1 de maio de 2026

MIX ECLÉTICO DE CINCO IDEIAS MUSICAIS (#4)

As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.

A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.

Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

🎧 Ouça a música

➔ Ana Rossi (ARGENTINA) e Ramiro Pinheiro (BRASIL) - "Fina Estampa"
1. Como conheceram e como enxergam a música "Fina Estampa"?
“Fina Estampa” é uma canção muito especial dentro do repertório latino-americano. Ela foi composta pela peruana Chabuca Granda e se tornou um clássico que atravessa países e culturas. Nós dois sempre tivemos uma relação muito forte com essa música. A Ana, sendo argentina, cresceu ouvindo repertório latino-americano mais amplo, e eu, vindo da música brasileira, sempre admirei muito como compositores como Chabuca conseguem unir poesia, elegância e identidade cultural em uma canção.
Ao mesmo tempo, “Fina Estampa” ganhou uma nova vida no Brasil com a interpretação do Caetano Veloso, que aproximou essa música do universo da MPB. Nossa versão nasce um pouco desse encontro: respeitando a origem latino-americana da canção, mas também dialogando com a forma sensível e intimista com que ela foi interpretada na música brasileira.
2. Vocês dizem seguir a inspiração de Caetano Veloso. Como ele se encaixa neste lançamento?
O Caetano Veloso é uma referência muito importante para nós, especialmente pela forma como ele sempre construiu pontes culturais dentro da música. Ele nunca enxergou a música brasileira como algo fechado, mas como um território aberto ao diálogo com outras culturas.
No caso específico de “Fina Estampa”, foi justamente a versão do Caetano que fez essa canção peruana entrar definitivamente no imaginário da MPB. De certa forma, nossa interpretação segue essa trilha: partimos dessa inspiração, mas buscamos uma leitura própria, mais íntima, baseada no formato de duo — voz e violão — que é a linguagem que desenvolvemos ao longo de muitos anos tocando juntos.
3. Reflitam sobre essa tentativa de misturar a bossa nova com a música latino-americana.
Para nós isso acontece de forma muito natural. Vivemos em Barcelona há muitos anos e estamos constantemente em contato com músicos de diferentes origens. A Ana traz uma perspectiva rioplatense, ligada à música argentina e latino-americana, e eu venho da tradição da música brasileira, especialmente da bossa nova e do samba.
Quando essas duas visões se encontram, surge um espaço muito interessante de diálogo. A bossa nova, por exemplo, sempre teve uma dimensão muito aberta e universal — ela já nasce misturando jazz, samba e poesia. Ao colocar essa linguagem em contato com repertórios latino-americanos, como “Fina Estampa”, percebemos que existem afinidades muito bonitas entre essas tradições.
Mais do que uma “fusão”, é quase uma conversa musical entre culturas próximas.
4. Quem são os artistas Ana Rossi e Ramiro Pinheiro?
Nós somos dois músicos latino-americanos vivendo em Barcelona há muitos anos e trabalhando juntos desde 2010. A Ana Rossi é cantora, compositora e pesquisadora da música latino-americana, com uma trajetória muito rica que passa por diferentes tradições da Argentina, Brasil e da Península Ibérica. Eu sou violonista, cantor e compositor brasileiro, com um trabalho muito ligado à música popular brasileira, ao jazz e ao violão brasileiro.
Nos conhecemos dentro do grupo Gafieira Miúda e, ao longo dos anos, fomos desenvolvendo um trabalho em duo que busca uma interpretação mais íntima da música brasileira e latino-americana. Nosso foco sempre foi explorar a canção com simplicidade e profundidade — voz e violão como centro da narrativa musical.
5. Por fim, há algo de curioso que vocês queiram destacar sobre o lançamento?
Uma curiosidade interessante é que todo o projeto nasce desse encontro de culturas que também faz parte da nossa própria vida. Somos um duo formado por uma argentina e um brasileiro vivendo em Barcelona, gravando um repertório que mistura compositores brasileiros, latino-americanos e canções autorais.
Nesse sentido, “Fina Estampa” talvez seja uma das músicas que melhor representa essa ideia. É uma canção peruana, reinterpretada por um brasileiro (Caetano Veloso) e agora revisitada por um duo latino-americano que vive na Europa. Essa trajetória mostra como a música realmente não conhece fronteiras.

