As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.
A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ Secret Molecules - "Stereo Music on the Radio" - (HOLANDA)
1. De onde surgiu a inspiração desta música?
A inspiração vem de estar no momento e simplesmente escrever. Na maioria das vezes, a música simplesmente aparece do nada.
2. Qual a mensagem da música e seu objetivo com ela?
A mensagem é que todo mundo está morrendo, rápido ou devagar, então é melhor a gente aproveitar essa música estéreo maravilhosa e deixar a nossa alegria gravada no tempo.
3. Musicalmente, o que você explorou em "Stereo Music on the Radio"?
Musicalmente, a gente procura melodias que grudem, e curte bandas como The Beatles, Tom Petty, R.E.M. etc.
4. Qual a melhor descrição da banda Secret Molecules?
Secret Molecules é uma banda de três integrantes da Holanda que gosta de fazer boas músicas que soem como se pudessem ter sido hits nos anos 60/70/80/90.
5. Por fim, há algo de curioso sobre o lançamento que você queira destacar?
Essa é a segunda música do nosso terceiro EP, que deve sair em 2026. E a gente já começou a trabalhar em um novo álbum para 2027.
Respostas de Secret Molecules
➔ Pedro Díaz - "Chardon ou cendre" - (CANADÁ)
1. De onde surgiu a inspiração desta música?
Esta obra é uma composição de Chabuca Granda, figura maior da canção popular da costa peruana. Escrita no ritmo do landó — cadência afro-peruana emblemática do litoral — a música mergulha na riqueza musical e poética do Peru. Os arranjos desta nova versão foram realizados pelo guitarrista e produtor Ernesto Hermoza.
A música e a letra originais são de Chabuca Granda; já a versão em francês é uma adaptação de minha autoria, fiel ao espírito e à musicalidade do texto original.
2. Qual é a mensagem da música e qual é o seu objetivo com ela?
Com esta versão, desejo apresentar ao público francófono — e ao público em geral — a poesia e a história latino-americanas expressas por meio de seus ritmos tradicionais. O landó e a letra compartilham uma profunda sensualidade: evocam o amor e a paixão em toda sua intensidade, mas também na complexidade e nas contradições que uma relação pode carregar. A canção inspira-se na história de amor entre a grande cantora e compositora chilena Violeta Parra e o músico suíço Gilbert Favre.
Chardon ou cendre é uma confissão poética inspirada no destino de Violeta Parra. Explora um amor ao mesmo tempo ardente e frágil, suspenso entre desejo e solidão, onde a paixão pode florescer como uma flor — ou reduzir-se a cinzas. Revela, com delicadeza, a tensão entre o impulso amoroso e a dolorosa consciência de seu possível fim.
3. Musicalmente, como você descreve a música?
O landó está estruturado em compasso 6/4. O grande desafio — e também o grande prazer — foi adaptar a letra ao francês preservando a estrutura rítmica original. As diferenças de acentuação entre o espanhol e o francês, especialmente quanto à tonicidade final das palavras e das frases, tornaram o processo particularmente exigente.
Esse ritmo permite pausas expressivas no canto, oferecendo maior respiração poética e liberdade interpretativa. No caso da tradução, essa flexibilidade foi essencial para escolher a palavra certa no lugar certo, sem trair o sentido nem a musicalidade.
4. Qual a influência do seu país na construção de Chardon ou cendre?
A alma da costa peruana manifesta-se por meio de seus instrumentos mais emblemáticos: o cajón e o violão, acompanhando uma voz inserida em um ritmo tipicamente peruano.
Diria inclusive que a interpretação em francês mantém uma marca peruana, tanto na sensibilidade quanto na forma de frasear. A principal contribuição desta versão é permitir que o público francófono compreenda plenamente o estilo, a poesia e a mensagem, ao mesmo tempo em que descobre a história e a identidade cultural do Peru.
Cardo o ceniza torna-se, assim, uma canção em francês com essência e sabor profundamente peruanos.
5. Afinal, quem é o artista Pedro Diaz?
Natural do Peru e radicado no Québec desde 2009, Pedro Diaz é cantor, compositor, músico, contador de histórias, ator e bailarino. Por meio de sua trajetória na tradução e na criação artística, constrói pontes entre culturas, traduzindo não apenas línguas, mas também memórias, histórias e realidades latino-americanas. Foi cantor do grupo Color Violeta, apoiado pelo Conselho das Artes do Québec por sua abordagem inovadora da canção tradicional chilena, e integrou os Buffalo Hat Singers,
conjunto powwow engajado no processo de reconciliação no Canadá.
Seus projetos — como Canção tradicional peruana, Músicas indígenas do Peru e do Canadá e Contos e lendas pré-hispânicos — tecem vínculos entre tradições peruanas, músicas indígenas e ritmos latino-americanos, interpretados em francês e espanhol.
Ao longo de suas colaborações com artistas canadenses e internacionais, afirma-se como um criador singular e embaixador das culturas latino-americanas no cenário artístico quebequense.
Respostas de Pedro Díaz
➔ Naya Ocean - "Burning in colours" - (REINO UNIDO)
1. Qual a mensagem de "Burning in Colours"? E o que inspirou a composição?
“Burning in Colours” foi inspirado por uma experiência maravilhosa que tive com amigos durante uma viagem pela Ásia. Subimos ao topo de uma colina para assistir ao pôr do sol. Foi uma noite tão tranquila, todos relaxados, simplesmente curtindo o momento enquanto o sol pintava o céu com cores incríveis refletidas nas nuvens.
Foi ali que nasceu a expressão "burning in colors" (ardendo em cores). O céu parecia estar em chamas. Era mágico.
