As editorias ALÉM DA BR e LUPA NA CANÇÃO já publicaram mais 4 mil obras, de todos os cantos do mundo. Agora, estão juntas na nossa lista eclética de lançamentos.
A novidade é que artistas brasileiros e internacionais são apresentados em uma única seleção de cinco músicas. São entrevistas curtas que exploram o básico de cada lançamento musical.
Vale dizer que o conteúdo aqui apresentado tem exclusividade da ARTE BRASILEIRA, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
➔ DJ BORRE - "Verdad o engaño" - (MÉXICO)
1. De onde veio a inspiração para esta música?
Eu sempre escrevo a partir das minhas próprias experiências, e esta veio de um relacionamento fracassado.
A última vez que a vi, depois de tudo o que tínhamos passado, mal conversamos.
Ela simplesmente me disse: "Eu sei que foi muito tempo, mas eu vivi uma mentira."
Isso me destruiu.
Porque para mim foi real… e ouvir isso me fez questionar tudo:
Seja o amor aquilo que se sente... ou aquilo que a outra pessoa escolhe ver.
Foi aí que eu entendi que algo pode ser verdade para uma pessoa...
e ao mesmo tempo dar a sensação de estar enganando a outra pessoa.
2. Qual é a mensagem da música?
O amor era real…
A ilusão era pensar que seria para sempre.
É aquele momento em que você entende que não pertence mais àquele lugar.
E você já nem reconhece mais a pessoa.
Mesmo assim, você não fica.
Você sai com a sua experiência, com a sua versão… mesmo que não seja a correta.
Mas quando algo é real, permanece…
E, mais cedo ou mais tarde, isso é lembrado.
3. Musicalmente, em que elementos ou ideias você trabalhou nesta música?
Fui inspirado pelos sons do mariachi e da música norteña.
Eu usei vihuela, guitarra, violinos e guitarrón,
Mas, mais do que os instrumentos, o que importava para mim era o que eles estavam dizendo.
Tudo começou com a guitarra, naquele momento em que você tem tudo preso dentro de si.
E você não sabe como tirá-lo de lá.
A ideia era uma voz romântica… mas quebrada,
como se, em vez de cantar, ele estivesse reclamando ou se despedindo.
No refrão, eu queria levar a música para o próximo nível:
o físico, o íntimo, o espiritual…
E aquela dor de perder alguém que você realmente amava.
Porque há coisas que não são ditas…
São cantadas.
4. Que influência o México exerce sobre esta música?
O México exerce influência total.
É mariachi, é tequila, é se apaixonar e também perder.
Aqui, o amor é vivido intensamente, e quando termina... é cantado.
É comum ter uma serenata, uma banda de mariachis, para expressar seus sentimentos através da música.
Isso sempre me influenciou, e é por isso que gosto desse estilo.
Cresci com essa ideia de amor que é cantado, sofrido e não escondido.
Também com essas imagens que são muito nossas… os cavalos, as histórias,
Aquele drama que você via até mesmo em romances.
Tudo isso faz parte de como eu entendo o amor…
e como acabei escrevendo essa música.
5. Há algo de curioso ou especial sobre o lançamento?
A música não ia se chamar assim originalmente.
O livro “Verdade ou Engano” foi lançado na última vez que a vi…
Quando, depois de tudo, ela me disse: "Eu sei que foi muito tempo, mas vivi enganada."
Essa frase ficou na minha cabeça e eu não conseguia tirá-la da cabeça.
Há também algo que me marcou:
a frase “você vai rezar a Deus por outro amor que te ame tanto quanto eu”
Eu já havia escrito isso antes…
E então, em uma ligação telefônica, ela me disse que orou a Deus por mim.
A partir daí, tudo começou a fazer mais sentido.
Comecei a tocar no violão, tentando dizer o que não disse naquele momento.
E decidi deixar como está, sem produzir em excesso.
Porque foi assim que nasceu.
Respostas de DJ BORRE
➔ KNG - "Gratitude (Brandon Lake Cover)" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Como você conheceu essa música e o que pensa dela, da sua versão original?
Trabalho como coordenadora musical em uma igreja em Michigan. As músicas de Brandon Lake têm sido uma escolha muito popular entre nossos líderes de louvor para conduzir os cultos. Eu mesma ouvi "Gratitude" pela primeira vez na igreja, cantada por outro cantor, e imediatamente pensei: "Quero tocar/cantar essa música". Senti que me identificava com a narrativa. Gosto da vulnerabilidade que a versão original transmite e de como ela enfatiza nossa pequenez diante de Deus, e que tudo o que temos a oferecer é o nosso louvor. A letra dá a impressão de que o narrador está finalmente se libertando dessa percepção.
