As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.
A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ Whilom - "Third State (feat. Skiddler)" - (REINO UNIDO)
1. O que inspirou a música?
As influências de Whilom vêm de uma gama ampla e eclética de artistas, mas uma influência fundamental foram os álbuns Rubycon e Pheadre do Tangerine Dream, que meu pai tocava muito quando eu era criança, nos anos 70. A atmosfera que eles criaram naqueles anos formativos me guiou por uma trajetória de amor pela música eletrônica que duraria a vida toda.
2. Qual a mensagem dela, então?
Por essa razão, o tema da música de Whilom será sempre a textura. "Third State" é uma canção sobre o "terceiro estado" entre a vida e a morte, traduzindo essa ideia em som com uma profundidade emotiva. Em vez de se basear em uma estrutura previsível, a faixa se desenrola pacientemente, convidando os ouvintes a uma atmosfera meditativa.
3. Como se desenrolou o processo de produção musical desta música, que eu julgo complexa instrumentalmente?
A produção de Third State foi muito focada em ser lo-fi e "suja", mas aparentemente angelical ou talvez espiritual. O trabalho de Whilom geralmente se restringe ao estúdio (com uma rara apresentação ao vivo no final do ano passado), mas antigas fitas cassete da família têm grande influência em seu som.
Respostas de Whilom
➔ Cody & Brody - "3 AM Friend" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. O que diz a letra da música, qual é a sua mensagem?
"3 AM Friend" é uma homenagem ao tipo de irmandade que nunca desliga — o amigo que sempre aparece no meio da noite, sem fazer perguntas, não importa o quão difícil seja a situação.
2. Qual foi a sua fonte de inspiração?
Estávamos visitando um amigo de longa data no Texas. Nós três crescemos juntos desde o jardim de infância e, ao longo de nossa longa amizade, combinamos que atenderíamos o telefone a qualquer hora e em qualquer lugar para ajudar um ao outro nos bons e maus momentos — especialmente nos maus momentos.
3. Musicalmente, em que você trabalhou nesta música?
Tivemos dificuldades em encontrar os acordes e o riff de guitarra adequados para a letra "where the black top dies" (onde o asfalto morre).
4. Como se desenrolou o processo de produção e gravação musical de "3 AM Friend"?
A letra surgiu bem rápido com a ajuda de um amigo nosso no Texas. Na noite em que tivemos a ideia e a letra, estávamos bebendo tequila Adictivo e fomos ao Bourbon. Quando voltamos para casa, um amigo nosso que tem um pequeno estúdio nos ajudou a aprimorar a música.
5. Há algo curioso que você gostaria de destacar?
Estamos trabalhando em uma sequência para esta música e temos algumas ideias... E se o amigo que sempre atende o telefone às 3 da manhã finalmente precisar de ajuda? Agora, o cara que sempre foi o "problema" precisa se tornar o herói pela primeira vez?
Estarei ao seu lado, não importa o que aconteça, mas na sequência, a mensagem se torna: ...............
Respostas de Cody e Brody
➔ Regula Jo - "Toast to the Alcohol" - (TRINDADE E TOBAGO)
1. De onde veio a inspiração para esta música?
A inspiração veio daqueles momentos sinceros e descontraídos com amigos próximos. Trata-se daqueles momentos em que uma bebida é mais do que apenas um drinque — ela se torna um catalisador para conversas profundas e celebrações genuínas. Eu queria capturar essa sensação específica de camaradagem.
2. Qual é a mensagem da música?
A mensagem é de gratidão e resiliência. É um brinde às pessoas que permanecem ao seu lado nos bons e maus momentos. A música trata o "álcool" como um salvador simbólico que ajuda a aliviar o peso de uma semana longa e fortalece os laços entre os amigos.
3. Musicalmente, que aspectos foram incorporados à obra?
Queria manter a produção orgânica, mas ao mesmo tempo refinada. Incorporamos guitarras acústicas limpas para dar um toque intimista e usamos camadas vocais no refrão para criar aquela atmosfera de "grupo" — como um círculo de amigos cantando juntos. É um pop acústico com uma energia muito ensolarada e calorosa.
4. Qual a influência do seu país, Trinidad e Tobago, nessa música?
Viver em Trinidad e Tobago significa crescer rodeado por uma cultura de celebração e contação de histórias. Mesmo sendo uma música pop, o ritmo descontraído e a atitude de "viver o momento" — tão central à nossa cultura insular — estão definitivamente no DNA desta canção.
