30 de abril de 2026

A “Fábula” censurada de Eduardo Gudin é revelada em seu 18º disco

Na foto: Eduardo Gudin acompanhado pelas cantoras do disco, Léla Simões e
Naila Gallotta – Crédito: Luis Villaça / Divulgação.

CENSURA ? Ontem (3), o 18º disco do músico Eduardo Gudin (@eduardogudin) chegou aos streamings. “Valsas, Choros e Canções”, álbum navegante além do mar do samba, gênero predominante no trabalho do artista, é especial, como tudo que sempre fez.

No entanto, a Arte Brasileira destaca apenas uma das treze canções, mas condicionada pelo critério contextual. Entre o pacote de inéditas, situa-se como nona faixa a reveladora “Fábula”, interpretada por Lela Simões (@lela_simoes) e Naila Gallota, companheiras do artista neste álbum.

Censurada pelos militares nos anos 1970, a canção não chegou a integrar um dos dois primeiros discos de Eduardo, assim como era planejado. Escrita por ele e Sérgio Natureza, a letra é uma paulada desgostosa para qualquer regime ditatorial e agressivo. Nela, menções nítidas sobre presos e mortos durante a ditadura, e a intenção de relembrar o ocorrido.

Essa vida sob perigo era uma constante para o compositor, que teve mais duas músicas censuradas, ambas compostas com Paulo César Pinheiro, e que, graças a inteligentes alterações, foram gravadas em 1976.

CONFIRA A LETRA NA ÍNTEGRA

Foram anos tão longos

Nós éramos tão moços

Repartindo caroços

E ossos pelos nossos

Destroços do poder

Um vício de quererver

A luz quebrando as vidraças

O sol nas praças, no ar

A voz rasgando as mordaças

Esquecer jamais

Sempre relembrar

Foram anos tão longos

E os poucos que restaram

Contaram-nos histórias

Heroicas, suicidas

Mil vidas eu morri

Amigos que perdi

São marcas na minha memória

Manchas não dão pra apagar

Mesmo com dor e sem glória

A noite passou e amanhecerá

Esquecer jamais

Sempre relembrar…

Gostou dessa pauta? Torne-se um dos nossos apoiadores e colabore com a nossa Revista.

?Fonte: matéria de Augusto Diniz @jornalistaaugustodiniz publicada no Carta Capital @cartacapital.

Podcast Investiga: Por que o rock deixou o mainstream brasileiro? (com Dorf)

As novas gerações se assustam quando escutam que o rock já protagonizou o mainstream brasileiro. Não à toa. Atualmente, o.

LEIA MAIS

Existe livro bom e livro ruim?

Muitos já me perguntaram se existe livro bom e ruim, eu costumo responder que depende. Se você leu um livro.

LEIA MAIS

Edilson Araújo: verde que te quero verde

Verde que te quiero verde.Verde Viento. Verdes ramas.El barco sobre la mar y el caballo em la montãna. Federico García.

LEIA MAIS

Os Excluídos da Educação no Brasil

Pensando em muitos fatores relevantes no Brasil, exclusão, desigualdade social, discriminação e a privação da cidadania é que venho escrever.

LEIA MAIS

Geração com cérebro desperdiçado (Clarisse da Costa)

Se buscamos conhecimento, somos viajantes nesse vasto mundo. Mas quando deixamos o saber de lado o que somos? Em pleno.

LEIA MAIS

Certamente, esse filme é um dos mais atrapalhados que eu já vi (Crítica de Matheus

Ontem fui dormir cedo, e não sei porque acabei perdendo totalmente o sono quando acordei as 2 horas da madrugada..

LEIA MAIS

CONTO: A ansiedade do vovô na hora que o cometa passou (Gil Silva Freires)

Seo Leonel tinha nascido em 1911, um ano depois da primeira passagem do cometa de Halley neste século vigésimo. Dessa.

LEIA MAIS

Vida em letras:  A jornada literária de Clarisse da Costa

O começo de tudo Na infância eu rabiscava mundos através de desenhos. Quando aprendi a desenhar palavras comecei a construir.

LEIA MAIS

Fábio Di Ojuara: umas tantas facetas de uma obra multiforme

Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. – E acheia-a amarga. E injuriei-a.Armei-me contra a justiça.Fugi. Ó feiticeiras, ó.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS