(lançamentos internacionais) e LUPA NA CANÇÃO (nacionais), que agora É oficialmente editorias. Sob este domínio, já publicamos e desbravamos em torno de 4 mil lançamentos, de brasileiros e de artistas mundo afora.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ Betsy Lawrence - "Fooled" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
“Fooled” nasceu durante um período em que eu observava a vida de pessoas próximas a mim mudar repentinamente de maneiras inesperadas. Dois casamentos de longa data ao meu redor, ambos com quase quarenta anos de duração, começaram a desmoronar quase simultaneamente. O que mais me impressionou não foi simplesmente a dor em si, mas a negação silenciosa que muitas vezes existe muito antes da verdade se revelar por completo. É extraordinário e devastador como as pessoas podem continuar representando emocionalmente um relacionamento mesmo quando a distância e o distanciamento tomam conta da relação.
A música surgiu de uma reflexão sobre como, às vezes, ignoramos o que já sabemos lá no fundo. Me peguei pensando nas histórias que contamos a nós mesmos para preservar a estabilidade, o amor ou a esperança. "Fooled" não tem a intenção de julgar ninguém. Trata-se mais daquele momento humano doloroso em que a clareza finalmente chega e a pessoa precisa confrontar o que aconteceu com o relacionamento.
"Fooled" me veio à mente numa noite, enquanto caminhava por um pequeno festival com meu marido, David. Ele disse algo engraçado e eu olhei para ele e disse: "Eu não sou boba". A frase me atingiu imediatamente com força emocional, e eu soube que havia uma música ali dentro. Eu disse exatamente isso... essa é uma ótima letra de música!! Assim que chegamos em casa naquela noite, comecei a escrever. A letra surgiu muito rápido, o que pode ser normal para mim, dependendo da música. A melodia se desenvolveu facilmente para esta canção, pois usei a frase "Eu não sou boba" para começar a escrever. No final daquela noite, eu já tinha o primeiro verso e o refrão prontos, e terminei o resto da música no dia seguinte.
Musicalmente, “Fooled” começou como uma balada ao piano com acordes influenciados pelo jazz. Eu queria que o arranjo soasse íntimo e emocionalmente contido, em vez de dramático. Os versos permanecem reflexivos e conversacionais, enquanto o refrão ascende a um espaço vocal mais vulnerável e emocional, especialmente na frase “I am no fool” (Eu não sou tolo), que atinge um registro mais agudo e se torna quase um grito na terceira vez que se repete na música. Esse contraste me pareceu importante porque a música, em última análise, trata da recuperação da dignidade através da honestidade.
O que eu mais amo em compor músicas é que, às vezes, uma canção parece surgir de repente, carregando emoções e observações que vinham se formando silenciosamente sob a superfície há muito tempo. "Fooled" me proporcionou essa experiência. Surgiu da reflexão, da observação e de uma tentativa de compreender a complexa vida emocional que as pessoas carregam a portas fechadas.
Comentário de Betsy Lawrence
➔ Marcelo Sirotsky - "The Collection" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
"Esse foi o primeiro DJ set que montei utilizando apenas músicas autorais. Apesar de já ter feito muitos outros sets antes, essa foi a primeira vez que trabalhei exclusivamente com composições minhas, o que tornou o processo diferente e mais pessoal. A construção começou pela definição do clima e da energia que eu queria transmitir, pensando no ritmo, nas batidas por minuto e em como cada música poderia se conectar naturalmente com a próxima.
A harmonia entre as faixas foi uma das partes mais importantes do processo criativo, porque as músicas precisavam “conversar” entre si para manter a fluidez do set. Também pensei bastante nas passagens, buscando transições suaves e quase imperceptíveis, valorizando detalhes específicos como letras, elementos sonoros e mudanças de atmosfera para deixar a experiência mais interessante.
Ao longo da montagem fui experimentando filtros, batidas, camadas e combinações até chegar em um resultado que me deixasse satisfeito. Esse projeto acabou despertando novamente a vontade de criar outros DJ sets temáticos e explorar diferentes moods, estilos e narrativas dentro do meu catálogo autoral."
Comentário de Marcelo Sirotsky
➔ DERBEN - "Mein Vater, Mein Held" - (ALEMANHA)
Não começou com um instrumento. Começou com um pensamento que simplesmente ficou na cabeça — daqueles silenciosos e incômodos que você não consegue afastar, por mais que tente. Quantas pessoas na minha vida eu nunca disse, de fato, o quanto elas significam para mim? Não porque eu não sinta isso — mas porque o momento certo parecia nunca chegar. Eu conhecia esse sentimento. E quanto mais eu ficava com ele, mais claro ficava: todo mundo conhece isso. Aquela culpa lenta e crescente que te atinge quando você menos espera. Eu soube na hora — isso tem que ser uma história. Uma que torne esse silêncio real, antes que seja tarde demais.
A primeira pergunta foi: de quem é essa história? Não sou um músico profissional — comecei apenas em 2025, sem escola de música, sem regras a seguir. E, honestamente, isso acabou se tornando meu maior ponto forte. Eu não estava pensando em gêneros ou formatos. Eu pensava em sentimentos. Imaginei um filho, de quinze anos, afastando o pai — não por crueldade, apenas por aquela certeza adolescente de que o mundo pertence a você. E então eu imaginei esse mesmo filho, anos depois, sentado diante de uma cadeira vazia, finalmente compreendendo o que ele havia jogado fora. O personagem era ficção — mas o sentimento por trás dele era tão real que eu soube imediatamente como essa música precisava soar.
