18 de abril de 2026

5 DOSES DE REGGAE (#2)

As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista de lançamentos focada nos mais variados subgêneros do reggae. A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.

Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

🎧 Ouça a música

➔ METAPHYSICAL - "I’ll Stay" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Ou o que inspirou a composição?
Foi escrita há décadas, quando eu era adolescente nos anos 80, ouvindo a música "Exodus" de Bob Marley and the Wailers. Pensei: em vez de ir embora, eu fico!
2. Qual é a mensagem da música?
Não tenha medo da dor.
3. Quais são as influências musicais e culturais do seu país na construção da música?
São tantos que é difícil listar todos. Sou escravo do ritmo, então acho que transitar entre gêneros resulta em uma música única. Batize o rebanho, o blues se transformou em jazz, rock, disco, hip hop, música eletrônica, techno, deixe esses shows sem limites fluírem! Fui criado no Vale Central da Califórnia, em uma comunidade mexicana, então ouvia Vicente Fernandez desde o ensino fundamental.
4. Há algo curioso sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
Estou surpreso que "I'll Stay" esteja ganhando atenção, porque terminei de escrever essa música na noite em que a gravamos! "I'll Stay" é uma meditação musical para dançar ou relaxar no sofá. Tenha uma bebida por perto ou certifique-se de estar se medicando corretamente com indica para se manter centrado.
5. Afinal, quem é Metafísico?
Ai! Sou um ser humano que acredita que, neste planeta Terra, somos todos espíritos iguais, independentemente da forma do nosso corpo e mente. Sou uma pessoa que acredita que o poderoso 1% está prejudicando tanto a humanidade e este planeta, que os 99% restantes deveriam ser estratégicos e SE AJUDAR!

Respostas de Philip Singer (METAPHYSICAL)

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➔ The Quasi Kings - "Herb For Me ft. Passafire & Derajah" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. De onde veio a inspiração para esta música?
"Herb for Me" é uma homenagem e uma expressão de gratidão pela cannabis. Inspirada em clássicos do reggae como "Kaya", de Bob Marley, "International Herb", do Culture, e "Healing of the Nation", de Jacob Miller, esta música glorifica o uso dessa maravilha natural, ao mesmo tempo que alerta para os perigos de outras alternativas.
2. Qual é a mensagem da música e qual o seu objetivo com ela?
Esta música é uma ode à erva. Quando éramos crianças, a erva [cannabis] era demonizada e proibida, enquanto, ao mesmo tempo, medicamentos farmacêuticos patrocinados pelo governo e o vício devastavam nossa comunidade. Ohio e a região circundante foram particularmente afetados pela crise dos opioides. Vimos em primeira mão os danos que essas drogas sintéticas causaram aos nossos amigos e familiares. A cannabis é, e sempre foi, uma alternativa viável que pode realmente melhorar a qualidade de vida daqueles que a utilizam, e é incrível termos vivido o suficiente para ver essa mudança. Somos gratos àqueles que vieram antes de nós e dedicaram seu tempo e esforço para promover essa mudança. A cannabis merece ser aclamada como a maravilha e o presente da natureza que é.
3. Musicalmente, o que você explorou e o que você acredita ter inovado?
Essa música foi fortemente inspirada pelo reggae do início/meados dos anos 80, particularmente pelo trabalho de Sly & Robbie em faixas como "Merry Go Round" de Junior Delgado e "Drunken Master" de General Echo. Steel Pulse e SOJA também são grandes inspirações para nós e sua influência pode ser ouvida em vários elementos deste single.
Nos esforçamos bastante para elevar a qualidade do nosso trabalho nesses lançamentos recentes. Dedicamos muito tempo à mixagem e à produção, e trabalhamos com profissionais que sabem como levar a música a um novo patamar sonoro.
4. Qual é o conceito por trás da arte da capa da música?
A capa foi inspirada em uma estátua de Poseidon localizada no COSI (um centro de ciências aqui em Columbus). Quando criança, lembro-me de ficar maravilhado com a grandiosidade da estátua. A ideia era pegar essa figura e imergi-la em uma selva, cercada por vegetação e flores, para representar o conhecimento ancestral e o poder mitológico da natureza.

