A GÊNESIS DA CANÇÃO é uma fusão das versões focadas em processo criativo das listas ALÉM DA BR (lançamentos internacionais) e LUPA NA CANÇÃO (nacionais), que agora se tornam oficialmente editorias. Sob este domínio, já publicamos e desbravamos em torno de 4 mil lançamentos, de brasileiros e de artistas mundo afora.
A GÊNESIS DA CANÇÃO não muda muito a lógica das edições anteriores. Selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras sobre a criação de suas novas músicas. A diferença é que antes artistas brasileiros ficavam em listas separadas, e agora está tudo junto.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ JadJones - "Oh Mom" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
Minha mãe era uma grande mulher que fez amizade com muitas pessoas e as ajudou em suas vidas. Ela era amiga de muitos. Ela também foi diretora de uma escola primária. O verso "ela me ajudou a superar os momentos difíceis" se refere à proteção que ela me deu quando meus pais se divorciaram. Ela me ajudou a perseverar, sempre me incentivando a acreditar que eu poderia fazer qualquer coisa se me esforçasse muito. Seu incentivo me permitiu me tornar médica. Ela faz parte de mim enquanto trato meus pacientes. Minha mãe tinha muitos amigos, pois demonstrava um interesse genuíno pela vida deles. Em seu funeral, que contou com a presença de centenas de pessoas, seus amigos me contaram sobre o impacto que ela teve em suas vidas. Foi incrível, porque todos disseram a mesma coisa: ela sempre estava lá para ouvir e ajudar.
Havia tantas pessoas lá que reafirmaram o que eu já sabia: que ela era uma mulher e mãe incrível.
Comentário de JadJones
➔ CHELLYX e PRAX - "Bleed Me Empty" - (AUSTRÁLIA)
"Bleed Me Empty" é um dueto acústico minimalista que mergulha no custo emocional bruto de se doar demais. Guitarras sobrepostas e vocais intimistas criam uma paisagem sonora assombrosa e vulnerável que captura sentimentos de esgotamento emocional, desilusão amorosa e a tensão entre generosidade e autopreservação. A canção explora o delicado equilíbrio entre conexão e esgotamento, retratando a luta para manter os próprios limites enquanto se abre completamente para os outros. É ao mesmo tempo terna e implacável, envolvendo os ouvintes em uma experiência profundamente pessoal, porém universalmente identificável.
Comentário de PRAX
➔ half.size - "LONELY EXPRESS" - (JAPÃO)
Eu, スタゲ☆彡 (stargazer), criei a melodia principal há mais de cinco anos para um vocal feminino. Ao retomar o projeto, convidei a artista くどう道絵 (Michie Kudou) para a letra. Surpreendentemente, ela trouxe uma perspectiva masculina, o que mudou completamente o rumo da produção e me levou a ajustar o vocal. Naquele momento, minha intuição se transformou na convicção de que tínhamos algo especial.
Para alcançar a perfeição, contei com a produção do meu mentor, 野口義修 (Yoshinori Noguchi), um dos produtores mais renomados do Japão. Juntos, buscamos a "estética entre a velocidade e a melancolia", resultando em uma obra que equilibra sentimentos profundos com uma sonoridade vibrante. Esta faixa é apenas uma das muitas sementes melódicas que guardo há anos, agora finalmente florescendo em sua melhor forma sob a orientação de 野口義修 (Yoshinori Noguchi).
Segundo o produtor 野口義修 (Yoshinori Noguchi) , o charme do J-Pop está na "哀愁 (Aishuu)" — a melancolia da melodia — algo raro no pop ocidental. "LONELY EXPRESS" carrega essa espiritualidade japonesa, com notas que oscilam delicadamente entre escalas maiores e menores. Um dos grandes destaques são as belas linhas de coro no bridge, que se entrelaçam harmonicamente à melodia principal, criando uma camada emocional profunda que ressoa no coração do ouvinte.
A letra escrita por くどう道絵 (Michie Kudou) teve uma influência gigantesca na versão final da música, guiando toda a expressividade vocal. Usamos a tecnologia Synthesizer V com edição meticulosa para que cada palavra e nuance poética fosse transmitida com máxima clareza. Tecnicamente, a música brilha em seu trecho intermediário com modulações complexas, mas é a alma das palavras de くどう道絵 (Michie Kudou) que eleva a sonoridade ao patamar de arte.
