30 de abril de 2026

[ENTREVISTA] Semiorquestra propõem jogos entre ritmos brasileiros no álbum “Jogos e Quitutes”

(Foto/Divulgação)

 

Em 2016, com o single “Chope Quente”, a banda de música instrumental Semiorquestra lançava sua carreira. Um ano depois, veio “Sentimentos”. Em 2019, o grupo foi mais longe, com a chegada do álbum “Jogos e Quitutes”, uma coletânea de nove faixas inéditas e autorais, com seis compositores diferentes.

Produzido por Cris Scabello e gravado no Estúdio Traquitana, o álbum reflete a música popular brasileira, e sempre está entre “jogos e brincadeiras”. O trabalho mistura ritmos brasileiros como o samba e o frevo, ao ritmo de vários instrumentos, por exemplo.

De olho nas qualidades musicais que vem surgindo, a Arte Brasileira entrevistou os integrantes da banda. Veja após o vídeo:

 

 

OBSERVAÇÃO DA BANDA: Estamos na estrada, indo tocar amanhã em Poços de Caldas. Juntos respondemos no carro às perguntas, foi muito bom!

 

Vou fazer duas perguntas “viajadas mesmo” (risos). A primeira: que tipo de letra (temáticas) vocês imaginariam que entrariam nessas nove faixas do álbum?

ALEX HUSZAR: adoramos a pergunta! Pensamos que se houvessem letras seriam provavelmente jogos de palavras, aliterações e brincadeiras com os sons das palavras… temos inclusive uma música do nosso disco, chamada “Croquetes”, que tem “letra”, só “badabadaba”…

Em resumo, as letras seriam menos focadas em uma narratividade, e mais centradas nas sonoridades das palavras.

 

A segunda: já pensaram em fazer parceria com algum letrista/poeta e transformar uma ou mais dessas músicas em canção?

LUCA FRAZÃO: Nunca tínhamos pensado nessa possibilidade. Mas seria muito legal! Dentro da nossa banda temos inclusive muitos integrantes que trabalham com canção, membros de outras bandas de música letrada.

 

Há uma mensagem por trás das músicas do álbum?

JOÃO BATISTA: Na verdade sim! Não foi totalmente proposital, mas quando reunimos todas as músicas do disco, percebemos que os títulos delas tinham uma semelhança: ou elas falavam sobre jogos e brincadeiras, ou sobre quitutes e comidas. Pensando nisso, nasceu nosso disco “Jogos e Quitutes”. A partir desse conceito, tentamos construir um show e um disco que traduza todo universo lúdico latino brasileiro, bem como os sabores típicos da nossa cidade. Um show instrumental comestível!

 

Ainda nesse sentido, o que quer dizer cada título de cada música?

CAIO BARBOSA: Seguindo a resposta anterior, cada música tem uma história própria, vamos falar um pouco sobre algumas:

“Iguarias do Milho” é uma música de viagem. Ela tenta traduzir um universo rural paulista, das barracas de milho de estrada e suas iguarias subvalorizadas. Como disse uma amiga nossa: uma música que pula que nem pipoca!

“Dibrando” faz referência a um termo da internet derivado do drible futebolístico, o Dibre. Esse conceito vem do jeito mágico de jogar do Ronaldinho Gaúcho.

ALEX HUSZAR: O drible está dibre como as comidas estão para os quitutes.

“Curinga de Canastra” tenta transportar o ouvinte para um cassino das antigas. Dos bailes da saudade embalados por Big Bands, dos jogos de azar sempre jogados entre amigos e inimigos de todas idades. Pensando no clima dessas bandas grandes, convidamos o Walmir Gil (Banda Mantiqueira) para fazer uma participação nessa música, tocando Flugelhorn.

JOAO BATISTA: Freak-asé é a tradução direta de uma receita cubana para a música. O Fricassé é um ensopado cubano que mistura de tudo: frango, legumes, carne. Pensando nisso, o nosso trompetista Fernando Goldenberg compôs um Fricassé musical: misturando salsa, samba, tumbau e outros ritmos!

