2 de maio de 2026

ALÉM DA BR – Uma lista de lançamentos focada no ROCK e seus subgêneros (#2)

Já é um sucesso o nosso quadro ALÉM DA BR, focado em artistas não-brasileiros. Com o ALÉM DA BR, já divulgamos mais de três mil músicas de artistas de todas as partes do mundo. Agora, apresentamos um novo lado desta lista, no qual iremos focar somente em músicas do gênero rock e de seus subgêneros, sem limitações! Para isso, selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como foram estes processos de sus novas músicas. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

Vamos nessa?

Serene Knight “Still In Veil, Soaking Wet” – (EUA)

Qual reflexão ou ideia gerou essa música?

“Still In Veil, Soaking Wet” nasceu de uma fantasia distorcida — uma meditação sobre sensualidade, clímax emocional e o atrito entre romance e rotina. Tudo começou com uma imagem: uma noiva sexy ainda usando o véu, encharcada, lavando louça. Algo mundano, doméstico e carregado de tensão. Quis explorar esse limite frágil entre pureza e caos.

E a letra em particular, o que diz?

A letra narra uma descida erótica — começa como um sonho romântico e surreal, e mergulha em algo mais escuro e pesado. Um conto de fadas afogado em realidade industrial. O véu nunca sai. Os amantes continuam ali — próximos, mas famintos. É uma fuga emocional disfarçada de intimidade.

O que representa a arte de capa da música?

A capa é como uma pintura a óleo surreal de uma noiva moderna numa cozinha retrô americana — uma referência distorcida à American Gothic. Representa a dualidade central da música: renda delicada e verdades duras. Ela está elegante, mas tudo ao seu redor está tenso e molhado. Ela não chora — mas tudo está encharcado.

É possível comparar essa canção com outros artistas ou bandas do seu gênero musical?

Talvez ela ressoe com fãs de Rammstein ou Laibach — artistas que misturam metal com ironia, sensualidade e teatralidade. Também há uma influência de darkwave, onde a emoção vibra sob camadas de distorção e estrutura. É romântica e violenta ao mesmo tempo.

E, por fim, quais aspectos do rock podemos enxergar nessa música?

Essa faixa é brutalmente honesta. Carregada de distorção. Desafiadora. Liricamente, é punk emocional. Sonoramente, é pop-metal industrial.
Espiritualmente? É rock’n’roll de lingerie molhada dizendo “foda-se” — tipo a Margot Robbie explicando corrupção em Wall Street em A Grande
Aposta.

Respostas de Serene Knight

The Last Gray Wolf“Kentucky Telephone” – (EUA)

Em geral, como você descreveria essa música?

“Kentucky Telephone” é uma balada folk-rock analógica e empoeirada — algo entre uma confissão em um banco de bar e uma mensagem de voz de longa distância. É quente e melódica na superfície, mas há algo mais sombrio fervilhando por baixo.

Que ideias são desenvolvidas nas letras — qual é a mensagem?

É sobre vergonha, desconexão e o custo de deixar suas raízes para trás. A letra reflete o momento em que mudei meu número de telefone sob pressão de um chefe abusivo — e a estranha tristeza que se seguiu, ao perceber que havia me afastado de amigos de infância e de lugares que eu ainda amava.

O que inspirou essa música?

A música saiu rápido depois de uma noite pensando na pessoa que eu costumava ser e na versão de mim que tive que abandonar para sobreviver. Foi um momento de catarse — transformar o isolamento em algo melódico. Escrevê-la foi como voltar ao passado só para ouvir alguém atender.

Musicalmente, o que acontece em “Kentucky Telephone”?

Gravamos ao vivo no Verdugo Sound, em Los Angeles. A base é violão, piano vertical e vocais — tudo gravado em uma única sala — e depois adicionamos bateria, baixo e slide guitar com bom gosto e sobriedade para construir uma paisagem ao redor. Não há trilha de cliques, nem grade — a música respira como um ser humano. Parece um cartão-postal de outra época.

E a banda The Last Gray Wolf — quem é você?

“The Last Gray Wolf” é meu projeto de composição — um veículo para canções intimistas e emocionantes, acompanhadas por músicos de classe mundial. Meu colaborador e produtor é Jason A. Roberts (do Spoon, Norah Jones, Bedouine), e trabalhamos com um elenco rotativo de músicos brilhantes. Gravamos tudo em fitas de 2 polegadas e buscamos fazer música que pareça viva, imperfeita e honesta. O projeto tem sede em São Francisco, mas tem raízes nas tradições musicais do Kentucky, Laurel Canyon e das rádios AM noturnas.

Respostas de Conor Gleeson, do The Last Gray Wolf

The Lightning Struck“In Her Dreams Tonight” – (Canadá)

Primeiramente, que reflexão ou ideia inspirou essa música?

