12 de dezembro de 2025

[ENTREVISTA] Theo Lustosa explora a diversidade rítmica brasileira no álbum “Serranias”

(Capa do álbum)

2021, para o cantor, compositor e sanfoneiro Theo Lustosa, começou com o pé direito. Foi em janeiro que o músico lançou o álbum autoral “Serranias”, cujo o destaque está na faixa “Menino Angola”, composição dele com Paulinho Motta e que traz um dueto de Zeca Baleiro com Dominguinhos. Mas, como assim? Eis então um pedaço da preciosidade deste lançamento.

Nove anos antes de sua morte, em 2004, Dominguinhos gravou sua parte de “Menino Angola”. A gravação ficou perdida durante muito tempo até que em 2019, para a sorte do público brasileiro, foi encontrada. Sob produção musical de Paul Ralphes, Zeca Baleiro e Dominguinhos trazem para “Serranias”, um teor transcendental em relação ao tempo.

“Menino Angola”, apesar de ser uma estrela no disco, faz parte de um todo que se complemente e que brilha com intensidade. Ao longo das oito faixas de “Serranias”, Theo que assina a produção musical e composição de todas traz uma conexão, no mínimo, espetacular entre a música mineira e os sons nordestinos unindo, também, a MPB com o forró. Indo além, o álbum conta com grandes participações especiais.

“Serranias” já está disponível nas plataformas digitais de música e no Youtube.

Matheus Luzi – Theo, abro essa entrevista dando-lhe a oportunidade de revelar como surgiu este álbum. O que passava na alma de Theo Lustosa para ter as primeiras ideias sobre “Serranias”?

Theo Lustosa – “Serranias” é, na verdade, um resumo da minha vivência musical, exatamente a minha formação e história como músico. Sempre tentei passar um pouco disso, da minha compreensão musical e acho que consegui sintetizar bem em “Serranias”. É essa mistura de Minas Gerais com o nordeste, das melodias e harmonias de Minas com a maravilha do nordeste, musicalidade, ritmos e toda aquela beleza.

Matheus Luzi – Como você bem sabe, o grande destaque do álbum é “Menino Angola” justamente por transcender a data que estamos. O que você tem a dizer sobre esta faixa tão importante em “Serranias”? Como rolou a participação de Zeca Baleiro e como essa gravação preciosa de Dominguinhos chegou até você?

Theo Lustosa – Em 2004, Dominguinhos havia gravado sanfona e a voz em “Menino Angola” em uma participação que seria um dueto com o Paulinho Motta, meu parceiro de composição da música. Durante muitos anos a gravação original e os arquivos ficaram perdidos. Após o falecimento de Dominguinhos me despertou mais ainda a vontade de recuperar estes arquivos, pois era uma preciosidade, praticamente um tesouro. Procurei por muito tempo, até que o técnico de um dos estúdios por onda haviam passados os arquivos achou um CD com um backup destes arquivos. Aí surgiu a ideia de regravar as bases com o capricho que merecia a gravação do Dominguinhos e lançar a música. Quando achamos os arquivos, procurei o Rodrigo Grilo, técnico que fez a mixagem e masterização do álbum. Abrimos os arquivos e felizmente estavam todos perfeitos. Por uma coincidência, o produtor musical Paul Ralphes estava em Belo Horizonte naquele dia e o Grilo teve a oportunidade de mostrar para ele os arquivos. Paul Ralphes gostou muito do projeto que aceitou o convite para fazer a produção desta faixa. Fizemos as gravações das bases no Rio de Janeiro e depois de tudo pronto pensamos em convidar Zeca Baleiro para completar o dueto com o Dominguinhos. Paul fez o convite à Zeca Baleiro, que gentilmente aceitou de pronto. Fiquei muito feliz, surpreso e emocionado com o resultado de tudo isso.

Matheus Luzi – Além da música citada na pergunta anterior, quais outras você gostaria de dar maior destaque?

Theo Lustosa – “Lilith” é uma música que já tem uma história boa no forró pé de serra, muitas pessoas que frequentam os forrós conhecem a música, que tem uma referência forte com Dunas de Itaúnas, no Espírito Santo. Mas não penso em eu mesmo destacar mais uma ou outra, penso que a música caminha por si e depende de como for esta caminhada.

(Crédito: Weber Pádua / Divulgação)

Matheus Luzi – Neste álbum, você evidenciou o quanto a música brasileira é diversificada. Sonoramente falando, o que você acredita trazer em “Serranias”?

Theo Lustosa – Penso nesta mistura, na música de Minas Gerais com o nordeste do país. É essa mistura de Minas Gerais com o nordeste, das melodias e harmonias de Minas com a maravilha do nordeste, musicalidade, ritmos e toda aquela beleza.

Matheus Luzi – Pegando gancho na pergunta anterior, quais são as referências musicais de Theo?

Theo Lustosa – Toquei e toco forró por muitos anos. Minha vivência musical é muito relacionada à MPB de forma e ao forró. Essas são minhas grandes referências.

Matheus Luzi – É interessante em “Serranias” que, com exceção de “Menino Angola”, você é autor e produtor de todas as faixas, isso sem contar que leva sua sanfona para elas… Incrível!

Theo Lustosa – Sim, um prazer enorme poder neste álbum fazer a produção musical, tocar, além de ser o compositor das músicas. “Serranias” é exatamente isso, como eu imaginei, idealizei as músicas quando foram concebidas. É a visão do compositor, o que eu como compositor idealizei das músicas. E pude fazer isso em “Serranias”. Fiquei muito feliz com esta oportunidade e possibilidade.

Matheus Luzi – Além de “Menino Angola”, outras faixam trazem participações especiais…

Theo Lustosa – São participações muito especiais e tive muito orgulho e muita honra e tê-las no álbum. São artistas e pessoas que admiro muito. Também participam do álbum a cantora e compositora mineira, Bárbara Barcellos, grande representante do Clube da Esquina. Fez a turnê “Semente da Terra” com Milton Nascimento em 2017 e 2018. Maurício Tizumba, ator, cantor, compositor e grande representante do congado em Minas Gerais. O cantor do tradicional grupo de forró Trio Potiguá (RN), Severo Gomes e Serginho Marques, cantor tradicional da noite em Belo Horizonte, contemporâneo de Vander Lee.

Matheus Luzi – De uma maneira geral (tanto na poesia quanto na sonoridade), “Serranias” crava alguma mensagem ao público?

Theo Lustosa – Não pensei exatamente em uma mensagem, mas com certeza cada um recebe uma mensagem, tem uma percepção. Não tem exatamente uma que eu queira passar, pensei nas músicas por si só, na concepção delas. Deixo a mensagem por conta de quem recebê-las.

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