A GÊNESIS DA CANÇÃO é uma fusão das versões focadas em processo criativo das listas ALÉM DA BR (lançamentos internacionais) e LUPA NA CANÇÃO (nacionais), que agora É oficialmente editorias. Sob este domínio, já publicamos e desbravamos em torno de 4 mil lançamentos, de brasileiros e de artistas mundo afora.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ Kris Mig - "Ride Beyond Limits" - (POLÔNIA)
A inspiração para Ride Beyond Limits surgiu depois de ouvir a música “Nobody's Gonna Stop Me!” de JJ Samuel. A energia e o espírito motivacional daquela canção despertaram a ideia de criar algo com uma atmosfera igualmente inspiradora, mas com a minha própria identidade musical e uma pegada mais voltada para festivais. Eu queria capturar a sensação de liberdade, movimento e um ímpeto imparável.
Minha intenção desde o início era compor uma faixa que pudesse abrir uma festa ou um set de festival — uma música que elevasse imediatamente a energia emocional e colocasse as pessoas no clima certo para começar a noite. Imaginei o momento em que a multidão se reúne, as luzes se acendem e os primeiros sons poderosos definem o tom do que está por vir.
O processo criativo não foi simples. Exigiu muitas horas de experimentação com sons, melodias e arranjos para alcançar algo original e envolvente. Também dediquei muito tempo à busca da abordagem lírica ideal — algo simples, cativante e fácil de memorizar, mas que ainda transmitisse uma mensagem positiva sobre seguir em frente e romper limites.
Na verdade, muitas versões diferentes dessa faixa foram criadas durante o processo. A versão lançada como "Ride Beyond Limits" não é a primeira que produzi, mas é a primeira que me pareceu suficientemente completa para compartilhar com os ouvintes e distribuir publicamente.
Comentário de Kris Mig
➔ Jonny Wolf (BÉLGICA) e Nathan Kersey-Wilson (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA) - "Wishing You Love"
Wishing You Love é o segundo lançamento em colaboração entre os produtores Jonny Wolf e Nathan Kersey-Wilson. Wolf (radicado em Viena) e Kersey-Wilson (baseado em Los Angeles) se conectaram em 2025 porque ambos tinham lançado seus próprios projetos com o mesmo selo de lo-fi. Wolf é especialista em teclados, synths e produção em geral, e enviou para Kersey-Wilson alguns loops de beat, principalmente querendo acrescentar saxofone e também outros instrumentos melódicos e harmônicos.
Depois de muitos anos excursionando com bandas de funk e R&B, Kersey-Wilson ficou imediatamente inspirado pelos grooves funk animados de Wolf e por suas progressões de acordes inovadoras. O processo criativo em colaboração fluiu de forma natural e tranquila.
O beat original de Wolf que se tornou Wishing You Love já tinha a bateria, efeitos de synth e um timbre de synth bem funk. Nathan começou a gravar piano, improvisando em cima do loop do Wolf, e descobriu a linha melódica principal bem rápido. A melodia tinha um clima romântico e nostálgico que fez Kersey-Wilson se apaixonar pela faixa, um sentimento que misturava saudade de um parceiro do passado ou do futuro e, ao mesmo tempo, o desejo de mandar amor e positividade para aquela pessoa intrigante no momento presente. Kersey-Wilson seguiu esse sentimento enquanto gravava os outros instrumentos, começando pelo órgão Hammond B3. Depois ele gravou o sax alto, seguindo a melodia por um ciclo e então se deixando levar em um solo improvisado. Em seguida, Kersey-Wilson acrescentou cordas e uma nova linha de baixo para completar a atmosfera da faixa. Wolf reuniu todas as partes instrumentais e fez a mixagem e a masterização. A música foi lançada pelo selo Sphere of Hip Hop em fevereiro de 2026.
Comentário de Jonny Wolf
➔ The Mosfets - "Take A Chance" - (HOLANDA)
Já me disseram que costumo compor com compassos ímpares, removendo ou adicionando tempos. Gosto de deixar a melodia ou os riffs guiarem a música. Compor essa música foi, de certa forma, catártico. Como dirigir um carro por estradas longas e sinuosas. Deixei a música ser o veículo e aproveitei a viagem.
