19 de janeiro de 2026

Galo Power dá golpe certeiro no álbum BOTE [ENTREVISTA]

 

BOTE é o novo ataque da Galo Power, álbum que chegou ao mercado fonográfico ainda em abril com 6 faixas, inspiradas na música brasileira, como a feita por Zé Ramalho por exemplo, e também com fortes influências de bandas internacionais como a Pink Floyd.

O álbum também marca a volta do trio a sua formação original, composta por Bruno e Evandro Galo (guitarra e bateria, respectivamente) e Rodolpho Gomes no baixo e viola. Além disso, BOTE também se diferencia dos trabalhos anteriores da power trio, já que os músicos tiveram que repensar a maneira musical e poetica da banda.

 

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com a Galo Power.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão verde no quadro abaixo.

 

Como o álbum BOTE chegou a unir novamente a formação original da banda?

Nosso quarto integrante, o Thomas Bove, que era organista, cantor, guitarrista, compositor e também quem captou todo o áudio do WATERLAND, nosso terceiro disco, anunciou que se mudaria para a Califórnia logo após o lançamento e que infelizmente haveria de sair da banda. Desde então tivemos que começar a pensar e agir como o power trio original. Começamos a compor nesse antigo formato, pensando que agora com um instrumentista completo a menos teríamos que fazer mais barulho para compensar, e assim a coisa aconteceu.

 

Em BOTE vocês trocaram as músicas em inglês por letras em português. Por que isso aconteceu?

Foi de forma natural. O nosso baixista Rodolpho havia dado o ponto de partida já no WATERLAND com as músicas SER ESTELAR e GIRAMUNDO, logo em seguida tivemos a ideia de fazer a versão em português de uma música que descobrimos e gostamos muito de uma banda da Zâmbia que era cantada em inglês, a música HOUSEOFFEAR da Ngozi Family, que na nossa versão se tornou CASA DO MEDO. A partir de então tentamos trabalhar mais com a nossa língua, usando também um poema de um grande amigo nosso chamado Joaquim Onofre, que deu origem à música GAIOLA. DESCARRILHADO e DESANDE vieram acompanhando esse rompante, só aproveitamos a música STAY que já estava pronta e achamos que poderia entrar como a única canção em inglês no disco. CLAREZAS ATRAVESSADAS veio de um poema do nosso baterista, Evandro Galo.

 

Por que vocês consideram o EP BOTE tão diferente dos lançados anteriormente?

A partir do momento que nos encontramos novamente na formação original tivemos que nos reconfigurar como banda de maneira mais enxuta e direta. Seria muito difícil nos acostumar novamente sem o preenchimento da segunda guitarra, da terceira voz e do órgão elétrico, então tivemos que dar os pulos e buscar evoluir musicalmente, alinhando com novas influências mais latinas e até regionais.

 

Como chegaram às trilhas instrumentais regadas ao experimentalismo?

Os instrumentais todos foram criação da cabeça do Bruno, alguns recortes que já estavam rondando seus pensamentos e acabaram vindo definitivamente para o papel no processo de criação do BOTE. Ele (Bruno) já vinha se dedicando muito à audição de músicas mais experimentais e isso acabou se manifestando muito positivamente no disco. No caso de COMEÇO DO FIM/DESANDE já vinha pensando em encaixar algumas percussão para trazer mais “swing” e fazer o encaixe das duas faixas, que foi onde casou perfeitamente a participação do Jahmaika (Caboclo Roxo/Terra Cabula). A música GAIOLA, poesia de Joaquim Onofre Neto que pegamos para musicar, foi pensada toda orquestrada em cordas: violão, viola e guitarra, para trazer um ar mais regional, que vem sido mais contemplado nas nossas composições.

 

Quais foram as influências para a criação do EP BOTE?

Nesse disco claramente usamos mais nossas influências brazucas: Zé Ramalho, Alceu Valença, Ave Sangria, O Terço, Casa das Máquinas, Terreno Baldio, Os Mutantes. Também trazendo um pouco de ThinLizzy, Black Sabbath e Pink Floyd, abrangendo para o geral.

 

Como foram os momentos de criação das músicas do EP?

As melodias foram todas trabalhadas em conjunto na casa do Evandro, onde costumamos fazer almoços de domingo pra jogar conversa fora e ensaiar. Cada um trazia consigo algumas novidades e trabalhávamos em conjunto para aperfeiçoar as músicas. Obviamente que algumas deram mais trabalho que outras. CASA DO MEDO saiu rapidamente, assim como STAY, que são as canções mais diretas do disco. O restante deu muito trabalho, foi um processo de um ano mais ou menos para pensar no instrumental do disco, como encaixariam posteriormente na gravação sendo que nosso aparato para ensaio era pouco e cada um de nós gravaríamos mais instrumentos separados. Então foram várias sessões de cerveja e música para podermos dominar tudo que haveria de ser feito.

 

E a produção e gravação, como foram?

As gravações foram rápidas e relativamente fáceis, pois já tínhamos pré-produzido tudo. Aprendemos bem essa lição! Pré-produção é TUDO na gravação de um EP ou disco completo. A primeira a ser gravada foi a CASA DO MEDO, que aconteceu com o produtor Douglas Ramirez (Johnny Suxxxand The Fucking Boys) no Amp Studio, que já não está mais em atividade. Gravamos ela e também uma versão de uma música dos Novos Baianos chamado FERRO NA BONECA, que também iria sair no disco, porém por questões de direitos autorais e por destoar um pouco a mixagem do restante das músicas no fim de tudo acabamos deixando ela de lado, saindo somente numa coletânea chamada TRIBUTO À PSICODELIA BRASILEIRA. Esse processo durou 4 horas. 
A gravação das demais músicas do disco foram em partes, feitas em duas viagens à Brasília, num estúdio bem alto astral e com a melhor receptividade possível de nome “Sala Fumarte” (onde fumar é uma arte!), comandado pelos irmãos Bruno e Breno Prieto. Por ali passaram Almirante Shiva, Joe Silhueta e várias outras bandas do circuito independente do DF e de longe foi um dos lugares mais “goodvibes” que pisamos nas nossas andanças. Gravações regadas à churrasco e cerva e muito som e papo bom. Nos tornamos grandes amigos dessa galera e provavelmente voltaremos a gravar por lá. Na primeira viagem foi o Weiler (Jahmaika) conosco pra gravar os djembés de COMEÇO DO FIM/DESANDE. Uma experiência incrível, pois raramente tínhamos convidado outras pessoas para gravar conosco e deu muito certo! Na segunda viagem à Fumarte nos encontramos lá com o Heráclito, que gravou o saxofone em DESCARRILHADO. A princípio rolou um nervosismo da parte dele, mas tentamos fazer com que ele ficasse o mais à vontade possível, pois apenas entregamos uma pré pra ele ouvir antes de gravar no estúdio e ele poderia criar o que quisesse em cima, total liberdade. Ele fez um excelente trabalho, criou uma linha de saxofone lindíssima e no final a música ficou belíssima, a mais elogiada inclusive.

 

 

 

 

 

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