A GÊNESIS DA CANÇÃO é uma fusão das versões focadas em processo criativo das listas ALÉM DA BR (lançamentos internacionais) e LUPA NA CANÇÃO (nacionais), que agora É oficialmente editorias. Sob este domínio, já publicamos e desbravamos em torno de 4 mil lançamentos, de brasileiros e de artistas mundo afora.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ Paloma Hidalgo - "Migrante" - (CHILE)
A canção “MIGRANTE” foi composta em 2011, num momento em que a migração no Chile começava a ganhar cada vez mais visibilidade social. Naquela época, a população migrante vinha principalmente de países latino-americanos, especialmente do Peru, trazendo novas formas de vida, cultura e convivência para as cidades. Esse cenário não aparece apenas como contexto, mas como o ponto de partida de uma obra que nasce dentro desse movimento histórico.
Ao mesmo tempo, a canção surge de um lugar profundamente pessoal. A autora tem uma ligação direta com a migração por meio de seu pai, de origem peruana, o que torna o tema algo íntimo, sensível e cheio de memória. Assim, “MIGRANTE” não é construída à distância, mas a partir de uma identidade marcada pelo deslocamento, pela pertença e também pelo desenraizamento.
Por isso, no plano conceitual, a canção se posiciona de forma clara: migrar é um direito humano, e nenhuma pessoa é ilegal. Ainda assim, essa dimensão política não aparece como discurso direto, mas se dilui na experiência vivida. O olhar da canção é íntimo, quase silencioso, centrado na voz de quem parte. Imagens como “a mala cheia de memória” ou “a fotografia que suspende o tempo” constroem um percurso em que viajar não é só atravessar territórios, mas também atravessar emoções. A partida surge como um caminho sem volta garantida, onde o passado se guarda e o presente precisa ser reinventado.
Dessa forma, a canção amplia uma experiência individual até tocar algo coletivo, evocando aqueles que caminham pela cidade carregando dentro de si uma pátria. O retorno não aparece como certeza, mas como desejo que permanece. Migrar, assim, torna-se viver entre lugares, habitar esse espaço de passagem que é, ao mesmo tempo, ausência e possibilidade.
Comentário de Paloma Hidalgo
➔ Aksonance - "The Breath of Silence" - (REINO UNIDO)
Conheci Klimt antes de conhecer Marilyn. O ouro, o decoração que aprisiona, a mulher que existe apenas dentro da moldura alguém construiu para ela. Quando sobrepus esses dois mundos, o A mulher mais retratada em cinco séculos e a mulher mais fotografada.
No século XX, a imagem explodiu. Um retrato tornou-se uma questão. The Breath of Silence nasceu como a trilha sonora de MARILYN100, um Projeto artístico multidisciplinar para o centenário de Marilyn Monroe (1º de junho de 1926). Cem pinturas cibernéticas da artista visual Micheline Grisolame reimagina Marilyn em obras-primas da arte ocidental. De Botticelli a Klimt, abrangendo o período de 1470 a 1919. A música precisava habitar o espaço. o mesmo espaço: a lacuna entre o ícone e a pessoa, entre o a luz que todos projetavam e o silêncio que todos ignoravam.
Cada faixa foi criada por inteligência artificial, dirigida por humanos. julgamento. A IA gera a matéria-prima; eu escolho, eu corto, eu decido. O que permanece e o que desaparece. O processo se assemelha à própria obra de Klimt. Com folha de ouro: o material é rico, excessivo, a composição é um ato de subtração. A faixa-título, The Breath of Silence, é o momento em que o silêncio se torna respiração, onde a mão que aprendeu o seu. A linguagem começa a ser escrita em seu próprio tom.
O álbum foi composto dentro de um museu que existe apenas em som. Cada canção abre uma moldura: um olhar torna-se uma linguagem, um papel torna-se uma superfície. O silêncio se transforma em respiração. A abertura e o tema de encerramento compartilham o mesmo progressão harmônica, o museu abre e fecha com a mesma chave, mas tudo entre essas duas portas mudou.
Uma conversa entre séculos, entre olhares, entre a mulher que foi pintada e a mulher que foi fotografada. Ambos ícones, ambos em busca de uma voz. 450 anos de silêncio. Uma voz, finalmente.