O ponto de virada aconteceu com a ponte. Eu me perguntei: e se o pai não tivesse realmente ficado em silêncio? E se ele tivesse escrito tudo — cartas cheias de orgulho, cheias de amor — e simplesmente nunca as tivesse enviado? De repente, não era só o filho que tinha ficado calado. Os dois tinham ficado. Esse era o verdadeiro cerne da questão — duas pessoas que se amavam e nunca conseguiram dizer isso em voz alta. Esse é o tipo de verdade que te atinge no peito, mesmo quando a história é inventada. Quando você encontra algo real, você sente isso instantaneamente.
E então veio a decisão que mudou tudo: essa história não precisa de algo suave por baixo — ela precisa de peso. Ela precisa causar impacto. Uma balada rock poderosa. Sombria no início, quase à deriva — como alguém organizando os pensamentos antes de finalmente falar. E então, do nada, a parede atinge. Guitarras rítmicas estridentes, baixo e caixa. Não é avassalador — é mais como o som de alguém que finalmente está dizendo o que carregava consigo há tempo demais. Eu penso nela como uma balada de rock poderosa e melancólica — crua, honesta e em alemão, o que de alguma forma faz com que pareça ainda
mais sem filtros. O compositor diz o que precisa ser dito. A música garante que você sinta isso no seu corpo.
O que eu quero é simples: quero que alguém ouça essa música, pare por um segundo — e então pegue o celular. Mande uma mensagem para alguém com quem tem vontade de falar há algum tempo. Ligue para alguém que vem adiando. Apenas: ei, estou pensando em você. Você é importante para mim. Se isso acontecer uma vez — para apenas uma pessoa — essa
música terá feito mais do que qualquer posição nas paradas jamais poderia fazer. A música não precisa de tradução. Aquele
sentimento de sentir falta de alguém e saber, no fundo, que você esperou demais — isso não é uma coisa alemã. É uma coisa humana. A música funciona melhor quando você para de tentar explicá-la. “Quantas vezes reprimimos o que realmente sentimos? Quantas vezes percebemos
tarde demais o que alguém realmente significava para nós?” — DERBEN / Benjamin Schaak
Comentário de DERBEN
➔ Michael Vdelli And The Art Of Dysfunction - "You And The Blues" - (AUSTRÁILIA)
O tema é baseado em uma história real que vivi.
Escrevi a letra depois de passar por um período muito difícil: divórcio, dependência química crônica e a perda do meu pai.
O que aconteceu depois disso me transformou em uma pessoa melhor, me forçando a confrontar meus demônios e decidir se eu queria viver ou morrer.
Foi uma época muito difícil e solitária. Mas, como dizem, o que não nos mata nos fortalece.
A música foi um esforço conjunto de toda a banda e veio antes da letra. É uma música difícil de executar e trabalhamos muito para que ficasse perfeita.
É uma alegria pura tocar essa música ao vivo e o público parece gostar bastante também. Uma purificação para a alma.
Por favor, me avisem se precisarem de mais informações sobre a nossa banda.
Comentário de Michael Vdelli
➔ Toninho Almeida - "Wazemmes" - (BRASIL / FRANÇA / ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
Como na A Feira de Caruarú de Onildo Almeida, que faz uma transcrição dessa feira famosa e que virou sucesso na gravação de Luiz Gonzaga. Toninho Almeida em Wazemmes, que também fala de uma famosa feira de Lille, na França, vai buscar elementos da cantoria, escolhendo o formato poético do decassílabo, do Galope para descrevê-la. Mas não para por aí, Toninho que mora há mais de 30 anos nesse bairro, foi buscar também na história uma boa parte dos ingredientes. Para completar o feito, sabendo da presença importante de povos da África nesse bairro, Toninho escolheu o ritmo ternário tão caro aos africanos, criando assim uma ligação invisível entre todos esses povos que atravessaram essas terras do Norte da França e o aqui agora do mercado: Seus incontáveis e improváveis produtos, seus bares, verdadeiros 'points' da cidade e o burburinho particularmente nos domingos ensolarados.
Com relação à minha maneira de criar, de tentar caminhos:
- eu acho que Essa minha ligação com a música eletrônica tem a ver também com o ambiente de estilos musicais que vivenciei de muito perto, como o forró da minha infância, o samba das escolas de samba do Rio e também o samba reggae que vi nascer em Salvador, na Bahia... por essa coisa de repetição, do transe, da dança.
- Tem também a ver com ritual, a coisa da batida constante que é tão usada também na música eletrônica. Vejo isso também nos mix dos DJs, que vão tirando e colocando instrumentos... o que se faz muito em grupos de percussão, dando mais evidencia à certos sons aqui e à outros ali.
- Claro que teve também essa coisa da curiosidade, da novidade, do amor pela ciência, de estar lado à lado com a técnica: máquinas, aplicativos, plugins!
- E por fim o aprendizado da música: prática de instrumentos, harmonia e... alguma coisa pra dizer, não é? Claro, esse pouquinho de sentimento, senão é artificial ou feito por inteligência artificial. Sem esquecer a faísca, a inspiração, sem a qual, nada disso seria possível. O resto é transpiração, trabalho cotidiano, repetição.
Comentário de Toninho Almeida

