25 de junho de 2026

MIX ECLÉTICO DE CINCO IDEIAS MUSICAIS (#8)

As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.

A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.

Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

➔ Carlos Olivera - "Cambio De Plan" - (MÉXICO)
1. Qual é a melhor sinopse de "Cambio De Plan"?
“Cambio de Plan” conta a história daquelas noites em que você sai com a intenção de fazer algo tranquilo, mas tudo muda de forma inesperada. Entre a música, sua bebida favorita e a companhia certa, as emoções assumem o controle e as decisões se tornam impulsivas. Por um momento, você deixa as preocupações de lado e se entrega completamente a aproveitar o presente.
2. O que inspirou a música e como você passa essa história na letra?
Houve uma fase em que um amigo e eu adotamos as quintas-feiras como nossa válvula de escape semanal: sair para tomar algo e ouvir uma banda de rock em um Irish Pub ali perto. Tudo começava de forma tranquila, conversando e tomando cerveja, mas assim que a banda começava a tocar, algo mudava. A gente se deixava levar, cantava, comemorava e o ambiente se transformava. Esses momentos de conexão e liberdade, seja só entre nós ou com mais amigos, são os que eu quis capturar na letra.
3. Musicalmente, quais são suas características?
Musicalmente, a música busca ser coerente com a sua história. Junto com meu coautor José Luis Nápoles (Nap), partimos de uma base com toques de blues, mas mais voltada ao rock clássico dos anos 80 e 90. A instrumentação é direta: guitarra elétrica, baixo e bateria, sem excessos. Na interpretação vocal eu explorei uma abordagem diferente, com uma voz mais rouca e descontraída em alguns momentos, para transmitir melhor a emoção da música. O refrão, por sua vez, foi pensado para explodir com energia e fazer com que a canção soe dinâmica e divertida.
4. Que influência tem o seu país, o México, nesse lançamento?
Meu principal foco é ser honesto com o que escrevo e sinto. Embora atualmente o regional mexicano domine muitas tendências no país, eu busco oferecer uma proposta diferente e fresca. Tenho interesse em contar histórias a partir do rock, incorporando a narrativa característica do country, do jeito que fazem cantores como Carín León e Christian Nodal, mas levando isso para um gênero diferente. É uma forma de me conectar com o meu contexto de uma maneira diferente.
5. Tem mais alguma coisa interessante que você queira destacar?
“Cambio de Plan” é uma daquelas músicas que praticamente se escreveram sozinhas, porque nasce de experiências reais. Primeiro eu fiz um rascunho com uma melodia e compartilhei com meu amigo e mentor, José Luis Nápoles, que me ajudou a dar forma à música. A intuição musical dele foi fundamental nesse processo, e a participação dele foi muito importante para mim. O curioso é que, ao contar a história por trás da canção, ele comentou que até ficou com vontade de participar dessas noites de rock que a inspiraram.

Respostas de Carlos Olivera

➔ Zoe Konez - "Nudge" - (REINO UNIDO)
1. Como surgiu essa música?
'Nudge' surgiu quando eu me sentia desanimado, com a vida em geral, e os versos falam sobre os diferentes métodos que tentei para me sentir mais motivado e feliz - exposição à água fria, exercícios, etc., e o refrão simplesmente reconhece que às vezes é um pequeno momento, um toque ou uma mensagem de alguém que pode te dar o impulso necessário para continuar.
2. Qual é a mensagem da letra?
Eu diria que a mensagem da letra é que podemos tentar de tudo, mas a interação humana e a atenção aos pequenos detalhes são o que nos mantém contentes e felizes.
3. Como você descreveria melhor o som de "Nudge"?
Eu descreveria o som de Nudge como um momento aconchegante e reconfortante para relaxar, uma música que te acompanha em um momento tranquilo e reflexivo.
4. O que essa faixa diz sobre seu novo álbum?
'Nudge' representa bem o som, o clima e o tema do meu álbum 'Everything's Fine', que será lançado em junho. Dentro da esfera sonora do indie folk, do estilo acústico de cantor e compositor, é bastante suave, delicado, introspectivo e melancólico, com um sentimento subjacente de esperança.
5. Há mais alguma coisa interessante que você gostaria de destacar?
O álbum foi inteiramente feito por mim; escrevi as letras, toquei e gravei os instrumentos, produzi o som, então é pessoal e espero que outras pessoas se identifiquem com ele, por ser um álbum com uma sonoridade muito humana, em uma época em que o cotidiano está se tornando cada vez menos humano.

Respostas de Zoe Konez

➔ Daphne Parker Powell - "In the Soup Till the Pot Rots" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
Nunca fui de me prender à expectativa social de pureza virginal. Tenho um número de parceiros sexuais que rivaliza com o de Total Recall. Mas sempre acreditei que seria possível ter pelo menos um, se não o único. Eis que surge meu primeiro marido, que nem sequer queria ser o único. Junto com todos os outros arquétipos que experimentei e descobri que não eram para mim, o bad boy, o aproveitador, o que abandona, ainda ocupa um lugar especial em um canto do museu do meu coração.
Demorei muito para deixar isso de lado, e logo depois que o fiz, encontrei o Mike. A única pessoa que nunca me decepcionou profundamente. Então agora construo prateleiras para a alegria, a abundância e a comunidade, na esperança de que possamos mantê-la funcionando até que se torne uma relíquia inestimável, em vez da sucata velha que tive no passado.