Respostas de Ramiro Pinheiro

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➔ Alex James - "Figure It Out Now" - (REINO UNIDO)
1. Qual é a mensagem desta música?
A ideia de que o sucesso é subjetivo e que, como sociedade, não precisamos necessariamente ter tudo resolvido para sermos bem-sucedidos, é um ponto central da música. Ela busca transmitir a mensagem da importância de trilharmos nossos próprios caminhos, no nosso próprio ritmo, e não porque a sociedade assim o exige.
2. E o que inspirou a composição?
A inspiração para escrever essa música veio das minhas próprias frustrações por achar que eu precisava ter tudo resolvido e alcançar certos objetivos até uma certa idade, assim como todo mundo. Escrevi essa música alguns anos atrás, quando eu realmente não tinha certeza de qual rumo minha vida estava tomando, principalmente por conviver com uma doença limitante como a Distrofia Muscular de Duchenne.
3. Em termos gerais, quais são as influências do seu país, o Reino Unido, nesta obra como um todo?
O projeto Figure It Out Now e o som da minha banda em geral são influenciados principalmente por bandas do Reino Unido como Royal Blood, Black Sabbath, Arctic Monkeys e The Pale White. Também sou genuinamente influenciado e inspirado por inúmeras bandas de cenas musicais locais de todo o país.
4. Com relação à musicalidade em si, fale-nos sobre sua origem, ou seja, como você chegou a essa estética musical?
Enquanto cursava o mestrado em Música na Universidade de Newcastle em 2019, criei minha banda sob o nome de Alex James. Originalmente, escrevi quatro músicas de rock para um projeto de composição musical. Isso, é claro, me inspirou a compor mais músicas e sinto que minha experiência acumulada estudando música e sendo exposto a uma variedade tão grande de sons me permitiu expandir o repertório da banda, incluindo nosso single mais recente, "Figure It Out Now".
5. Existe algo de interessante em "Figure It Out Now"?
Pessoalmente, sinto que esta faixa é muito singular e uma das minhas favoritas que já escrevi. Ela transborda emoção e garra, e se transforma constantemente ao longo da música. Diria que, na primeira ouvida, é difícil prever o que acontecerá a seguir. É uma interessante fusão de influências do rock clássico e moderno, entrelaçadas com o meu toque pessoal.

Respostas de Alex James

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➔ Hello Biplane - "Fetch" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Qual o conceito e a mensagem da música?
"Fetch" é uma música indie rock vibrante sobre a vida espiritual de cães e humanos... insetos e pedras. Foi inspirada pelo nosso cachorro Dewey, que aparece na capa do single com seus amigos Stew e Vida.
Quando morremos, quais sentimentos permanecem ligados àqueles que deixamos para trás? Podemos reencarnar? E será que uma forma superior de ser se torna apenas um inseto, uma pedra, o solo? A letra expressa a importância de cuidar de outros seres vivos que por acaso estão vivos ao mesmo tempo que você. É o segundo de quatro singles do Hello Biplane, que antecedem o lançamento do novo álbum intitulado "how to hold a bug", com lançamento previsto para 27 de março.
2. Quem é a banda Hello Biplane?
Hello Biplane é uma banda de futuracan [alt/indie/folk-pop] de Lawrence, Kansas, formada por Spencer Goertz-Giffen e Braden Young, parceiros na música e na vida. As composições reflexivas do casal criam a atmosfera perfeita para letras honestas que abordam temas como criar filhos, relacionamentos e encontrar significado no cotidiano.
A ampla gama sonora do Hello Biplane é impulsionada por harmonias vocais dinâmicas, solos de guitarra dedilhados e uma banda experiente composta por bateria, baixo, violoncelo, sintetizadores e acordeão. Como o nome sugere, as músicas do Hello Biplane fazem alusão aos momentos fugazes da vida – que passam rapidamente, mas deixam algo duradouro.
Goertz-Giffen e Young formaram o Hello Biplane em 2010. Durante a viagem diária de ônibus para a faculdade comunitária, eles bolaram um plano para apresentar suas músicas autorais como um duo e logo se apaixonaram. O Hello Biplane transita entre um duo e uma banda completa, com Jeff Jackson (baixo), Austin Sinkler (bateria), Hugh Naughtin (violoncelo/sintetizador) e Nate Holt (teclados/sintetizador/acordeão).
3. Há algo a mais que queiram comentar?
O grupo lançou dois EPs, uma música natalina, uma canção de ninar infantil e seu primeiro álbum completo, "how to hold a bug", estará disponível em 27 de março em vinil, streaming e outras mídias físicas.