2. Por que você resolveu grava-la? Musicalmente, o que sua versão tem de especial?
Eu queria me conectar com a emoção crua que senti cantando essa música na igreja naquela manhã, quando a ouvi pela primeira vez. Queria enfatizar a história e dar força às palavras. Acho que o gênero R&B captura essa emoção crua que eu buscava. Nossa versão é minimalista, a ponto de parecer apenas uma conversa entre o cantor e Deus, mas depois cresce em louvor com vocais em camadas e metais. Acho que o que torna nosso arranjo especial é que ele oferece uma abordagem completamente diferente do que é considerado música cristã contemporânea. É uma música popular, feita para o culto congregacional, transformada em um R&B conversacional. É estranho e, pela minha experiência, certamente pega de surpresa quem conhece a versão original.
3. Qual a influência do seu país, dos Estados Unidos da América, nesta música?
Para o arranjo musical da canção, nos inspiramos imensamente na obra "(Untitled) How Does It Feel" de D'Angelo.
4. Há algo de curioso sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
A tensão no instrumental antes da ponte é uma das minhas partes favoritas do arranjo. Dá a sensação de estar sendo puxado de um lado para o outro e então explode num momento de "é assim que me sinto, não tenho nada a oferecer, mas vou louvar a Deus com todas as minhas forças: tudo o que me resta é este Aleluia e vou proclamá-lo". Acho que o coro, os vocais de fundo em camadas e os metais contam essa parte da história muito bem.
Respostas de Taylor Thorn-Sanchez
➔ Cassiopeia Morena - "Зов Пучины" - (UCRÂNIA)
1. Qual foi a fonte de inspiração?
A inspiração veio de um momento de silêncio absoluto: um banho com óleos essenciais após um dia pesado e agitado. Quando você submerge a cabeça na água, o mundo exterior silencia, deixando você sozinho com um zumbido abafado e o leve som da água respingando. Nesse isolamento, você ouve claramente sua própria respiração e a dor que vem se acumulando há anos. Para mim, tocar a água é sempre um ritual de libertação e purificação. É um renascimento através do abismo, que se tornou a base para a atmosfera da música.
2. Qual é a mensagem da música?
A mensagem central é sobre a coragem de partir quando você sente que não está onde deveria estar. Muitas vezes, uma alma vem a este mundo para criar — para escrever poesia, música ou pintar — mas, em vez disso, se vê presa na rotina exaustiva de fábricas ou escritórios. Seja pela pressão da sociedade ou pelos nossos próprios medos, tendemos a bloquear nosso verdadeiro propósito. 'Zov Puchiny' (O Chamado do Abismo) é uma metáfora para essa voz interior que te chama de volta ao seu caminho autêntico. É um lembrete para parar de se trair e ir aonde sua alma realmente deveria estar.
3. Musicalmente, como você descreveria essa música?
Eu descreveria como um rock sombrio moderno com uma atmosfera cinematográfica, "subaquática". Começa muito calmo e tenso, com sons abafados e ecos, como se você estivesse submerso. Então, explode em um refrão poderoso e emotivo. É uma canção de contrastes: transita de uma sensação de sufocamento e de prender a respiração para uma libertação massiva — como finalmente alcançar a superfície e respirar fundo pela primeira vez.
4. Qual é a importância da cultura e das artes ucranianas nessa música?
A cultura ucraniana está profundamente enraizada em um misticismo que faz parte do cotidiano, não apenas do folclore. Crescemos com histórias de 'Mavkas' (espíritos da floresta) e sereias; na minha aldeia, as pessoas apontavam casualmente para alguém e diziam: 'Ela é uma bruxa'. Quando se vive em um mundo onde bruxas e pessoas possuídas são consideradas reais, a mente se abre para todos os tipos de seres e estados de espírito. Esse 'misticismo cotidiano' — a sensação de que algo sobrenatural está sempre presente ao nosso redor — influenciou fortemente a atmosfera desta música. É música de um lugar onde a magia e a escuridão fazem parte da realidade.