2. Quanto à musicalidade em si, nos conte sobre sua origem, como chegou até esta estética musical?
Nasci no Brasil, na Região dos Lagos, e me mudei para o Reino Unido há muitos anos. A música sempre fez parte da minha vida.
Viver entre culturas influenciou profundamente meu som. Naturalmente, misturo elementos de jazz, R&B e bossa nova, criando um estilo que soa atemporal e contemporâneo ao mesmo tempo.
Este projeto marca um novo capítulo na minha jornada artística. É apenas o começo, e há muito mais por vir.
3. Conte aos leitores desta lista especial quem é a cantora Oceano Naya
Naya Ocean é uma artista independente de Jazz, R&B e Bossa Nova que combina narrativas atemporais com ferramentas de criação modernas, entregando canções comoventes que conectam de forma profunda e autêntica.
4. Há algo de curioso sobre o lançamento que você queira destacar?
Convido a todos para conferirem meu primeiro EP, já disponível em todas as principais plataformas de streaming.
Como este artigo está sendo publicado no Brasil, eu gostaria especialmente que os ouvintes explorassem também minhas músicas em português. O EP contém 7 faixas, cada uma explorando diferentes emoções e momentos.
Respostas de Naya Ocean
➔ Sandra1to9 - "Veni Ad Me (Come to Me)" - (ÁFRICA DO SUL)
1. Qual a mensagem desta música?
Veni Ad Me é uma música sobre reconhecimento — o momento em que algo destinado a você finalmente chega, não pela força, mas pelo alinhamento. Ela fala sobre uma espécie de certeza silenciosa: duas vidas movendo-se em direção ao mesmo ponto sem precisar correr ou lutar. As frases repetidas são quase como um mantra de prontidão — estar aberto, firme e preparado quando o momento certo aparecer.
2. E o que inspirou a composição?
A inspiração veio da ideia de que algumas coisas na vida se desenrolam naturalmente quando paramos de forçá-las. Eu queria explorar a sensação de preparação paciente — a percepção de que o que é destinado a você já existe em algum lugar do mundo e está se movendo lentamente em sua direção. A música é sobre essa expectativa calma, em vez de um anseio dramático.
3. Em termos gerais, quais são as influências do seu país, a África do Sul, nesta obra como um todo?
Crescer na África do Sul me deu um profundo senso de ritmo e atmosfera. A música de lá frequentemente carrega uma forte corrente emocional mesmo quando o arranjo é bastante minimalista. Acredito que essa influência aparece na forma como Veni Ad Me depende mais do humor, da repetição e do sentimento do que de letras complexas. A música sul-africana frequentemente confia no ritmo e no tom para contar a história, e essa abordagem definitivamente moldou minha forma de pensar sobre música.
4. Quanto à musicalidade em si, nos conte sobre sua origem — como chegou até esta estética musical?
Viver e ensinar no exterior, na Ásia, teve um efeito profundo na forma como ouço música. Estar imersa em culturas com tradições musicais muito diferentes — onde a repetição, a cerimônia e a atmosfera têm enorme peso — me tornou mais atenta ao que a música pode fazer além das palavras. Percebi que me atraía por sons que parecem universais em vez de geograficamente específicos — ambiente, atmosférico, meditativo. Veni Ad Me nasceu desse lugar. É o som de alguém que viveu entre mundos e descobriu que a música é muitas vezes a única linguagem que não precisa de tradução.
5. Há algo de curioso sobre "Veni Ad Me" que você queira destacar?
Um aspecto interessante é que a música é escrita em latim. Escolhi o latim porque dá às letras uma qualidade atemporal e permite que os ouvintes experimentem o som e a emoção das palavras sem traduzi-las imediatamente. Dessa forma, a música funciona um pouco como um cântico ou meditação — o significado se revela gradualmente em vez de ser explicado diretamente. Às vezes, quando as pessoas não entendem cada palavra, elas ouvem com mais atenção o sentimento.
Respostas de Sandra1to9
➔ BBzefira - "Mamãe, Te Amo!" - (BRASIL)
1. Se tivesse que apresentar essa música em um elevador, o que diria?
“‘Mamãe, Te Amo!’ é um abraço em forma de canção: em menos de 30 segundos, você sente a alegria de um filho que declara todo seu amor à mãe com versos simples e cativantes.”
2. Qual a origem de “Mamãe, Te Amo!”, o que a inspirou?
A canção nasceu das minhas próprias lembranças de infância, quando um beijo e um abraço de manhã resolviam qualquer preocupação. Quis transformar essa memória de ternura num momento musical que celebre o vínculo entre mãe e filho.
3. A letra, mais diretamente, conta qual história?
Ela traz o ponto de vista do pequeno que acorda alegre, busca o carinho materno e retribui com beijos, abraços e versos. É um relato singelo, mas que reforça a segurança e o conforto que apenas o colo da mãe oferece.
4. Musicalmente, o que você trabalhou nessa música?
Combinei bateria suave, guitarras acústicas, teclado brincalhão e uma percussão delicada para criar um clima luminoso e divertido. As vozes infantis anônimas dão frescor, e na produção personalizei cada detalhe para que a canção seja fácil de cantar e de lembrar.
5. Por fim, conte-nos quem é o cantor e compositor BBzefira.
BBzefira é meu projeto dedicado a acompanhar as crianças nos primeiros aprendizados por meio de músicas alegres, educativas e cheias de imaginação. Rául Villa, como compositor e produtor, meu objetivo é ensinar conceitos básicos — números, cores, emoções — com melodias envolventes que também promovem o desenvolvimento cognitivo e afetivo.
Respostas de Raul Villa

