As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.
A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ Grecco Buratto - "Império Dos Sentidos" - (BRASIL / ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Se tivesse que apresentar essa música em um elevador, o que diria?
Difícil… pelo caráter intimista, minimalista e meditativo da canção… mas vamos lá
Um abraço musical, hipnótico, delicado, acolhedor. Um bálsamo sonoro que acalma e traz paz.
2. Qual a origem de "Império dos Sentidos", o que a inspirou?
Nasceu de uma conversa por chat com uma amiga. Acho que é sobre aqueles momentos onde tudo o que precisamos e queremos é um abraço de alguém que conhecemos, gostamos, amamos, um amigo(a), parente, parceiro(a), pai, mãe…
Já que nossa conversa era virtual e não era possível abraçar a pessoa com quem conversava fisicamente, talvez a canção tenha surgido como forma de expressar a experiência do que senti e também como minha maneira de lhe dar um abraço.
3. A letra, mais diretamente, conta qual história?
A letra fala exatamente sobre isso, alguém que pede um abraço, ajuda em um momento de vulnerabilidade. Um ombro pra encostar a cabeça e talvez chorar, um colo para deitar, dormir e descansar. Um momento de silêncio e trégua do império de sentidos e sensações com o qual interagimos a cada segundo de cada dia.
O refrão invoca imagens de kamikazes a um passo do paraíso, astronautas saltando ao infinito onde a dor não existe e nossos personagens se encontram em segurança, fora de perigo.
4. Musicalmente, o que você trabalhou nessa música?
A produção desta música apresentou alguns desafios. Acho que o primeiro foi me desprender da idéia de esperar o momento ou as circunstâncias perfeitas para gravar ela. Tentei me comprometer com o conceito de fazer o melhor que podia naquele momento e estar sempre em movimento. Depois disso veio a questão de como vestir a canção em termos de instrumentação. Tentei muitos caminhos até chegar ao ponto em que está. Tocar ou gravar piano também foi desafiador por ser a primeira vez que fiz isso.
5. Por fim, conte-nos quem é o cantor e compositor Grecco Buratto
Sou um artista, musico, poeta e produtor brasileiro, radicado em Los Angeles que após um ataque de pânico e um sonho onde conversava com Gabriel Garcia Marquez e Jose Saramago sentiu uma necessidade visceral de reconexão com a escrita, usando ela como terapia. Deste processo, nasceram meu primeiro disco, Essas Coisas Todas, lançado em 2014 e também seu livro Só Palavras, lançado em 2023 pela Editora Verisprosa junto com o disco Sem Palavras. Sou reconhecido mais pelo meu trabalho como músico acompanhante de grandes estrelas da música mundial como Shakira, Lionel Richie, Gwen Stefani e LP entre outros, mas é através das minhas composições, onde encontro minha maneira mais completa de expressão artística.
Comentário de Grecco Buratto
➔ Winterlight Motel - "beautiful skin" - (BRASIL / ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. De onde veio a inspiração dessa música?
“Beautiful Skin” surgiu em um momento em que eu estava começando a acreditar novamente na possibilidade do amor. É uma música dedicada a alguém que carrega sua própria história no corpo, e que, sem perceber, me ensinou que vulnerabilidade ainda pode ser um lugar seguro.
2. Qual a mensagem da música e seu objetivo com ela?
A música fala sobre reabrir o coração com cuidado. Não há drama explícito, apenas a sensação calma de perceber que algo está nascendo. Eu quis capturar essa delicadeza, quase como se a canção fosse uma lembrança ainda acontecendo.
3. Musicalmente, como foi construída?
Ela foi construída lentamente. Poucos acordes repetidos, andamento contido, espaço suficiente para que o silêncio participe. A produção é lo-fi e íntima, quase como se tivesse sido gravada à meia-luz. A intenção era que tudo soasse próximo, mas distante ao mesmo tempo.
4. Qual a influência dos Estados Unidos na construção de “Beautiful Skin”?
A música carrega a influência da tradição americana do slowcore e do indie introspectivo. Artistas como Red House Painters e Sign Crushes Motorist foram referências naturais nesse processo. Essa ideia de dizer menos para sentir mais moldou a atmosfera da faixa.
5. Como você avalia o posicionamento e a potência da música dentro do cenário global do Dream Pop?
Vejo “Beautiful Skin” habitando o lado mais contido e nostálgico do Dream Pop atual — próximo do slowcore, onde a força não está na expansão, mas na proximidade emocional. Ela não busca grandiosidade; prefere permanecer baixa, como um pensamento repetido no fim da noite.
Respostas de Winterlight Motel
➔ Donguille - "Quizás" - (PERU)
1. Qual a melhor sinopse para esta música?
“Quizás” é uma canção que retrata a incerteza emocional que surge em um relacionamento, especialmente quando existe uma separação temporária. É um momento de dúvida, reflexão e vulnerabilidade.