Respostas de The Quasi Kings

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➔ True Rebel - "ONLY JAH JAH" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Qual a mensagem dessa música ao mundo?
Essa música fala sobre a fé e a resiliência Rastafari em um sistema falho.
2. O que inspirou a composição?
A canção foi inspirada nos costumes e ensinamentos do Rastafari, servindo como um lembrete de que o amor de Jah é forte e eterno.
3. Musicalmente, como você descreve a música, especialmente dentro do cenário do reggae?
Only Jah Jah presta homenagem às raízes justas da música reggae, que se fundamentavam na fé e na espiritualidade. A música foi escrita por True Rebel.

Respostas de True Rebel

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➔ Moreira Chonguiça - "Na ku randza (a tribute to Gito Baloi) (Gito Baloi Cover)" - (MOÇAMBIQUE)
1. Como você enxerga e como conheceu essa música e Gito Baloi?
Eu conheci esta música do Gito Baloi em 1997, quando foi lançada. Nessa altura, em 1997, eu acabava de chegar à Cape Town para ir estudar na Universidade de Cape Town e fazer a minha licenciatura em música. Gito Baloi, sendo o primeiro artista na África do Sul que gravou numa editora independente chamada Sheer Sound, havia muita aclamação, apoio e publicidade. E mais ainda, a sua história como pessoa era interessante, pois, era um músico que foi à África do Sul ido de Moçambique (Bairro da Matola), e contava-se, na altura, de que Gito Baloi caminhou de Maputo para a África do Sul, algo que despertou muita atenção nas pessoas. Esta música "Na ku randza" que significa "Eu te amo" era um som totalmente diferente para um novo mercado na África do Sul, neste caso, ele baseado em Johannesburg considerada a metrópole da música. Todas as rádios e televisões na altura passavam esta música, portanto, foi assim que conheci esta música.
2. Por que resolveu gravá-la?
Eu resolvi gravar esta música por duas razões, primeiro, para sair da minha zona de conforto como produtor, arranjista e compositor e para tentar trazer vida a um dos nomes que abriu muitas portas para músicos moçambicanos que emigraram para a África do Sul, que neste caso é Gito Baloi. Segundo, o mais importante é que "Na ku randza" além de ser uma música linda, a música original carrega uma mensagem muito relevante especialmente nesse momento em que vivemos em um contexto cheio de dúvidas, em um mundo cheio de guerras e por consequência de muitas incertezas, insatisfação, falta de amor. E essa música é essencialmente dedicada ao amor.
3. O que sua versão tem de especial, que vem da sua identidade artística?
O que há de especial na minha versão da música "Na ku randza" é a intenção. A intenção de homenagear um dos maiores músicos que Moçambique produziu; de renovar e de lembrar uma música com uma mensagem super forte que fala sobre o amor em uma língua moçambicana (Changana). E o mais importante ainda, é a intenção de apresentar uma nova geração de artistas, no caso o vocalista fenomenal que participa dessa música que se chama Pauleta Muholove; o Hélder Gonzaga no baixo, que já é conhecido; o Vando Infante na bateria; o Nicolau Cauaneque no piano; trazer uma nova narrativa e lembrar ao mundo que existe continuidade porque as referências só serão relevantes se forem referenciadas/reconhecidas. Nesse caso, o Gito Baloi foi nossa referência e inspiração.
4. O que esse lançamento diz sobre o seu país, Moçambique?
Nós lançamos a música há duas semanas, ela está disponível em todas as plataformas digitais e de alguma forma nós fomos buscar um tesouro que estava guardado e lembramos às pessoas que este existe mas numa nova roupagem, respeitando a magnitude do artista que compôs a música original. E trouxe-se também uma vertente mais romântica da música, como disse antes, o estilo reggae...na verdade, nós nem pensamos concretamente no que queríamos fazer, eu só segui o meu coração, a minha espiritualidade e assim tivemos este resultado. Moçambique está a receber bastante bem a música, graças a Deus está toda a gente muito feliz, as rádios estão a tocar muito, e internacionalmente está ser muito bem recebida, visto que Gito Baloi era um músico reconhecido a nível internacional.
5. E, por fim, conte aos fãs de reggae quem é Moreira Chonguiça?
Moreira Chonguiça é um jovem moçambicano que nasceu na capital de Moçambique que se chama Maputo (Moçambique, um país com 3000 km de costa) e teve a oportunidade e o privilégio, graças a sua família (pai, mãe, tios) de estudar música desde a sua infância, concretamente desde os 7 anos de idade. Frequentou a Escola Nacional de Música em Maputo e mais tarde conseguiu ir para a África do Sul para continuar seus estudos em música. Em nenhum momento a música fez parte dos seus planos de vida como profissão, o sonho dele era fazer Direito Internacional. Graças a Deus e a sua família, Moreira Chonguiça conseguiu estudar na bela Cidade de Cape Town, na Universidade de Cape Town na Cidade de Cape Town onde continuou os estudos de música e lá conheceu vários músicos conceituados na África do Sul que o ajudaram a entrar na comunidade, sociedade de músicos da primeira liga. Mais tarde, Moreira Chonguiça criou seu próprio selo "MoreStar Entertainment" com sua parceira de negócios, Lesley Wells. Hoje, 2025, Moreira Chonguiça tem o orgulho de dizer que temos 8 discos gravados em nossa gravadora e reconhecidos mundialmente com vários prêmios, bons reviews e participamos dos melhores festivais da África e não só. Em suma, este é o Moreira Chonguiça que usa a sua música também para difundir outro tipo de mensagens que possam contribuir para o enaltecimento de uma sociedade sã e civil, e com projetos de educação através da Fundação Moreira Chonguiça, criada há 4 anos, que promove bons hábitos, boa cultura através da música. Em suma, esse é o Moreira Chonguiça.