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➔ Avery Raquel - "Slow Motion" - (CANADÁ)
1. Qual é a mensagem desta música?
Essa música foi escrita sobre um novo amor e sobre saborear o outono. Sabendo que as coisas podem acontecer rapidamente, mas também sabendo que é melhor curtir em câmera lenta.
2. E o que inspirou a composição?
Começo por compor tudo no piano, e esta música não foi exceção. Depois, levei a demo de piano e voz para o meu produtor, Matt McCormack, que deu vida à música de uma forma vibrante e animada!
3. Em termos gerais, quais são as influências do seu país, o Canadá, nesta obra como um todo?
Diria que as influências em todo o meu trabalho são muito internas. Amigos, família, colegas da cena musical daqui. Todos eles me inspiram a ser um músico melhor e são as minhas experiências de vida que impulsionam as minhas ideias criativas.
4. Com relação à musicalidade em si, fale-nos sobre sua origem, ou seja, como você chegou a essa estética musical?
Ultimamente tenho ouvido muito Olivia Dean, assim como outros artistas do mundo todo, então essa foi uma grande influência musical, além do meu amor por outras músicas dos anos 70. Sempre adorei aquela vibe R&B, mas mantendo o estilo clássico, porém divertido e dançante!
5. Aconteceu algo durante o processo de produção, composição e gravação da música que você gostaria de destacar?
Gravamos praticamente tudo "no computador", o que significa que o Matt tocou a maioria dos instrumentos. As únicas duas coisas que gravamos ao vivo, eu acho, foram a bateria e o piano. E a parte do piano, na verdade, fui eu tocando no meu velho piano vertical com o celular no aplicativo de gravação de voz como microfone. É incrível o que dá para fazer com a tecnologia hoje em dia!

Respostas de Avery Raquel

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➔ Dan Corio - "Used To Love The Rain" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. O que é esta música, de uma maneira geral?
Como compositor, gosto do processo de escrever músicas com as quais as pessoas possam se conectar. Algo que, espero, toque suas almas. Esta música em específico fala sobre as coisas que amamos e que nos unem quando estamos em um relacionamento amoroso, mas também sobre como a distância pode mudar rapidamente nossa percepção desses momentos e coisas que compartilhamos. Ela aborda como uma pessoa pode estar tão distante e desapegada do amor que consegue partir tranquilamente, deixando para trás a outra pessoa para lidar com todas as emoções que, de alguma forma, não percebeu naquele momento.
2. Quais foram as influências?
Estou constantemente buscando novas inspirações como compositor e sou muito influenciado por contadores de histórias como Jason Isbell, Ryan Kinder e lendas da música country como Keith Whitley e Sturgill Simpson.
Meu jeito de tocar guitarra é influenciado por artistas como Stevie Ray Vaughan, Mark Knopfler e Keith Urban.
3. Quem é Dan Corio?
Quanto a quem eu sou, passei 20 anos na polícia de Nova York antes de me mudar para Nashville e me dedicar à música em tempo integral. A maior parte desse tempo foi em unidades de operações especiais, realizando buscas, resgates e recuperações, muitas vezes lidando com indivíduos em crise de saúde mental. Minha experiência com esses momentos me levou a usar minha música como uma forma de alcançar aqueles que possam estar lutando contra problemas de saúde mental. Espero ajudar as pessoas a se sentirem mais conectadas a essa experiência humana, a se sentirem menos sozinhas e a eliminar o estigma de buscar ajuda quando necessário. Minha esperança é que minha música alcance aqueles que precisam ouvi-la e que todos percebam que não há vergonha em precisar ou pedir ajuda.

Respostas de Dan Corio

administrator
Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.