25 de maio de 2026

MIX ECLÉTICO DE CINCO IDEIAS MUSICAIS (#6)

As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.

A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.

Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

➔ Rafy Peña - "Que Lo Que - Acelerada" - (REPÚBLICA DOMINICANA)
1. O que dizem as letras? Qual é a mensagem?
“Que Lo Que” captura uma mistura de alegria, nostalgia e fé durante uma despedida significativa. A letra incentiva a celebrar a vida mesmo em momentos difíceis, a confiar que Deus está no controle e a deixar a tristeza ir embora quando sabemos que estamos sendo guiados. Trata-se de escolher a alegria, abraçar a mudança e seguir em frente com esperança, em vez de se apegar ao que deixamos para trás.
2. Qual foi a sua fonte de inspiração?
A música foi inspirada no dia em que meus pais se aposentaram mais cedo e se mudaram para a República Dominicana. A despedida trouxe uma mistura de orgulho, felicidade e emoção. Esse momento me levou a improvisar a música inteira em sets de uma única tomada no BandLab, capturando a sensação pura daquele dia. Mais tarde, refinei a letra para garantir que a mensagem fluísse com clareza, mas a essência da música permanece sendo aquele momento emocional espontâneo.
3. Musicalmente falando, em quais elementos você se concentrou nesta faixa?
Concentrei-me em criar um ritmo animado, inspirado no Caribe, que equilibrasse emoção e celebração. O objetivo era fazer uma música que transmitisse alegria e reflexão simultaneamente. Investi em frases melódicas, ritmo contagiante e uma fluidez coloquial que soasse natural, quase como uma conversa direta com familiares e amigos.
4. Que influência teve seu país de origem — a República Dominicana — neste lançamento?
A República Dominicana está no cerne desta música. Desde a própria frase “Que Lo Que”, até o ritmo, a energia e o espírito festivo, a cultura moldou fortemente a faixa. A influência dominicana representa calor, família, resiliência e alegria, mesmo em momentos de transição emocional. A música reflete como a cultura dominicana frequentemente celebra a vida, até mesmo durante as despedidas.
5. Há algum detalhe interessante ou curioso que você gostaria de destacar?
Um detalhe interessante é que a música foi originalmente gravada como um freestyle, e as palavras fluíram de forma tão natural para mim no início. Eu não planejei a estrutura; simplesmente descobri o som enquanto procurava por batidas e me conectei com a expressão dessa batida, que extraiu de mim o que eu sentia naquele momento. Essa autenticidade se manteve na versão final. Também se tornou uma das primeiras músicas em que capturei intencionalmente um momento da vida real e o transformei em algo inspirador para outras pessoas que estão passando por transições semelhantes, em apenas 15 minutos após ouvirem a música.

Respostas de Rafy Peña

➔ Ben Musser - "Love Yourself" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. O que te inspirou a compor essa música?
Uma espécie de mantra que uso para me ajudar a superar os altos e baixos da vida e me encorajar a permanecer fiel ao meu caminho:
Não se distraia.
Apenas ame a si mesmo .
2. O que a letra diz? Que história ela conta?
A letra conta a história de uma pessoa que reconhece que às vezes se sente sozinha ou excluída, e então supera esses sentimentos lembrando-se de buscar a paz interior, manter o otimismo e se concentrar em se amar.
3. Reflita sobre a mensagem da música em geral.
Primeiro, encontre uma maneira de se amar, com todas as suas falhas, talentos e tudo mais. Somente quando você for capaz de buscar a paz interior e se amar, você poderá dar todo o seu amor ao mundo, especialmente à sua família, cônjuge e filhos.
4. Musicalmente, em que você trabalhou nessa música?
Compor uma melodia simples, mas forte, para a mensagem em forma de mantra.
Eu escrevi a letra e a música, depois toquei violão de cordas de nylon e aço, piano Wurlitzer, piano vertical, contrabaixo, bateria, percussão, vocais principais e de apoio, e um Omnichord.
5. Há algo interessante que você gostaria de destacar?
Scott Mathews (The Beach Boys, Van Morrison) produziu a música e meu novo disco comigo. Ele me ajudou a gravar todas as partes e a concretizar este álbum de um homem só. Eu escrevi isso perto da costa central da Califórnia e gravei algumas horas ao norte, no Condado de Marin ,