5. Há mais alguma curiosidade sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
O interessante é que este lançamento já inspirou algo novo. Ele teve um impacto tão profundo que comecei a trabalhar numa continuação deste conceito, mas a partir de uma perspectiva masculina. Não quero revelar muito ainda, mas "Zov Puchiny" é apenas a primeira parte de um diálogo mais profundo que está prestes a se desenrolar.
Respostas de Cassiopeia Morena
➔ Follow The Moon - "Hashem" - (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)
1. Qual é a fonte de inspiração?
"Follow The Moon" surgiu daquelas noites em que o mundo parece tão silencioso que é possível ouvir os próprios pensamentos. A lua se tornou uma espécie de símbolo da intuição — aquela força silenciosa que sentimos quando a lógica diz uma coisa, mas algo mais profundo diz outra. A música fala sobre confiar nessa força, mesmo quando não conseguimos enxergar todo o caminho à nossa frente.
2. Que mensagem transmite ao público?
Em sua essência, é uma canção sobre entrega e confiança. Eu queria que ela transmitisse a sensação de permissão — permissão para abandonar a certeza, seguir o que te chama e acreditar que você encontrará o seu caminho mesmo na escuridão. Se alguém ouvir e se sentir um pouco menos sozinho em sua própria incerteza, então terá cumprido seu propósito.
3. Musicalmente, como você descreveria essa música?
A música fica algures entre o indie onírico e o alt-pop cinematográfico. Há uma pulsação hipnótica, quase noturna, por baixo da superfície — percussão suave, texturas de sintetizador acolhedoras, harmonias vocais em camadas — e o arranjo constrói-se lentamente, de modo que o ouvinte se sente atraído em vez de forçado. Queria que a produção transmitisse a sensação do próprio luar: brilhante, um pouco nebulosa e íntima.
4. Há algo curioso sobre o lançamento que você gostaria de destacar?
Muitas das partes vocais e camadas atmosféricas foram gravadas tarde da noite, o que eu acho que dá para sentir na mixagem final — há uma quietude na música que não existiria à luz do dia. É também uma música que eu quase não lancei; ela ficou guardada no meu HD por um tempo antes de eu sentir que estava pronta para compartilhar. É especial para mim que ela finalmente esteja disponível para o mundo e conectando-se com os ouvintes no Brasil.
Respostas de Avi Snow (Hashem)
➔ Klas Jonsson - "Sad & Ugly / Casiotone version" - (SUÉCIA)
1. Como surgiu essa música?
A ideia surgiu quando eu estava brincando com pares de adjetivos: Legal e Fácil, Triste e Solitário, Feio e Inútil, etc. A combinação "TRISTE" + "FEIO" me inspirou, então escrevi a letra simples dos refrões e entrei em contato com Emma Nordenstam, pedindo que ela escrevesse os versos. E ela escreveu, adicionando elementos sombrios e outros maravilhosamente fantasiosos. Depois disso, a música simplesmente fluiu sem esforço.
2. Qual é a mensagem da letra?
Alguém está passando por um momento de mau humor e um pouco de confusão.
3. Como você descreveria melhor o som de "Sad & Ugly"?
Tentei dar um tom cansado e um pouco triste aos vocais, mas com uma certa ternura, enfatizada pela suavidade da música. A letra melancólica e um tanto onírica, de certa forma, contrasta com a música, que não é tão triste assim – na verdade, tem um leve toque gospel, principalmente no final.
4. Quem é o artista sueco Klas Jonsson?
Klas é compositor, cantor e multi-instrumentista, residente na costa oeste da Suécia. Canto, assobio e toco acordeão, piano, guitarra, baixo, bateria, instrumentos de percussão de baqueta e gaita. Tenho dificuldade em definir tudo isso em um único gênero, um único estilo. Adoro criar valsas para acordeão, peças bitonais para piano, baladas pop, canções folclóricas, música de câmara, obras corais e rock progressivo. As técnicas modernas de gravação me permitem soar como um grupo de músicos; só contrato outros músicos para as partes que não consigo fazer sozinho, como voz feminina, violino ou trompete. Nunca uso inteligência artificial no processo criativo. Isso arruinaria toda a ideia. Que vergonha para quem usa.
5. Há mais alguma coisa interessante que você gostaria de destacar?
Faço shows ao vivo como artista solo, reduzindo a música a apenas eu, violão, acordeão, gaita e, às vezes, um piano elétrico antigo – de verdade, sem frescuras digitais – de 1980. As versões completas e arranjadas estão disponíveis em diversas plataformas de streaming, incluindo o Spotify.
Respostas de Klas Jonsson

