum sobre minhas experiências e minha vida. Sobre os caminhos que percorri e percorro para entender quem eu sou nesse universo enorme. O disco é o meu Calvário, a minha crucificação e também talvez minha “ida aos céus”.

 

É verdade que muita coisa de CALVÁRIO foi complementada por meio de leituras pessoais da bíblia?

Sim! Por mais cético que eu seja, eu sempre me interessei muito por religiões e histórias religiosas, principalmente as bíblicas. Acho que é extremamente interessante o quanto as histórias (inventadas ou não) de divindades falam sobre os seres humanos. A história de Jesus Cristo para mim é uma das coisas mais incríveis que já li.

 

Em outras matérias que fizemos com você, percebemos a busca sua pelo existencialismo. Você aplica isso ao álbum como um todo?

Com certeza. É totalmente existencialista, e ainda caminha pelo existencialismo em outros planos, se é que eles existem.

 

 

O seu momento atual, psicológico, ideológico, físico, etc, influenciou quanto no resultado final de CALVÁRIO?

Com certeza! Diferente do que muitos acham, eu não sou uma pessoa triste como as letras talvez aparentem. Na verdade estou em um ótimo momento da minha vida e só porque estou assim consigo olhar para outras fases com mais calma e as transformar em música. Esse disco conseguiu sintetizar muito bem o que eu acredito/sinto como ser humano.

 

Como foi seu processo criativo? Desde de quando vem pensando no lançamento desse álbum?

Desde o início do segundo semestre de 2017 eu estava querendo gravar um novo EP, tinha lá por volta de 5 músicas novas e queria iniciar essa gravação. E de fato comecei a fazer as prés do disco como se fosse um EP. Mas com o passar do tempo vi que as músicas estavam muito ricas e precisavam de um conceito maior que só um Full Album permitem. Então regravei canções antigas com novas roupagens, acrescentei inéditas e fui as estudando. Entramos no estúdio no final de dezembro de 2017 e terminamos as gravações por volta de março de 2018.

 

 

As 10 faixas do álbum, são compostas por músicas em Português e em inglês. Por que isso aconteceu?

As minhas maiores influências são brasileiras e estrangeiras. E eu acredito muito na quebra de fronteiras da música. Tem também o fato de que quando estou compondo uma melodia ela já pede o idioma da letra, sabe? É um tanto quanto sensitivo também. É algo que meu ser comunicativo pede que seja em dois idiomas. Quem sabe se eu aprender falar alemão ou francês, não venham músicas também? 

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Para mim o processo inteiro foi uma história interessante. Eu me isolei mesmo para gravar esse disco. Eram horas diárias no estúdio com intervalos de shows e sessões de surf. E percebi que é isso que quero fazer pro resto da minha vida.

 

 

 

 

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