 

Não dá para negar o quanto versátil vocês são.

LUCA FRAZÃO: Obrigado! Isso para nós é um grande elogio. Nós nos debruçamos sobre vários ritmos. Essa variedade se desdobra dos vários compositores que fazem música para a gente. Por causa disso, tem samba, baião, salsa, reggae! Isso é uma tentativa de diálogo com a diversidade cultural que vivemos na capital paulista. No nosso trabalho de arranjo, a preocupação é a contrária: dar uma unidade, uma cara coesa para essa mistura toda.

O álbum como um todo, tem um conceito? Seria correto dizer que as faixas dialogam entre si?

JOÃO BATISTA: Trabalhamos nosso álbum sobre o conceito de “Jogos e Quitutes”. Todas nossas músicas brincam, em sua temática, com “brincadeiras, comes e bebes”. Importante notar, porém, que o diálogo das faixas se dá não só nesse plano teórico, mas também nos arranjos que demos para esses temas musicais, que refletem nossa abordagem urbana paulistana sobre os ritmos que trabalhamos.

 

Vocês já têm outros trabalhos lançados, portanto, o som autoral de vocês já foi apresentado em público. Qual foi a reação da galera? Que tipo de público vocês buscam?

LUCA FRAZÃO: Os outros trabalhos que lançamos foram Singles que produzimos, ainda de forma [beeem] independente. Foram experiências boas, mas ainda não era nosso lançamento de verdade. Nessa nova etapa, estamos enfim apresentando um primeiro projeto para o nosso público, que estamos descobrindo que é bem diverso, tanto pessoal da nossa idade quanto pessoas de outros contextos e faixas etárias.

 

E mais, como esperam ser a aceitação em relação a “Jogos e Quitutes”?

JOÃO BATISTA: É claro que a relação do público com música instrumental é diferente da música letrada. Nesse sentido, para nós é um pouco inesperado o que pode acontecer!

 

Vocês tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar em relação ao álbum e a carreira de vocês?

JOÃO SAMPAIO: Uma coisa muito importante para o nosso disco foi que ele contou com a produção musical do Cris Scabello (Bixiga 70), lá no Estúdio Traquitana, que é tipo um epicentro das bandas grandes paulistas. Tá todo mundo por lá, e eles tem um conhecimento muito precioso sobre gravações desse tipo de grupo musical. Tentamos ao máximo explorar esse potencial, para nós foi muito proveitoso!

 

Fiquem à vontade para faltarem algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

JOAO BATISTA: Acho que 2 coisas importantes saltam a mente.

A primeira é que o nosso disco físico tem um conceito divertido criado pelo designer Pedro Zylber. A capa é um prato vazio, uma folha em branco gastronômica. Dentro do encarte há 40 adesivos translúcidos. Com eles, cada um monta sua própria capa! Dessa forma tentamos transformar o nosso próprio disco físico em uma espécie de “Jogo”!

Outra coisa que queríamos lembrar é que estamos fazendo vários shows de lançamento desse disco! Nesse semestre completaremos 9 shows em 9 cidades diferentes de SP e MG! Obrigado!

 

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A banda é formada por Clara Kok (Flautas), Deivide Bubone (Trombone), Fernando Sagawa (Sax alto, sax soprano e flauta), Fernando R. Goldenberg (Trompete e Flugelhorn), João Batista (Sax tenor e sax barítono), João Sampaio (Guitarra), Luca Frazão (Violão de sete cordas), Alex Huszar (Baixo), Joera Rodrigues (Bateria e percussões), Caio Barbosa (percussões), Leonardo Cordeiro (percussões). Participação especial do trompetista Walmir Gil (Banda Mantiqueira). Mix Nicholas Rabinovitch e master de Fernando Sanches. 

 

 

 

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