Comentário de Riccardo Crosa, Produtor Executivo e Curador da MARILYN100, Aksonance
➔ Backsprint - "Terminal Desire" - (Sérvia)
Terminal Desire é a música mais pessoal que já escrevi. Ela não nasceu de um momento de sentimento imediato e intenso — ela nasceu do outro lado disso. Quando me sentei para escrevê-la, a poeira já havia baixado. As emoções ainda estavam lá, mas não eram mais barulhentas. Essa distância me deu a honestidade para encará-las com clareza, e a coragem de transformá-las em música.
Por ser uma música tão pessoal, tomei a decisão deliberada de tirar tudo de cena. Sem bateria, sem baixo, sem overdubs. Apenas violões, guitarra slide, gaita e um vocal. O som nu não foi uma limitação — foi o objetivo. Quando não há nada para se esconder atrás, a verdade aparece ou não aparece. Eu precisava descobrir qual dos dois era.
O Backsprint é uma banda de country rock de Belgrado, Sérvia. Crescemos longe de Nashville, criados com Merle Haggard e Johnny Cash através de um par de alto-falantes antigos em uma sala de estar em Belgrado. Essa música sempre nos tocou pelo que ela não fazia — não disfarçava as coisas. Terminal Desire foi nossa tentativa de honrar essa tradição, não por imitação, mas aplicando o mesmo princípio a algo completamente nosso.
A música pode soar caótica em alguns momentos, e estranha em outros. Isso não foi corrigido no estúdio, porque não deveria ser. Esses são exatamente os lugares onde a música é mais honesta. Poderíamos ter suavizado — escolhemos não fazer isso. Uma gravação polida teria sido uma mentira.
O que esperamos que transpareça, acima de tudo, é a verdade crua por trás dela. Não a perfeição. Não o acabamento. Apenas um quarto, uma música, e algo real.
Comentário de Backsprint
➔ Sérgio Froes - "Se a Canção Me Chama" - (BRASIL / ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
“Se a Canção Me Chama” nasceu de uma sensação difícil de explicar, mas muito presente em quem compõe: a impressão de que, às vezes, a música não vem da gente — é ela que escolhe quando e como acontecer.
Essa ideia guiou toda a construção da canção. Eu quis tratar a música quase como uma entidade viva, que se aproxima, chama, insiste… e que só ganha forma quando a gente está disposto a ouvir com atenção. Por isso, a letra caminha nesse lugar entre o real e o simbólico, falando da própria canção enquanto ela se revela.
Essa música faz parte de um conjunto de composições que escrevi ao longo de muitos anos, vivendo fora do Brasil. São canções que ficaram guardadas por bastante tempo e que agora, finalmente, estão ganhando vida. Cada uma delas carrega um momento, uma fase, uma influência diferente — e essa, em especial, representa muito esse reencontro com a música como linguagem íntima.
Na produção, a ideia foi manter essa proximidade. Um arranjo orgânico, com espaço, deixando a voz e a melodia respirarem, sem excesso. Tudo foi pensado para que a música pudesse soar como um diálogo direto com quem escuta, quase como um sussurro que chega aos poucos.
No fim, “Se a Canção Me Chama” fala sobre escuta — não só da música, mas daquilo que nos move por dentro. Sobre estar atento ao momento em que algo verdadeiro pede passagem.
Comentário de Sérgio Froes
➔ Edgecliff Point - "Turn me on" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
Meu nome é Dan Engelhardt e escrevi a música para a banda da qual faço parte, chamada Edgecliff Point. A música foi inspirada por um passeio de moto que fiz há alguns verões, quando minha namorada e eu estávamos pilotando minha moto de Cincinnati, Ohio, até Indiana, ao longo do Rio Ohio, em um dia ensolarado. Voltamos naquela noite e foi romântico; ela estava me massageando enquanto voltávamos para Cincinnati, o que me excitou e inspirou a música.
A música foi gravada e produzida em um estúdio em Cincinnati pela Edgecliff Point. A canção fala sobre viver a vida plenamente e sobre um passeio memorável de moto pelo Meio-Oeste com uma namorada.
Comentário de Edgecliff Point