5. Há algo curioso sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
Sim! O lançamento foi estrategicamente programado para o Dia de São Patrício. Como a música é um brinde literal à celebração, não havia dia melhor no calendário para compartilhá-la com o mundo do que o dia oficial do "saúde!".
Paz e amor de Trinidad e Tobago para o Brasil!
Respostas de Regula Jo
➔ Jordan Call - "Darling One" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Por que nosso leitor deveria ouvir sua música?
Minha música é uma versão moderna e exuberante da bossa nova. Ela fala sobre os pequenos momentos que tornam a criação de um filho tão especial. É aconchegante e nostálgica, e quando a ouço, me deixa de bom humor. Espero que minha música traga alegria e nostalgia a todos que a ouvirem. Se quiser acompanhar meu trabalho e minhas próximas músicas, fique à vontade para me seguir nas redes sociais!
2. "Darling One" é basicamente uma bossa nova. Por que você trabalhou com esse gênero e como o descobriu?
A bossa nova é um gênero musical que me é muito querido. Descobri-o enquanto estudava guitarra jazz, apaixonando-me por artistas como Tom Jobim, Elis Regina e João Gilberto. Quando compus esta canção para a minha filha, pensei que as belas convenções de produção e instrumentação da bossa nova seriam perfeitas para o tema. Realmente não existe nada igual no mundo.
3. Que tipo de realidade a letra retrata?
Esta canção é uma série de pequenas vinhetas que descrevem momentos do dia a dia na criação de uma criança pequena. Eu a escrevi sobre minha primeira filha, quando ela ainda era um bebê. Percebi que esses pequenos momentos, que mal notamos, mais tarde se tornam memórias preciosas, e quis explorar alguns deles em forma de música.
4. Qual foi a fonte de inspiração para compor a letra e a música?
Musicalmente, a música de Elis Regina foi a que mais me inspirou, embora eu também quisesse dialogar com Laufey, que trouxe uma nova atenção ao gênero. Em relação às letras, eu não tinha ninguém em mente necessariamente, mas como alguém que estudou literatura e escrita criativa na faculdade, sempre acabo tendo algo a dizer.
5. Por que você escolheu essa capa para a música?
A arte da capa é uma Polaroid da minha família jovem sobre um fundo de madeira escura. A imagem está desfocada e apresenta as marcas das imperfeições analógicas, sugerindo uma memória que se tornou nebulosa com o tempo e criando uma sensação de nostalgia. A madeira é, na verdade, o corpo da minha primeira guitarra de verdade, que me conecta ao meu passado.
Respostas de Jordan Call
➔ Noa Levy - Very Early - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Musicalmente falando, em quais elementos você se concentrou nesta faixa?
Nos concentramos bastante em preservar o lirismo e a profundidade harmônica que são tão centrais na música de Evans, ao mesmo tempo em que permitimos espaço para que a voz se sinta completamente integrada a esse universo.
O equilíbrio era importante — manter o arranjo delicado e transparente, para que cada instrumento pudesse respirar, sem deixar de lado uma forte carga emocional. A interação entre o trio é muito coloquial, o que reflete a própria abordagem de Evans, e vocalmente eu transito entre uma interpretação mais lírica e momentos que soam mais como improvisação.
2. Como foi o processo de produção?
O processo foi muito colaborativo e muito focado na escuta — tanto mútua quanto da própria música.
Gravamos ao vivo com o trio durante dois dias, o que nos permitiu capturar uma interação natural e orgânica entre os músicos. Uma parte importante do processo foi a contenção — não exagerar na produção, mas deixar que as nuances, a dinâmica e os detalhes emocionais se manifestassem naturalmente.
Mesmo ao adicionar letras, o objetivo sempre foi permanecer fiel ao espírito original da composição, em vez de impor algo externo a ela.
3. Há algum detalhe interessante ou curioso que você gostaria de destacar?
Um dos aspectos mais interessantes deste projeto é que muitas das composições de Bill Evans eram originalmente puramente instrumentais, então adicionar letras é algo bastante incomum.
De certa forma, parecia menos "escrever" e mais descobrir — como se as melodias já contivessem histórias, e nosso trabalho fosse simplesmente ouvir com atenção suficiente para revelá-las.
Além disso, todo o álbum foi construído a partir de uma conexão compartilhada que começou durante colaborações em Londres e cresceu organicamente por meio de apresentações ao vivo antes de se tornar uma gravação — então ele realmente se desenvolveu diante de uma plateia antes de ser capturado em estúdio.
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