Respostas de Daphne Parker Powell

➔ Nervous City Nervous Self - "Land of the new" - (SUÉCIA)
A ideia por trás de "Land of the New" era capturar a inocência de um novo sonho ou encontro – quando tudo parece possível. Quando o tempo ainda não colocou a realidade em seu devido lugar, ou a acorrentou.
Acho que a música surgiu dessa intensa sensação de que algo realmente transformador poderia acontecer. Acredito que a letra dos versos descreve essa(s) situação(ões), e o refrão a confirma, seguido por uma ponte que questiona um pouco todo o processo – o que é necessário para a realidade. E então, finalmente, retornamos ao sonho, ou à realidade desejada, no último verso e refrão. Acho que
a batida e as harmonias são o que impulsionam a música – a história e os vocais flutuam acima disso: como se a música fosse, na verdade, uma jornada ou uma onda que precisa te transportar para algum lugar. E, com sorte, para um lugar – ou terra – que seja algo novo e "rico" para a(s) pessoa(s) envolvida(s).

Respostas de Nervous City Nervous Self

➔ Zé Barreto de Assis com feat. de Pedro Iaco - "Pássaro e Pedreira" - (BRASIL)
1. Como você conheceu essa música e o artista compositor?
“Pássaro e Pedreira” nasceu dentro do meu próprio processo criativo, durante a gravação do meu primeiro álbum, "Os Passarinho". Compus essa música em 2021, nesse período.
Desde o início, ela já carregava uma identidade que ia além do processo do disco, e eu sentia que deveria ficar de fora. Por isso, acabou não entrando naquele momento, como se ainda pedisse mais tempo de maturação e experimentação, até chegar no momento em que estamos agora.
2. Faça uma reflexão sobre a letra e a mensagem da música.
A canção fala sobre transmutação, sobre mudar de estado, sobre se tornar outros e outras coisas, entendendo que somos parte de um processo cíclico, natural da vida.
A música caminha entre esses lugares, criando uma sensação de travessia, de mudança interna, e lembrando o tempo todo que somos parte do “Todo”. Os elementos nos atravessam e influenciam nossos estados, como no trecho:
“O mar escorrendo as narinas é lua cheia
E eu que pensei que fosse das águas
E eu que pensei que nascesse das águas
Sou filho da terra, amante da lua, sou talvez a lua desgarrada de seu eixo
Voo sobre o mar, parente de tudo, pássaro e pedreira”
3.Por que resolveu gravá-la?
Resolvi gravar porque senti que ela finalmente encontrou seu tempo. Depois de anos sendo trabalhada em ensaios e experiências ao vivo, a música ganhou corpo, maturidade e verdade.
Além disso, conseguimos viabilizar a gravação da música com o vídeo clipe através de um edital da PNAB municipal (Bezerros-PE), o que fortalece muito o trabalho de artistas independentes.
Com as incríveis presenças de Pedro Iaco na voz e Hugo Linns na produção musical, também alcançamos um ponto de entendimento dentro desse caldeirão criativo que a música exigia para ser gravada.
4. O que sua versão tem de especial, de seu?
Bem, nessa gravação tivemos um forte cuidado com a ambiência e com a espacialidade dos sons que estavam presentes. Existe uma atenção na forma como os instrumentos conversam entre si dentro da própria canção.
Ao mesmo tempo, deixamos o violão, como instrumento primeiro do ato criativo, carregar e direcionar a música.
A faixa carrega não só a minha identidade, mas a de todas as pessoas que participaram dela, pulsando o tempo todo uma grande organicidade.
5. Há algo de curioso que você queira destacar?
Então, o fato de a música ter esperado alguns anos até ser gravada, vivendo esse processo de maturação até chegar nesse lugar. Durante esse tempo, ela foi se transformando junto comigo.
Outro ponto curioso foi o encontro marcante foi com Pedro Iaco, que eu ainda não conhecia pessoalmente, mas já acompanhava o trabalho há alguns anos. Eu sentia que essa música dialogava com ele de alguma forma e, quando ele recebeu a canção (pelo instagram rsrs), foi bonito perceber que também fazia sentido para ele estar junto.
Também é minha primeira experiência de gravação com alguém de outro estado, uma parceria entre Pernambuco e São Paulo, distantes geograficamente, mas acredito que profundamente conectados pelo que a canção evoca e as influências ancestrais da música brasileira como um todo.
Importante colocar que tudo isso se expande ainda mais com o clipe musical, gravado em estúdio ao vivo, que será lançado no dia 08 de maio.

Respostas de Zé Barreto de ssis

administrator
Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.