Respostas de Ben Musser

➔ Meta Forza (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA) e Karla Sro (CHILE) - "ALiVE" (feat. Meekasia)
1. O que diz a letra da música?
“ALiVE” é um hino ousado e energizante. Essa música soa como uma luta contra a sensação de se perder em um lugar que recompensa a mesmice. A letra transita entre exaustão, paranoia e desafio, começando com a sensação de que o tempo está retrocedendo e terminando com uma obstinada vontade de sobreviver a qualquer custo. Há uma forte crítica à autenticidade falsa, à estética imitativa e às pessoas que buscam identidade se tornando iguais a si mesmas.
2. Qual é a mensagem por trás da música?
Tendo Miami como pano de fundo, “ALiVE” explora a luta para se manter autêntico em uma cultura dominada por imagem, status e ilusão. A faixa reflete o paradoxo de uma cidade onde as pessoas se esforçam para se destacar, mas muitas vezes acabam se conformando à mesma fachada. Nascidas e criadas em Miami, Karla e Meta Forza transformam essa tensão em um hino cinematográfico de Nu Metal sobre resgatar a identidade e permanecer fiel a si mesmo.
3. Qual foi a sua fonte de inspiração?
Miami é uma cidade onde os padrões de beleza e estilo são incrivelmente altos, e onde o que muitas vezes é apresentado como "diferente" acaba sendo replicado até que todos se pareçam. Quando alguém é considerado descolado ou único, rapidamente se torna um ponto de referência que todos os outros tentam imitar para se destacar. Esta música fala sobre a luta de se perder em um lugar que recompensa a mera cópia.
Karla: “Quando cheguei a este país, senti a pressão de me encaixar e tentei seguir esse estilo de vida. Mas, com o tempo, percebi que não era autêntico para mim; parecia que eu estava vestindo roupas de outra pessoa. Esta música nasceu dessa reflexão: o desejo de não perder minha identidade enquanto tento me adaptar a um padrão que não me representa. Por exemplo, é como se me dissessem: 'Ah, você pode ter o visual de uma roqueira alternativa, mas ainda precisa ser sexy e mostrar mais pele.' E se eu não quiser? As pessoas aqui andam na rua praticamente nuas; não seria mais chocante ver alguém totalmente vestido? (Hahaha).”
4. Musicalmente falando, em quais elementos você se concentrou nesta faixa?
Sonoramente, “ALiVE” é onde o nu metal se encontra com a EDM e a música urbana de uma forma que soa fresca, imediata e surpreendentemente acessível. A música foi mixada por Javier Delgado, indicado ao Grammy, e masterizada por Ricardo Sangiao, engenheiro de masterização com múltiplos diamantes, ambos engenheiros de alto desempenho na música alternativa e urbana.
O que começou como uma faixa de metal mais pesado evoluiu para um lançamento que mescla gêneros, construído sobre versos com influência trap, refrões marcantes, bateria eletrônica, guitarras pesadas, sintetizadores e uma batida final de dubstep. Com Karla Sro, Meta Forza e Meekasia adicionando seu toque pessoal, a música entrega a intensidade do metal com a energia e o apelo da produção moderna para clubes e rádios.
5. Qual o impacto do fato de esta música ser uma colaboração entre artistas dos Estados Unidos e do Chile no resultado final?
A colaboração entre artistas americanos e chilenos molda profundamente o resultado final, transformando o que começou como uma faixa de heavy metal em um híbrido sofisticado de sons globais. Inicialmente concebida em estúdio com Meta Forza como uma peça focada no metal, a produção evoluiu para preencher a lacuna entre a instrumentação pesada e a intensidade rítmica do trap americano. Essa fusão foi intencional desde o início, já que Karla e Meta Forza buscavam sintetizar suas diversas experiências, principalmente aproveitando a expertise de Forza em EDM para construir uma paisagem sonora multidimensional. O fluxo específico da faixa foi ainda mais definido pela adição da rapper Meekasia, que Karla recrutou após um encontro casual para fornecer a energia vocal exata que a composição exigia. Para Karla e Meta Forza, cruzar esses gêneros é uma extensão natural de sua vida em Miami, onde a música urbana é uma presença constante. Aproveitando sua perspectiva como produtora e engenheira de som, ela vê este projeto como uma rejeição às fronteiras musicais, fundindo perfeitamente as influências de seu ambiente em um estilo que planeja continuar a desenvolver em trabalhos futuros.
6. Há algum detalhe interessante ou curioso que você gostaria de destacar?
A música foi mixada por Javier Delgado, indicado ao Grammy, e masterizada por Ricardo Sangiao, engenheiro de masterização com múltiplos prêmios Diamond, ambos engenheiros de alto desempenho na música alternativa e urbana.