A música foi inspirada em um conto de Fritz Leiber, The Ships Sails at Midnight, sobre um ser alienígena que fica preso na Terra em um corpo humano.

E o que diz a letra em particular?

A letra do primeiro verso é da perspectiva de uma amiga humana desse ser alienígena. No segundo verso, é da perspectiva dela falando consigo mesma.Eles falam sobre como ela parece não se encaixar na sociedade ao seu redor, e o segundo verso fala sobre como ela terá que abandonar seu corpo para ser livre.

Musicalmente, o que a banda propõe com esse lançamento?

Musicalmente, a banda se baseia em vários estilos — surf, música instrumental do início dos anos 1960, pop de guitarra dos anos 1980 — que são associados à inocência e à alegria para enquadrar a mensagem lírica.

É possível comparar essa música com outros artistas ou bandas?

Além das nossas três bandas de referência (Velvet Underground, Television e Sonic Youth), há obviamente um pouco de surf nesta faixa – pense em Dick Dale. Também nos referimos à ponte como a “parte do Duane Eddy”.

“In Her Dreams Tonight” é uma das faixas do novo álbum da banda; fale sobre esse trabalho.

Este é o nosso segundo álbum completo. Gravamos ao longo de 2024 e, intencionalmente, gravamos mais do que poderíamos usar. Algumas partes guardamos para lançamento posterior, outras acabaram no lixo. A maior parte foi gravada no estúdio caseiro do Loren (New Noise), com a bateria sendo gravada no Lynx – ambos em Toronto.Sonoramente, queríamos que a gravação fosse emotiva e imersiva, mas sem aquele som superprocessado que tanto afeta as gravações modernas. Deveria soar como música feita por humanos.

Respostas de The Lightning Struck

RoyBox“Go” – (Japão)

Qual reflexão ou ideia gerou essa música?

Acredito que existe um mundo que não podemos conhecer se permanecermos apenas na nossa zona de conforto. Ficar ali pode ser uma escolha válida, mas, se quisermos ver novos horizontes, precisamos nos encorajar e dar o primeiro passo. Criei essa música como um impulso para esse tipo de atitude — e também como um empurrão para mim mesmo.

Qual o tema da música?

Dar o primeiro passo, independentemente das circunstâncias. Seja com sol ou chuva, com ânimo ou sem, há momentos em que simplesmente precisamos seguir em frente. Às vezes, esse passo é o melhor caminho.

É possível comparar essa canção com outros artistas ou bandas do seu gênero musical?

Acho que fui influenciado por riffs de guitarra como os do Superchunk e pelos timbres de guitarra do Yo La Tengo. A introdução da música foi inspirada na atmosfera de “Wake Up”, do Arcade Fire — aquela sensação de que algo está prestes a começar.

Quais aspectos do rock que podemos enxergar nessa música?

Os riffs de guitarra simples, a bateria com pegada dançante e os momentos de guitarra explosiva e sem amarras, livres de regras e limitações

Qual a relação dessa música com a música e a cultura do seu país, o Japão?

Eu não compus a música pensando diretamente na cultura japonesa. Talvez exista alguma conexão inconsciente, mas, musicalmente, fui guiado por minhas influências favoritas — sejam elas do Japão ou do exterior — e pelas experiências que vivi, transformando tudo isso em som.

Respostas de RoyBox

Capitán X“Diferente” – (Costa Rica)

Escreva, em poucas linhas, sobre o que é esse lançamento.

DIFFERENT é minha estreia como solista. Quero que todos saibam meu nome e minha filosofia de pirataria. As pessoas funcionam melhor em grupos pequenos. Dessa forma, colaboramos melhor, e esses pequenos grupos podem se rebelar contra forças maiores que buscam nos prejudicar.

 Que ideias você desenvolve na letra da música?

Estou falando do fato de que existe um mundo lindo ao nosso redor, mas ele é cheio de injustiça. Quero unir o máximo de pessoas possível sob a mesma ideia: pensar diferente e cuidar uns dos outros.

O que deu origem a isso, o que inspirou a composição?

Perdi muitas pessoas no ano passado. E a cada dia surgem mais problemas que afetam o mundo e pessoas inocentes. Tanta pressão me quebrou e me levou para um novo lugar. A partir daí estou compondo. De onde as coisas são feitas com amor e é por isso que fazem sentido.

Dentro do universo do rock, no que você tem trabalhado?

Estou em bandas desde os 17 anos. Já me apresentei em festivais no meu país, como o RockFest e vários outros, além de tocar internacionalmente, como em Pequim.

Há algo interessante que você gostaria de destacar?

Sou multi-instrumentista. Eu gravo tudo. Captain X é um projeto muito pessoal. Estou expondo tudo o que sou, penso e sinto. Acabei de lançar essa música e já estou trabalhando na próxima!

Respostas de Capitán X

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