Comentário de The Mosfets
➔ Gabriel Gabriel - "Quero Vier em Paz" - (BRASIL)
Um dia de sol, com o céu azul, azul, azul… Quase nenhuma nuvem! A energia vibrante de quando a noite vai caindo e todo o seu transbordar de cores.
Era essa a vibe de quando escrevi ”Quero Viver em Paz”. Engraçado que ela surgiu aos 45” do segundo tempo e "chegou chegando" pra entrar no disco. É a minha música mais recente e sinto que é uma das mais importantes do álbum!!
A letra fala de um amor romântico, mas também de um amor maior… O amor pela natureza. 🍃
Eu sempre gostei muito do pôr do sol, das águas doces das cachoeiras. Contemplar as mudanças no céu me lembra dos ciclos da vida, que terminam e recomeçam.
Então, busquei conectar toda essa energia e foi assim que surgiu essa composição.
"Quero Viver em Paz" foi o primeiro lançamento do meu disco, “Na Medida”.
É música daquelas que a gente ouve, respira fundo e sente o mundo pulsar. 🍃É sobre o amor, também daquele que a gente sente pela vida, pela natureza, por estar presente de verdade.
No meio da correria, parei pra olhar o mundão e percebi o quanto a simplicidade é bonita. Foi nesse respiro que a música veio, leve, sincera e cheia de propósito.
Tenho a honra de dividir essa com o talentoso Josiel Konrad @josielkonrad . Espero que curtam.
Comentário de Gabriel Gabriel
➔ Sergio Froes - "Por Que Não Somos Eternos" - (BRASIL / ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
Algumas canções surgem como um gesto impulsivo: um acorde, uma frase, uma ideia solta que desencadeia tudo. Mas “Por que Não Somos Eternos?” nasceu diferente. Ela veio de uma pausa, de um silêncio que me obrigou a olhar para mim mesmo. Eu me peguei pensando em como o tempo passa depressa — e como, muitas vezes, a gente só percebe isso quando já passou. Foi dessa constatação que brotou a necessidade de transformar esse sentimento em música.
Tudo começou quando percebi que momentos que pareciam garantidos estavam virando memória muito rápido. Me vi olhando para os meus filhos, crescendo sem pedir licença; para os meus pais, caminhando por fases que antes eu só imaginava; e para os meus próprios traços no espelho, mudando aos poucos, como quem sussurra: “o tempo tá passando”. Essa mistura de nostalgia e lucidez me trouxe uma urgência — a vontade de registrar essa sensação antes que ela também se perdesse.
Quando sentei para escrever, não busquei metáforas difíceis ou imagens distantes. Fui direto ao que eu realmente sentia. Pensei nos abraços que viraram fotografia, nas conversas que ficaram guardadas, nos risos que hoje são só lembrança. A música foi se construindo quase como uma carta para mim mesmo, um lembrete de que a vida não espera, e que é preciso amar agora, falar agora, estar presente agora.
A melodia acompanhou esse processo. Escolhi uma progressão suave, acolhedora, em tom de G, que permitisse à letra respirar. Queria que a música soasse como uma conversa tranquila, daquelas que a gente tem no fim do dia, quando o barulho lá fora finalmente diminui. Não queria exagero, queria verdade. Cada acorde foi colocado ali para sustentar essa intimidade, para amparar a letra sem roubar a atenção dela.
No fim, “Por que Não Somos Eternos?” se tornou mais do que uma música — virou um espelho. Um reflexo daquilo que eu sinto, e talvez daquilo que muita gente sente, mesmo sem dizer. Eu não tenho a resposta para a pergunta do título, mas entendi que a beleza está justamente nisso: no fato de não sermos eternos. É essa finitude que dá valor a tudo o que vivemos. É ela que me faz querer escrever, cantar, amar e permanecer presente enquanto ainda há tempo.
Comentário de Sergio Froes