Respostas de Meta Forza e Karla Sro

➔ Dr J - "Luz de Suenos" - (CANADÁ)
1. De onde veio a inspiração para essa música?
Lutas pessoais minhas e da minha família. Mudar para um novo país e tentar construir uma vida e ter sucesso. Mas são tantos obstáculos, tanta coisa que você não sabe, antes de se mudar, sobre como as dificuldades vão ser. É muito difícil encarar a rejeição e a decepção e, mesmo assim, saber que você precisa continuar.
2. Qual é a mensagem da música?
Você vai passar por dificuldades, rejeição e decepção, mas se você tem sonhos, eles podem te dar força para continuar.
3. Musicalmente, que aspectos foram incorporados e trabalhados?
Eu amo jazz, amo ritmos latinos e amo atmosfera na música.
4. Qual é a influência do seu país, o Canadá, nessa música?
O Canadá, nem tanto, mas o jazz e os ritmos latinos de lugares como Cuba… com certeza. Eu amo as influências latinas do Dizzy Gillespie e as influências latinas dele.
5. Tem alguma curiosidade sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
Eu não sou latina! Mas colaborei com músicos latinos da Argentina e da Espanha!

Respostas de Dr J

➔ LANGENDORF UNITED - "Ethiopia Ewdeshalehu" - (SUÉCIA)
1. E em qual momento surgiu essa composição, o que a inspirou?
Esta música me ocorreu há pouco menos de dez anos (início de 2016). Não me lembro exatamente como, mas sei que ansiava por uma música em tom maior, considerando que muitas das minhas composições tendem a ser mais melancólicas, frequentemente em tom menor. Então, eu provavelmente estava tocando uma das escalas maiores etíopes (Tizita Maior, neste caso) e, de repente, a introdução me ocorreu e comecei a ouvir o início de um hit pop etíope. Uma típica seção de metais etíopes na introdução, seguida por um tema/verso onde, dentro de mim, eu podia ouvir um cantor cantando sua alegria e gratidão por algo especial e grandioso na vida.
2. Qual o tema da música?
Para mim, a música é uma homenagem à Etiópia. A todas as pessoas maravilhosas que conheci durante minhas estadias lá. A generosidade e o calor humano que permeiam todos esses encontros. Até agora, só há letras no início do refrão, e elas são "Ethiopia Ewedshalehu, Ethiopia Ewedhaleu", que significa Etiópia, eu te amo (tanto para uma mulher quanto para um homem). No futuro, sonho que a música inteira também tenha letras em amárico e que a gravemos junto com uma das grandes estrelas etíopes (por exemplo, Dawit Tsigi ou Aster Aweke). Uma letra que cante louvores ao povo etíope, que celebre a paz, a comunidade e o país da Etiópia com tudo o que ele tem a oferecer.
3. Em termos de sonoridade, como você descreve essa música?
Não tenho certeza se entendi a pergunta. Mas, quando se trata de música, eu simplesmente me concentro nela. Não a analiso. Também costumo ir a shows sozinho, porque muitos gostam de analisar e descrever o que ouviram quando o show termina. Quero apenas levar comigo a experiência como ela é. Quando se trata das minhas próprias composições, é claro que tenho ideias e pensamentos diferentes sobre, por exemplo, o swing ou a instrumentação, mas geralmente a maneira mais fácil é tocar a música em conjunto e, assim, encontrar um som comum para cada música.
4. Quem é o artista Langendorf United?
O Langendorf United é mais do que uma banda para mim. É o trabalho de uma vida. Um sonho realizado, com quatro músicos ao meu lado que significam muito para mim, tanto pela sua expressão musical/ser na música quanto como seres humanos. A sensação de que juntos nos tornamos um na música é um pouco estonteante. A curiosidade, o swing, a ludicidade, o humor e a seriedade estão constantemente presentes em nossa criação. Muitos que nos ouviram ao vivo descrevem os concertos como um toque de experiência espiritual e devocional, onde eles também se tornam um com a música.
5. Há algo de curioso que você queira destacar?
Quando gravamos essa música, não sabíamos bem como ela terminaria. Eu estava meio que a fim de fazer um fade out. Então, improvisamos no final e o Daniel tinha quase certeza de que a música já teria acabado/fade out quando começou a brincar um pouco mais com o vocoder. Mas guardamos o final inteiro. A única coisa que cortamos foi o riso que vem logo depois da última batida/nota. Há muito riso quando tocamos juntos e a maioria das músicas do álbum são primeiras tomadas, o que é incrível. Não tínhamos nos conhecido antes e ensaiado as músicas, mas foi a primeira vez em seis meses que nos encontramos lá no estúdio e a primeira vez que tocamos essas músicas juntos.

Respostas LANGENDORF UNITED

administrator
Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.