2. O que inspirou essa música?
A música nasceu de um período em que eu não conseguia encontrar clareza ou segurança na relação com meu parceiro. Tivemos que nos separar por um tempo por causa de uma viagem, e isso intensificou as dúvidas. Passei dias pensando, tentando entender o que eu sentia e o que a vida estava me mostrando.
3. O que você diz na letra e qual é a sua mensagem?
A letra expressa aquele instante em que sentimos que a vida pode estar nos levando por caminhos diferentes. Também me fez lembrar do meu pai, que sempre brincava criando histórias sobre desconhecidos, imaginando “o que talvez fosse”. Essa ideia do talvez — do que poderia ser ou não — é o coração da música.
4. Musicalmente, o que você explorou nesta música?
Quis homenagear o bolero tradicional. Minha mãe sempre ouvia boleros, e lembro que, quando eu me preparava para ir à escola, o programa de boleros era o sinal de que eu precisava correr para não me atrasar. Nesse ambiente sonoro, cresci ouvindo Sonora Matancera, Los Panchos e tantos outros. Essa memória afetiva guiou a estética musical de Quizás.
5. Qual é a proposta do videoclipe?
O videoclipe mostra cenas do cotidiano e reflete sobre como a vida pode mudar facilmente de um momento para outro. Mesmo quando tudo parece unido, existe sempre uma fragilidade, uma vulnerabilidade que nos lembra que nada é totalmente estável. É uma contemplação da vida real e de suas incertezas.
Respostas de Donguille
➔ Meet Me For Reasons - "Replace A Human Being" - (HOLANDA)
1. De onde veio a inspiração para esta música?
A inspiração veio de uma experiência pessoal. "Substituir um Ser Humano" carrega um duplo significado — pode ser interpretado tanto como substituição emocional quanto como apagamento emocional. Intencionalmente, deixo espaço para que os ouvintes decidam qual significado ressoa mais com eles, porque a experiência de ser substituído — ou de tentar substituir alguém — é profundamente pessoal.
2. Qual é a mensagem da música e qual é o seu objetivo com ela?
A mensagem central é que as pessoas não são intercambiáveis. Você pode substituir uma presença, mas não pode apagar o impacto. Mesmo depois que alguém se vai, sua voz, sua influência e a marca emocional que deixa permanecem. Meu objetivo com a música é dar espaço a essa voz persistente — aquela que não desaparece só porque as circunstâncias mudam.
3. Que influência teve o seu país na criação do projeto “Replace A Human Being”?
Embora a música seja profundamente pessoal, e não específica de uma cultura em particular, crescer na Holanda moldou minha perspectiva sobre franqueza e independência. Há frequentemente uma atitude implícita de "se isso não der certo, outra pessoa dará". Essa mentalidade influenciou a tensão emocional por trás da música — a ideia de que, às vezes, as pessoas podem ser tratadas como descartáveis nos relacionamentos modernos.
4. Como você avalia o posicionamento e o potencial desta música no cenário global do seu gênero?
Dentro da cena global do rock alternativo, vejo essa música posicionada mais pela honestidade emocional do que pela experimentação sonora. Ela não é guiada por tendências ou escala de produção, mas sim por experiências vividas. Acredito que seu potencial reside na sua capacidade de gerar identificação — o sentimento de ser substituído, ou de questionar essa substituibilidade, é universal. Se alguém em qualquer lugar do mundo ouvir a música e se sentir compreendido, então ela terá cumprido seu propósito.
5. Há algo curioso sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
Sim, o projeto segue um conceito estruturado. Cada sessão contém nove músicas por personagem. Na Sessão 2, as nove primeiras faixas representam Caitlyn e as nove últimas representam Evelynn. Elas são ex-amantes, e cada personagem oferece uma interpretação diferente de seguir em frente. "Replace A Human Being" existe dentro desse diálogo emocional entre elas.
Respostas de Meet me For reasons
➔ Anyone Awake - "Matching Sweater Date" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Qual a ideia geral da música?
O conceito gira em torno da história da minha avó, após a perda do meu avô no início deste ano. "November Air" marca esse início, pois eles se casaram no final de outubro e a vida de casados começou. Eles foram casados por mais de 66 anos e construíram um legado em torno da família.
2. E a composição, como ela surgiu?
A composição foi inspirada principalmente por The Backseat Lovers e Radiohead. O estilo foi influenciado pela faixa "Heavy" do The Backseat Lovers, mas a composição foi semelhante à de "Karma Police" do Radiohead. Os dois foram combinados e resultaram no que vocês ouvem agora!
3. Musicalmente, quais suas considerações?
Muitas pessoas se perguntam por que fomos mais experimentais com esta faixa em comparação com as outras. Estou aqui para dizer que não foi exatamente intencional. Sentimos que esta faixa tinha emoções complexas que precisavam ser expressas com sons complexos.
Comentário de Cassius Moore

