24 de junho de 2026

A nossa relação com os livros 

Como diz um autor anônimo, “a leitura nos traz amigos desconhecidos”, e de alguma forma inesperada constrói essa relação “leitor e livros”. 

Os livros nos dão essa possibilidade além de nos levarem para lugares diferentes. Arrisco dizer que o livro nos liberta do mundo comum, levando em conta que cada proposta literária traz nas suas páginas uma vasta reflexão. Independentemente de qual seja o seu gênero literário o livro em si, muitas das vezes pode ser uma fuga da realidade. Não que sejamos medrosos ou algo parecido com isso, mas algumas coisas na vida nos assustam e os livros meio que nos fazem viver outra realidade. 

Isabel Allende escreveu o livro “Meu País Inventado”, esse título me fez pensar, quantos de nós não inventaram lugares dentro de si mesmo como uma fuga da realidade? Quantos de nós não inventaram amores com medo da solidão? Essa ideia de um quarto vazio assusta muitas pessoas. A realidade assusta a todos. Alguns até conseguem encará-la, no entanto quem somos às vezes nos leva ao medo.

Na verdade o que assusta é a hipótese da pessoa que seremos lá na frente. Porque todos nós passamos pelo processo do amadurecimento e amadurecer exige evoluir de forma que possamos enfrentar os nossos medos, e a nossa relação com os livros é a mesma relação com a vida. 

Disse certa vez um sábio que o inferno somos nós. Nós que adiamos as coisas, nós que fugimos da verdade, nós que estragamos o que estava para dar certo, nós que fazemos as nossas escolhas, nós que construímos e desconstruímos o mundo à nossa volta. 

Ou seja, somos nós que viramos as páginas do nosso livro. 

Essa ideia de inferno dá alusão a outro mundo como se estivesse distante da gente, mas é um engano pensar assim. Caminhamos às vezes em solo instável. Carregamos dentro de nós inquietações e incertezas. A própria inquietação é o nosso inferno, ela traz tantas coisas. Algumas vezes chegamos a nos subjugar. É como mudar o vaso de um lugar para outro e achar que isso vai resolver. Comprar uma roupa nova e colocar na gaveta. Ou simplesmente trocar de livro. O prognóstico é continuar tudo igual. A revolução começa de dentro para fora. E não se trata de criar uma guerra com você e o mundo, se trata de buscar caminhos para que as coisas fluam de forma mais tranquila e natural.

Ou você acha que escritor é um ser perfeito e sem problemas algum? 

Algumas obras literárias trazem esses seus conflitos internos e podemos ver que o uso da escrita traz uma relação particular entre o escritor e o leitor. Normalmente esse ato de escrever é solitário. Mas é comum vermos um escritor trocar ideias e experiências com outros escritores, como também chega a  trocar ideias com alguns leitores, o que aproxima o leitor de sua obra. Claro que nesse meio existe uma rivalidade entre alguns escritores. O que é uma normalidade em todas as áreas. No entanto é uma rivalidade que pode ser construtiva, dando ao leitor novos livros, novas ideias e várias perspectivas sobre diversos assuntos. 

Música de Cazuza e Gilberto Gil também é um filme; você sabia?

“São sete horas da manhã   Vejo o Cristo da janela   O sol já apagou sua luz   E o povo lá.

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