Mesmo para o público internacional, "LONELY EXPRESS" foi concebida para ser uma obra-prima de sonoridade asiática. Acreditamos que a ressonância da voz e a construção harmônica permitem que os ouvintes sintam a emoção, independentemente do idioma. Esperamos que o público brasileiro desfrute desta peça que une a tradição melódica japonesa, a poesia de くどう道絵 (Michie Kudou) e a produção de alta classe de 野口義修 (Yoshinori Noguchi).
Obrigado,
Comentário de Stargazer e Yoshinori Noguchi
➔ Abaday - "לאבה" - (POLÔNIA)
“Laba” nasceu de um sentimento que conheço muito bem: quando o amor parece calor na pele — doloroso, mas viciante. Convivo com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e tenho dificuldades em relacionamentos, principalmente no momento em que você percebe que está permanecendo em algo que te consome. É por isso que o refrão é simples e repetitivo, como um pensamento que você não consegue desligar: “queima como lava… e de alguma forma, está tudo bem para mim”.
A letra mistura desejo com perigo — “o diabo veste Prada”, “meu coração embalado numa bolsa Dior” — porque era assim que eu me sentia: glamour na superfície, danos por baixo. Escrevi o refrão primeiro, depois construí os versos como instantâneos rápidos: um jogo de forças entre “diga-me sim / diga-me não”, intimidade e distanciamento, hebraico com pequenos versos em inglês para refletir entorpecimento e ruptura.
O vídeo expande a ideia: trata-se de ser arrastada emocionalmente e perder a voz dentro de um relacionamento sério — como se o seu corpo estivesse presente, mas a sua autonomia não. Também inclui referências aos ataques de 7 de outubro e ao sequestro dos participantes do festival Nova, porque aquele dia deixou uma cicatriz na minha realidade; o trauma pessoal e o coletivo se fundiram na mesma sensação de impotência.
No fim das contas, “Laba” não é apenas uma canção sobre término de relacionamento — é uma confissão sobre ansiar por aquilo que dói e a luta para recuperar a própria voz. Obrigada por incluí-la em THE GENESIS OF THE SONG. Um abraço reconfortante da minha parte também.
Comentário de Abaday
➔ pantelis gargoulakis - "Summer Breeze" - (Grécia)
Esta composição nasceu sob o sol radiante da ilha de Naxos, na Grécia, inspirada pela sensação única de liberdade e frescor que a brisa do Mar Egeu proporciona ao tocar o rosto em uma tarde de verão. Como músico e professor de guitarra há 20 anos, traduzir essa atmosfera paradisíaca em sons foi uma experiência profundamente gratificante.
O processo criativo começou na própria areia, com minha guitarra em mãos. Primeiro, estabeleci a base harmônica utilizando acordes de Jazz de quatro sons, buscando uma sonoridade sofisticada e profunda. Escolhi o ritmo da Bossa Nova por acreditar que é a linguagem ideal para transmitir a serenidade do verão. No dia seguinte, com a estrutura definida, escrevi uma melodia com fluxo contínuo, simulando o movimento constante e suave do vento, unindo a técnica que apresento em meu livro de teoria musical com a sensibilidade do momento.
Minha identidade musical é profundamente influenciada pelos mestres brasileiros, como Antônio Carlos Jobim e Astrud Gilberto. Clássicos como "Girl from Ipanema" e "How Insensitive" moldaram minha percepção estética, enquanto integro a agilidade e o uso inteligente de escalas de Django Reinhardt. Busco um equilíbrio entre a emoção da bossa e a sofisticação instrumental, criando um diálogo entre diferentes culturas musicais.
A mensagem central de "Summer Breeze" é a busca pela paz interior, pela serenidade e pela total liberdade. Desεjo que o ouvinte, ao fechar os olhos, seja transportado para um estado de espírito leve e livre, onde a música atua como uma ponte para momentos de pura felicidade. É um convite para escapar da rotina e sentir a energia revitalizante da natureza, independentemente de onde a pessoa esteja.
Para mim, ver esta canção, composta nas ilhas gregas, ser acolhida pelas raízes da Bossa Nova no Brasil, é a realização de um ciclo artístico. É uma forma de homenagear a música brasileira que tanto admiro, unindo o azul do Egeu com o ritmo vibrante do Brasil através da Revista Arte Brasileira. Agradeço novamente por este espaço e pelo carinho com a minha arte.
Com os melhores cumprimentos,
Comentário de Pantelis Gargoulakis