Respostas de Moreira Chonguiça

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➔ Tim Whiteford - "Struggling" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Qual a melhor maneira, para você, de descrever este lançamento?
"Struggling" é uma canção reggae com forte teor político. É ousada e direta, com um refrão cativante que fará você cantar junto em solidariedade a todos aqueles que estão "lutando" por aí.
2. De onde surgiu a composição?
Em termos de letra, eu queria que a música abordasse questões que tantas pessoas estão enfrentando atualmente. Musicalmente, eu queria que fosse uma faixa de reggae sólida, com elementos únicos do meu estilo pessoal incorporados, como o uso da guitarra pedal steel e do sintetizador.
3. Qual é a mensagem da música?
Essa música fala sobre as pessoas reais que estão por aí, lutando para sobreviver. Elas passam fome, não têm acesso a cuidados médicos e agora suas comunidades estão literalmente sob ataque. Enquanto isso, aqueles que estão no poder tentam nos dividir ainda mais para continuar lucrando, ao mesmo tempo que cortam programas públicos que ajudam a proteger nossos cidadãos mais vulneráveis. Acredito que o povo precisa se manter firme e unido contra o fascismo, e essa música não esconde o que eu sinto sobre isso.
4. Dentro do universo do reggae, quais aspectos musicais foram trabalhados na gravação?
Eu queria que essa faixa tivesse uma pegada reggae roots bem marcante. A guitarra skanking e a percussão se complementam, enquanto o baixo se mantém firme no ritmo. Também dei ênfase ao uso de efeitos vintage e à minha paixão pelo dub reggae, com um pequeno verso dub. Estou feliz com o resultado.
5. O que essa faixa diz sobre o seu próximo álbum?
Esta faixa representa uma pequena mudança em relação aos meus lançamentos anteriores. Meus dois últimos álbuns completos, "Horror Reggae - 2024" e "The Horror & The Heartbreak - 2021", seguem um estilo próprio que chamo simplesmente de Horror Reggae. Músicas inspiradas pelo meu amor por filmes de terror, monstros, mitos e outros temas assustadores. Com este single, deixei de lado o terror ficcional e divertido e me concentrei em alguns dos horrores reais que assolam o nosso mundo hoje.
Não tenho certeza exatamente para onde este single vai levar meu próximo álbum. Sinto-me compelido a falar sobre alguns desses horrores da vida real, mas também tenho muita diversão assustadora dentro de mim, e acho importante me manter entretido e sorrindo enquanto defendo o que é certo e ajudo quem precisa.

Respostas de Tim Whiteford

administrator
Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.