3 de outubro de 2026

A “Fábula” censurada de Eduardo Gudin é revelada em seu 18º disco

Na foto: Eduardo Gudin acompanhado pelas cantoras do disco, Léla Simões e
Naila Gallotta – Crédito: Luis Villaça / Divulgação.

CENSURA ? Ontem (3), o 18º disco do músico Eduardo Gudin (@eduardogudin) chegou aos streamings. “Valsas, Choros e Canções”, álbum navegante além do mar do samba, gênero predominante no trabalho do artista, é especial, como tudo que sempre fez.

No entanto, a Arte Brasileira destaca apenas uma das treze canções, mas condicionada pelo critério contextual. Entre o pacote de inéditas, situa-se como nona faixa a reveladora “Fábula”, interpretada por Lela Simões (@lela_simoes) e Naila Gallota, companheiras do artista neste álbum.

Censurada pelos militares nos anos 1970, a canção não chegou a integrar um dos dois primeiros discos de Eduardo, assim como era planejado. Escrita por ele e Sérgio Natureza, a letra é uma paulada desgostosa para qualquer regime ditatorial e agressivo. Nela, menções nítidas sobre presos e mortos durante a ditadura, e a intenção de relembrar o ocorrido.

Essa vida sob perigo era uma constante para o compositor, que teve mais duas músicas censuradas, ambas compostas com Paulo César Pinheiro, e que, graças a inteligentes alterações, foram gravadas em 1976.

CONFIRA A LETRA NA ÍNTEGRA

Foram anos tão longos

Nós éramos tão moços

Repartindo caroços

E ossos pelos nossos

Destroços do poder

Um vício de quererver

A luz quebrando as vidraças

O sol nas praças, no ar

A voz rasgando as mordaças

Esquecer jamais

Sempre relembrar

Foram anos tão longos

E os poucos que restaram

Contaram-nos histórias

Heroicas, suicidas

Mil vidas eu morri

Amigos que perdi

São marcas na minha memória

Manchas não dão pra apagar

Mesmo com dor e sem glória

A noite passou e amanhecerá

Esquecer jamais

Sempre relembrar…

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?Fonte: matéria de Augusto Diniz @jornalistaaugustodiniz publicada no Carta Capital @cartacapital.

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